Espaços urbanos

Espaços urbanos
Ponte do Fandango - foto Mireila Moro

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Dia Internacional do Meio Ambiente

"Cada dia a natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não haveria pobreza no mundo e ninguém morreria de fome." Mahatma Gandhi


Parque Witeck - foto Henrique Witeck

O Dia Internacional do Meio Ambiente, comemorado em 5 de junho, tem como tema, no ano de 2011, Florestas: a natureza a seu serviço e busca ressaltar a conexão intrínseca entre qualidade de vida e saúde dos ecossistemas florestais, celebrando também o Ano Internacional das Florestas.

domingo, 29 de maio de 2011

Cândida Fortes Brandão

No mês de maio, a Escola E. E. F. Cândida Fortes Brandão completa aniversário de fundação. E carrega, em uma justa homenagem, o nome de uma das mais ilustres professoras da nossa história, mulher que conquistou seu diploma em uma época em que raros eram os mestres com formação teórica para o exercício do magistério.

Quem era, afinal, Cândida?

Cândida Fortes - acervo Museu Municipal

Filha de Fidêncio Pereira Fortes (natural do Rio de Janeiro) e de Clarinda de Oliveira Fortes (natural de Santa Catarina), Cândida de Oliveira Fortes nasceu a 23/4/1862. Em 1885, diplomou-se professora pública pela Escola Normal de Porto Alegre. Em Cachoeira, lecionava em uma aula pública mista. Também dava aulas particulares.
João Neves da Fontoura, em suas Memórias (1.º vol. Borges de Medeiros e seu Tempo, Ed. Globo, 1969, pp.150 e 151), conta ter sido aluno de Cândida e tece o seguinte comentário:  “D. Cândida Fortes, normalista, filha da nossa terra, escritora, já publicara um livro de poesias, intitulado Fantasias. (...) Era uma pessoa destacada. Lembro-me de vê-la – quando de minha infância – vestida com os trajes simbólicos da República, inclusive barrete frígio, numa festa comemorativa ao 15 de Novembro.”
O livro escrito por Cândida e que João Neves refere foi assinado com o pseudônimo de Canolifor, ou seja, as primeiras sílabas de seu nome. Há um exemplar da obra no Museu Municipal, assim como está em exposição a palmatória que ela utilizava para castigar os alunos que não se comportavam.
Segundo o próprio João Neves, “havia na autora espontaneidade para versejar, mas de maneira medíocre, no tom da época e sem nada que lhe desse a duradoura marca da criação literária.” De fato perdurou para a história a imagem de Cândida professora, ficando a carreira literária em segundo plano. Aliás, como escritora, colaborava regularmente com o jornal O Comércio, em artigos de recomendações às moças, com cunho educativo, e de exaltação aos republicanos. Utilizava-se também do pseudônimo Marina.
Por ocasião da morte do Barão do Rio Branco, em 1912, houve um concurso nacional para produção de texto ressaltando as qualidades do estadista. Cândida venceu o concurso e seu texto foi lido junto ao túmulo do Barão em ocasião de homenagem.
Em 1915, ao ser criada a Escola Elementar, foi nomeada diretora. Naquele mesmo ano sugeriu que a escola recebesse o nome de Antônio Vicente da Fontoura. E assim se conserva o nome até hoje.
Cândida casou-se em 28/10/1901, com Augusto Cezar Brandão, promotor público e juiz distrital. O casal residia na Rua Moron, 65. Não tiveram filhos.
Cândida Fortes Brandão faleceu em 4/11/1922. Contava 60 anos.

O marido Augusto Brandão
- foto extraída da publicação
Cachoeira Histórica e Informativa, 1941,
de Manoel e Vitorino C. Portella








sábado, 28 de maio de 2011

Bombas de gasolina

Em tempos de combustíveis com preços pela hora da morte e de postos de gasolina com oferta variada de serviços aos motoristas e seus veículos, vamos dar um passeio pelo passado e descobrir quais foram os pioneiros de Cachoeira nesta atividade.

