Espaços urbanos

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Centro Histórico - foto Eduardo Schroeder

domingo, 26 de abril de 2015

Cachoeira ou Itupeva?

Em 26 de abril de 1819, D. João VI mandou expedir o alvará que criou a Vila Nova de São João da Cachoeira, desmembrando de Rio Pardo a então Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Cachoeira. Este alvará, que tinha força de lei, deu início ao processo que se concretizaria em 5 de agosto de 1820, quando foi instalado o novo município.

A história de Cachoeira registra os diversos nomes que o local teve, começando pelo que se dava ao tempo em que a capela de São Nicolau, na Aldeia, denominava de forma religiosa e político-administrativa o povo novo que surgia. Depois se seguiram o de Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Cachoeira (1779), Vila Nova de São João da Cachoeira (1819), Cidade da Cachoeira (1859) e Cachoeira do Sul (1944).

Em 1943, quando o governo federal determinou que não houvesse repetições de nomes de cidades no país, Cachoeira, com homônimas na Bahia, no Ceará e em São Paulo, teve que iniciar uma discussão em torno de qual seria o nome que adotaria.

O Jornal do Povo, em sua edição de 30 de setembro de 1943, noticiou que Cachoeira terá, provavelmente, seu nome mudado, afirmando que ITUPEVA foi o nome sugerido para este município.

Página da edição de 30/9/1943 - Jornal do Povo
- acervo de imprensa do Arquivo Histórico

O Prefeito da época, Cyro da Cunha Carlos, recebeu instruções do Instituto Federal de Geografia e Estatística de que a cidade de Cachoeira, do Estado da Bahia, seria aquela que conservaria o nome, pois se tratava da mais antiga, fundada no século XVIII, e que a escolha da denominação das demais que tinham o mesmo nome deveria ter relação com qualquer coisa de forte identificação local, e preferencialmente utilizando a língua guarani. Daí que para a nossa Cachoeira, em razão do rio e das cachoeiras nele existentes, o primeiro nome a ser levantado foi o de ITUPEVA, que significa justamente cachoeira em tupi-guarani. Mas, como atesta a reportagem, o nome não agradou.

Outros nomes foram sugeridos, variantes do primeiro, como Itaipava e Itapeva. Seguiram desagradando, de sorte que em 1944 o nome Cachoeira do Sul foi legalmente adotado.


(Colaborou com a postagem o professor Alejandro Gimeno)

domingo, 12 de abril de 2015

Escola Antônio Vicente da Fontoura - mais uma história

O centenário de uma escola é acontecimento que merece saudação da comunidade, seja pela marca atingida, o que se restringe a poucas instituições em nosso meio, seja pela significação da árdua atribuição de instruir/educar gerações atravessando o tempo e as naturais mudanças culturais, sociais e pedagógicas.

A Escola Antônio Vicente da Fontoura chega ao seu centenário com pelo menos duas características dignas de nota: desde o início conserva o mesmo patrono, e com isto forja uma identidade associada ao líder farroupilha que não foi professor, mas que, nas palavras de Cândida Fortes Brandão, foi um educador “pelos brilhantes exemplos tanto na vida privada como na pública, merecendo por isso, servir de exemplo à juventude”, e por estar localizada desde sempre em ponto mais do que especial da cidade: os arredores da Praça Balthazar de Bem.

Antônio Vicente da Fontoura



E a respeito da localização, já foi abordado na postagem anterior que a escola passou a ocupar as dependências do antigo Teatro Municipal, transferido pela municipalidade para o governo do Estado. O prédio do teatro sofreu grande avaria nas estruturas do telhado em janeiro de 1908. Em 1915 estava há sete anos parado e sem as obras necessárias de recuperação. A ocupação pelo Colégio Elementar e Fórum foi a sua redenção. E destas obras surge uma quase desconhecida história.

Teatro Municipal - prédio ao centro
- fototeca Museu Municipal

As obras de recuperação e adaptação do jovem e combalido prédio (inaugurado em 1900) foram entregues a um construtor italiano chamado Giuseppe Tellini, ou José Tellini. E o intrigante desta história é que este construtor que apareceu pela primeira vez nos registros, segundo o arquiteto e escritor Günter Weimer*, em 1911, morreu em Cachoeira, justamente enquanto tocava as obras no prédio do Teatro.

O jornal O Commercio, edição do dia 23/4/1917, noticiou que José Tellini faleceu às 12h30 do dia 16 de abril de 1917, aos 52 anos. O italiano, na hora do almoço, recostou-se para um pequeno cochilo..., mas não mais acordou. Residente em Porto Alegre, Tellini deixou mulher e oito filhos e estava morando em Cachoeira há alguns meses em razão das obras. 

O construtor italiano, cujas notas biográficas são esparsas, fez em Cachoeira, quem diria, sua derradeira obra. Histórias da centenária história da Escola Antônio Vicente da Fontoura.

*Günter Weimer, em Arquitetos e Construtores do Rio Grande do Sul (1892 - 1945), Editora UFSM, 2004.