A primeira bomba de gasolina da cidade era da marca ATLANTIC e estava instalada junto à Agência Bromberg, na Rua Saldanha Marinho, esquina Dr. Milan Kras (onde atualmente está uma das lojas dos Supermercados Tischler). Foi aberta em 21 de março de 1927, às 17h, e o agente B. V. Azambuja ofereceu chope aos choferes (era assim que os motoristas eram chamados) e mais pessoas presentes ao ato de inauguração.


Primeira bomba de gasolina - 1927 - acervo Museu Municipal
 
No dia seguinte, 22 de março, foi inaugurada a bomba de gasolina instalada na Rua Moron, na Praça Balthazar de Bem, defronte à Igreja Matriz.

Bomba de gasolina da Praça Balthazar de Bem - acervo Museu Municipal

Para disciplinar a instalação das bombas de gasolina na cidade, o Intendente João Neves da Fontoura, através do Decreto n.º 256, de 16/2/1927, determinava que as bombas fossem instaladas de modo a conservarem entre si a distância mínima de três quadras edificadas, contadas em linha reta, para cada rua.
No dia 9 de abril de 1927, a STANDARD OIL CO. OF BRAZIL, agenciada por João Minssen, inaugurou a sua bomba na esquina das ruas Júlio de Castilhos com Juvêncio Soares, defronte ao prédio ainda existente, embora bastante modificado. Esta bomba funcionava inclusive aos domingos, tendo depósito com grande capacidade. No dia da inauguração, houve farta distribuição de copos de chope aos motoristas, proprietários de automóveis, representantes da imprensa, do comércio e da indústria que lá compareceram. A foto da ocasião festiva foi feita pelo fotógrafo A. Saidenberg e integra a fototeca do Museu Municipal.


Bomba da Standard Oil Co., agente João Minssen - 1927 - acervo Museu Municipal


Nos primeiros dias de 1928, na Rua 7 de Setembro, esquina Rua Ramiro Barcelos, a Companhia ANGLO-MEXICAN também inaugurou sua bomba de gasolina. O agente era Ernesto Grasser que ofereceu um copo de cerveja aos presentes na inauguração.

Em 2 de julho de 1929, nas proximidades da praia, em frente à casa comercial de Alcides Machado de Oliveira, foi instalada uma bomba de gasolina STANDARD.

Como se vê nessas informações colhidas na coleção do jornal O Comércio (Cachoeira, 1900 – 1966), os antigos distribuidores de combustíveis possuíam inicialmente uma única bomba de abastecimento, sendo a empresa ATLANTIC a pioneira em nossa cidade. Fácil perceber também que, ao final da década de 1920, pelo desenvolvimento que a cidade alcançara, grande já era a frota de automóveis, o que justificava as diversas iniciativas do setor.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Banda Musical Estrela Cachoeirense

Cachoeira do Sul é uma cidade musical. Sua história contém música desde os tempos em que os guaranis das Missões estabeleceram-se na Aldeia. Reza a história que os padres jesuítas iniciavam os índios nos misteres desta arte e não deve ter sido diferente com aqueles que vieram para cá.
Os outros grupos que acabaram por formar o mosaico étnico em que nos constituímos também associaram sua musicalidade aos traços culturais que nos caracterizam.
Bandas, conjuntos, grupos instrumentais e talentos individuais surgiram ao longo das décadas. Mas destaque especial merecem as bandas musicais que embalavam, ao som de dobrados e marchas, os acontecimentos da cidade, fossem eles de cunho social, político ou religioso.
Dentre essas bandas, uma se sobressaiu, seja pelo tempo de existência, seja pelo número de componentes e pela organização e repertório: a Banda Musical Estrela Cachoeirense, cujo auge da fama experimentou ao tempo em que esteve sob a regência do maestro Miguel Iponema.
Fundada em 14 de dezembro de 1870, a Banda teve como primeiro regente o maestro Roberto Francisco da Silva, que hoje é nome de rua em Cachoeira. Subvencionada pela Intendência Municipal, dava retretas aos domingos nas praças e durante festejos comunitários. Miguel Iponema deve ter assumido a regência da Banda por volta de 1912, quando veio de Santa Maria.
Negro de grande estatura, Iponema, que integrava o corpo da Brigada Militar, imprimiu características marcantes ao grupo de músicos que dirigia, aliás um grupo bem numeroso. Disciplina, organização e postura dos participantes eram exigências do regente. Todos deviam também estar elegantemente fardados, como atesta a foto registrada no Grande Álbum de Cachoeira, de Benjamin Camozato, editado em 1922.


No repertório da banda constavam, dentre outras músicas, a Princesa das Czardas e Viúva Alegre. Antes de assumir a regência da Banda Musical Estrela Cachoeirense, Miguel Iponema havia integrado o Grupo Frohsinn, regido por João Moser.

Outro músico que integrou a Estrela Cachoeirense foi o pintor de paredes José Cândido Rodrigues, que em 1925, através das páginas do jornal O Comércio (Cachoeira, 1900 - 1966), agradecia às pessoas que o ajudaram a integralizar a soma necessária para adquirir o contrabaixo com que tocava na Banda. José Cândido, elegantemente vestido, ilustra a foto que sua filha, Maria de Lourdes Rodrigues, doou ao Museu Municipal.

José Cândido Rodrigues - acervo Museu Municipal








terça-feira, 24 de maio de 2011

Macadamização das ruas

Quando Isidoro Neves da Fontoura assumiu a Intendência de Cachoeira (1908), uma das marcas da sua administração foi o investimento nos serviços básicos e na urbanização. Seu antecessor, Cândido Machado de Freitas, já havia iniciado, em maio de 1906, os trabalhos de escavação da Rua Sete de Setembro para ser abaulada e macadamizada.

Macadamizada? Que processo era este?

As ruas da cidade, de chão batido, eram muito poeirentas nos tempos secos e intransitáveis nos dias de chuva. A macadamização consistia em cobrir a rua com cascalho, pedra cupim britada e saibro, compactando-a com um cilindro compressor. Esse processo teve origem com o escocês Mac-Adam; daí o termo macadame.

Recentemente, o jornal Correio do Povo, de Porto Alegre, reproduziu notícia veiculada em 22 de junho de 1910, relatando que a Intendência de Cachoeira havia adquirido um cilindro compressor para a macadamização das estradas e ruas:

Já foi enviado para Cachoeira o cilindro compressor, a motor, que a Intendência daquela cidade havia encomendado na Inglaterra, por intermédio da casa Thomsen & C. A referida máquina é destinada a trabalhar na macadamização de estradas, naquele município. É acionada por um motor a querosene, muito forte, gastando 2,25 litros por hora. A fim de aumentar o peso dos cilindros de ferro, os quais são ocos, enchem-se os mesmos de água. A grande vantagem que esse motor tem sobre os cilindros compressores a vapor é que basta um único homem para o seu funcionamento, ao passo que a máquina a vapor requer condutor e foguista além e dois carros com dois animais e um condutor cada um, para levar a água e o combustível necessários.”
Cilindro compressor trabalhando na macadamização da Rua 7 de Setembro
- acervo Museu Municipal


Os sucessores de Isidoro seguiram investindo na urbanização e em outubro de 1912, segundo noticiava o jornal O Comércio (Cachoeira, 23/10/1912), a Intendência havia adquirido, de Buenos Aires, carros irrigadores para umedecimento das ruas e diminuição da poeira. Na edição de 5 de fevereiro de 1913, o mesmo jornal dizia:

“Em fevereiro de 1913 chegaram os dois carros irrigadores que a Intendência Municipal havia adquirido em Buenos Aires, destinados à irrigação das ruas durante a estação calmosa, em que a poeira sutil revoluteava incomodamente, causando prejuízos incalculáveis. Os carros eram de quatro rodas, de tração animal e cada um tinha um depósito de zinco, em forma de barril achatado, com capacidade para 1.500 litros de água. Ao fundo do carro e correndo em direção à largura deste, havia um cano provido com três filas de furos destinados a despedirem a água lentamente.”



segunda-feira, 23 de maio de 2011

Ainda sobre a casa que hospedou D. Pedro II...

A casa que hospedou D. Pedro II em 1846 desapareceu das nossas vistas. Mas, volta e meia, nos deparamos com alguma lembrança da sua existência.

A Casa das Bem-Bem às vésperas do desaparecimento - acervo Museu Municipal
Renate Schmidt Aguiar foi em busca de um jardim de outra casa que encanta os que apreciam história e patrimônio, e lá encontrou lembranças daquela que hospedou D. Pedro II. Duas estátuas, uma de Outono, decapitada, e outra de Apolo, além de alguns azulejos portugueses, relíquias salvas da destruição ou abandono pela D. Salita, mãe do dono do jardim, Ricardo Abreu.
Mas que casa era essa, construída ainda na primeira metade do século XIX, que dispunha de adornos refinados numa vila pouco habituada ainda aos confortos e belezas residenciais?
A casa foi construída pelo médico Jozé Afonso Pereira, homem de hábitos refinados, culto e frequentador da Corte.  Era de tal sorte bem equipada que se distinguia das demais da Vila Nova de São João da Cachoeira, e os vereadores, reunidos em sessões para planejamento da recepção ao Imperador, optaram por ela para acomodá-lo enquanto hóspede em sua rápida passagem por aqui em janeiro de 1846.
O Museu Municipal de Cachoeira do Sul – Patrono Edyr Lima possui um conjunto de azulejos da extinta fachada que repousam no Recanto da Memória e uma cópia da monografia de Jussara Maria Motta Schumacher, intitulada Estudo Arquitetônico de uma Casa de Porão Alto, que traz informações e fotografias dessa bela e desaparecida casa, símbolo que foi da nossa importância histórica.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

D. Pedro II na Vila Nova de São João da Cachoeira

            Desde outubro de 1845, os vereadores da Vila Nova de São João da Cachoeira estavam agitados com os preparativos para a visita do jovem Imperador Pedro II. Uma vila pequena ainda, com raras casas cômodas e gente pouco habituada aos rapapés da Corte tinha muito que evoluir para receber tão ilustre personagem. Além do mais, D. Pedro havia se casado há pouco, o que fazia com que os vereadores tivessem uma preocupação a mais: provar que um lugarejo dos confins do Império acomodaria condignamente a filha de um rei e esposa de um imperador.
            Em sucessivas reuniões, liderados pelo presidente Alexandre Coelho Leal, os vereadores João Thomaz de Menezes Filho, João Pinto da Fonseca Guimaraens, José Pereira da Silva Goulart, João Antonio de Barcellos e João de Souza Dias discutiram quais os compromissos do Imperador na Vila, como o povo seria preparado, quais os trajes que eles deveriam usar na presença dos visitantes, como as casas e as ruas seriam decoradas e iluminadas e em que moradia, afinal, o casal imperial poderia acomodar-se com relativo conforto. A escolha recaiu sobre um casarão erguido pelo Dr. Jozé Afonso Pereira, na Rua Santo Antônio, de fachada decorada por azulejos portugueses, onde os hóspedes teriam aposentos asseados, serviçais disponíveis, boa mesa e conversa civilizada, pois o anfitrião, além de médico, era homem viajado e acostumado a reuniões sociais.
Tomadas as devidas providências, antes do clarear do dia 7 de janeiro de 1846, às 5 horas da manhã, os vereadores reuniram-se na Câmara para, em comitiva, seguir até as proximidades do Passo do Amorim para receberem D. Pedro II, D. Teresa Cristina e a comitiva imperial. Montavam os melhores cavalos, trajavam roupas previamente acertadas e que pareciam as mais adequadas à ocasião: calça, colete e casaca preta, lenço branco ao pescoço, botins e chapéu armado. O vereador presidente, em nome dos seus pares e dos habitantes da Vila Nova de São João da Cachoeira, deu as boas-vindas ao Imperador e esposa, externando a satisfação de poder abrigar Suas Majestades e comitiva, finalizando com vivas à pacificação da Província. Assim escoltado, o Imperador desceu a Rua do Corpo da Guarda, dirigindo-se à Rua Santo Antônio para, finalmente, ser acomodado na casa do Dr. Pereira.
A casa em questão foi vendida muitos anos depois a descendentes de José Gomes Portinho, cachoeirense que fez nome na Revolução Farroupilha e depois na Guerra do Paraguai, quando defendeu os interesses do Império. Como prova de sua envergadura moral, Portinho recusou o título de Barão de Cruz Alta que D. Pedro II lhe ofertou em 1878. Era republicano por convicção, julgando-se, portanto, impossibilitado de receber honrarias do Império. Mas esta já é outra história.
Da primeira visita de D. Pedro II a Cachoeira (ele retornaria em 1865) restam hoje alguns azulejos da casa do Dr. Jozé Afonso Pereira, preservados no acervo do Museu Municipal, as atas da Câmara que relatam os preparativos e ações levadas a efeito pelos vereadores e a ponteira do cetro de metal dourado que foi oferecido ao Imperador. O casarão que hospedou D. Pedro não resistiu ao desgaste do tempo e à nossa incapacidade de preservar patrimônios e cedeu espaço para um prédio sem beleza, sem nobreza e sem história.


Residência onde D. Pedro II foi hospedado em 1846 - acervo Museu Municipal

Cabeça de Outono - estátua originária da casa que hospedou D. Pedro II
- acervo Ricardo Abreu - foto Renate Aguiar

Maio histórico

       
O primeiro jornal editado em Cachoeira, chamado Cachoeirense, circulou no dia 1.º de maio de 1879, produzido pelo tipógrafo Amaro José Lisboa e dirigido pelo advogado Bento Porto da Fontoura, filho do farroupilha Antônio Vicente da Fontoura. Não chegou a completar cinco anos de existência, deixando de circular em 31 de março de 1884.
Os dois primeiros estabelecimentos bancários também foram instalados em Cachoeira no mês de maio. O primeiro, o Banco da Província do Rio Grande do Sul, hoje extinto, e o segundo, ainda em atividade, o Banco do Brasil, aberto na Rua 24 de Maio, hoje Dr. Sílvio Scopel, no dia 5 de maio de 1919. Foi a 42.ª agência do Banco do Brasil do país,  atestando a importância econômica de Cachoeira à época.
No dia 7 de maio de 1850, a Câmara Municipal recebeu do engenheiro João Martinho Buff a primeira planta e cadastro de terrenos da Vila Nova de São João da Cachoeira. Esta planta apresenta o traçado do embrião da zona urbana de Cachoeira e é um dos mais importantes documentos da nossa história.
Quinze anos após o recebimento da planta, em 8 de maio de 1865, a Câmara recebeu o Paço Municipal, prédio da antiga Prefeitura.
Além da inauguração da Fonte das Águas Dançantes, do Ginásio de Esportes D. Pedro I, em maio também aconteceram a reorganização da Associação Rural, hoje Sindicato Rural, a fundação da Escola Complementar de Cachoeira, hoje Instituto de Educação João Neves da Fontoura, da Escola Cândida Fortes Brandão e da 24.ª Delegacia Regional de Ensino, hoje 24.ª CRE.
Maio, como se vê, tem muita história para contar!
Primeira Planta da Cachoeira - 1850

Riquezas da história da Fonte...

Quando Ruben Prass recebeu o título de Cidadão Cachoeirense, no ano de 2010, o Dr. Nilo Savi, filho de Artibano Savi, o idealizador da Fonte das Águas Dançantes, remeteu-lhe o texto abaixo. Nas palavras do Dr. Nilo, podemos entrever a participação importantíssima e anônima do Prass para a execução do sonho do Artibano:
Texto gentilmente cedido pela filha de Ruben Prass, Elizabeth Thomsen

domingo, 15 de maio de 2011

Fonte das Águas Dançantes - 43 anos

Há exatos 43 anos, no dia 15 de maio de 1968, durante a II FENARROZ, ocorreu a inauguração da Fonte das Águas Dançantes que leva o nome de seu idealizador, Artibano Savi, no coração da Praça José Bonifácio.
A Fonte das Águas Dançantes habita as lembranças dos cachoeirenses que já passaram dos quarenta anos e se constituiu, por muito tempo, em ponto turístico obrigatório para os visitantes de Cachoeira do Sul. Tradicionalmente acionada nas noites das quartas-feiras, sábados e domingos, animava as famílias com suas luzes, cores e sons sincronizados com os chafarizes.
Artibano Savi passou muitas noites em claro até conceber o mecanismo da Fonte. Dizia que havia se baseado em um filme de uma feira de Nova Iorque. O certo é que nossa fonte ficou conhecida como a primeira do gênero na América Latina.
Funcionando através de bombas especialmente fabricadas para o seu fim, compunha-se de 50 refletores subaquáticos de 500 watts de que resultavam cinco cores diferentes. O número de esguichos dos chafarizes chegava a 1.700, formando mais de 100 figuras diversas.
Fonte das Águas Dançantes - Praça José Bonifácio- acervo Museu Municipal
O controle simultâneo da água e da luz e a sincronização com as melodias exercem fascínio até nossos dias, quando a Fonte já desgastada pelo tempo e pela barbárie dos vândalos, ainda põe com menos recursos, mas não menor encantamento, as suas águas a dançar.

Apresentação de balé na inauguração da Fonte - 15/5/1968 - acervo Museu Municipal

sábado, 14 de maio de 2011

Banco da Província

O dia 18 de maio de 2011 marca o centenário de abertura da primeira agência bancária de Cachoeira, ou Caixa Filial, como se dizia em 1911. Na Rua 7 de Setembro, mais precisamente na sua esquina com a Rua General Portinho, abriam-se as portas, no dia 18 de maio de 1911, da Caixa Filial do Banco da Província do Rio Grande do Sul, instituição financeira fundada em 1.º de julho de 1858.
Vieram a Cachoeira especialmente para a inauguração, marcada para as 10 horas da manhã do dia 18, o diretor geral do Banco da Província, Emílio Guilayn, Antônio Vasconcellos, chefe da contabilidade, e João Gomes Filho, funcionário. Os visitantes chegaram à gare da Estação Ferroviária às 9 horas da manhã do dia anterior, e foram recebidos festivamente com espocar de dinamites e ao som de banda musical. À noite houve recepção e baile nos salões da Intendência.
Para a inauguração, grande público, autoridades, industrialistas, comerciantes e chefes políticos locais reuniram-se na esquina da Rua 7, destacando-se as presenças do Cel. Isidoro Neves da Fontoura, intendente, e o filho João Neves.
Inauguração no dia 18/5/1911
O capital inicial da filial de Cachoeira foi de 300 contos de réis e o quadro funcional contava com Mário Lima Santos, gerente, Pedro A. de Araújo Viana, contador, Paulino S. Breton, tesoureiro, e Oscar R. Vasconcellos, escriturário.
Dezesseis anos depois, em 8 de setembro de 1927, o Banco da Província inauguraria prédio próprio, construído pela firma Azevedo Moura & Gertum, na esquina da Rua 7 de Setembro com a Andrade Neves. O palacete, um dos prédios tombados de Cachoeira do Sul, sedia atualmente a Câmara Municipal, levando o nome de uma das personagens históricas que testemunharam a sua inauguração: Palácio Legislativo João Neves da Fontoura.
Sede da Câmara Municipal

Decálogo Florestal

O jornal O Comércio (Cachoeira, 1900 a 1966) publicou, em sua edição de 16 de fevereiro de 1916, o decálogo florestal, ou seja, os 10 mandamentos para proteger a floresta. Em tempos de discussão e indefinição do novo Código Florestal Brasileiro, é bom saber o que era recomendado há 95 anos!

Decálogo florestal:
I – O grau de cultura de uma nação está na razão direta da proteção à árvore.
II – Arborizando os lugares de origem de uma torrente, esta é transformada em corrente benéfica.
III – As florestas são a alma da agricultura; é essencial conservar aquelas para que não desapareça a cultura dos campos.
IV – Os mananciais só nas florestas se formam; desenvolvendo-as, aumenta-se o caudal dos rios.
V – As dunas formadas de areias móveis causam verdadeiras catástrofes, invadindo constantemente as terras. Se por meio de plantação de árvores as imobilizarmos, transformamos o deserto em alegre oásis.
VI – É tão direta a ação da floresta sobre o clima na formação e distribuição das chuvas, e são tão necessários os produtos florestais que a destruição das florestas constitui um verdadeiro perigo mundial.
VII – Só a plantação de árvores pode tornar saudáveis e habitáveis os terrenos pantanosos.
VIII – A majestosa beleza da floresta é motivo suficiente para justificar sua existência.
IX – As florestas são grandes depósitos de ar puro, são produtoras do oxigênio e, por isso, é essencial a conservação delas.
X – O que planta uma árvore pratica uma boa ação, o que, sem necessidade, a destrói, é um ignorante, é um malvado.

Jacarandás na Praça José Bonifácio - nov. 2010


terça-feira, 10 de maio de 2011

Vila de Cachoeira - 22 e 23 de abril de 1820

Auguste de Sain-Hilaire fez os seguintes registros sobre a região de Cachoeira em 1820:

"Região cortada por bosques e pastagens, a princípio, bastante acidentada, depois quase plana e menos arborizada. [...] A Vila de Cachoeira, que tem sido o termo da jornada, está agradavelmente situada; [...] sede de dois juízes ordinários e lugar de extensa paróquia, fica numa posição agradável, à encosta de uma colina que domina o Rio Jacuí. Esta vila, recém-criada, é ainda pequena; a praça pública está indicada por algumas casas esparsas.
Entre a vila e o rio, sobre o declive da colina, as miseráveis palhoças, separadas umas da outras, cuja reunião toma o nome de Aldeia. Estas choupanas são habitadas por índios, que vieram da aldeia de São Nicolau, vizinha de Rio Pardo, para lançar as fundações desta vila e que aqui permaneceram após concluída sua empreitada.
A Vila de Cachoeira teve seu nome dos recifes que, a pouca distância do lugar onde está construída, embaraçam o leito do rio e não deixam passar as canoas, senão ao tempo das enchentes. Até o momento, não se realizou obra alguma para faciliatar o descarregamento de mercadorias; apenas abriram uma picada no meio das árvores que margeiam o Jacuí e parece que não cuidaram do caminho que liga este rio à cidade. De qualquer forma, como São João da Cachoeira é o primeiro povoado que se encontra na rota das missões e do Paraguai, tornou-se uma espécie de entreposto, onde os mercadores e os estancieiros que não querem fazer longas viagens deixam os produtos de suas terras e adquirem de volta as mercadorias de que necessitam."

Livro: 
Viagem ao Rio Grande do Sul - Auguste De Saint-Hilaire - 4ª Edição - Martins Livreiro Editor, Porto Alegre, 2002. (Pág 353-354)

Alvará de Fundação da Vila Nova de São João da Cachoeira, 1819

Eu El Rei Faço Saber aos que este Alvará com força de Lei virem: Que os moradores [...] Pedindo-Me [...] a Graça d'erigir em Vila a sobredita Freguesia, a qual sendo reputada uma Povoação considerável pelo número de seus habitantes, e tendo as vantagens de estar à margem do Rio Jacuí, que é navegável, e de abundar em boas águas, e matas, se achava nas circunstâncias de poder ser elevada àquela Graduação. O que sendo-Me ponderado em Consulta da Mesa do Meu Desembargo do Paço [...] Hei por bem criar uma Vila na sobredita Freguesia da Cachoeira com a denominação de Vila Nova de São João da Cachoeira.