Espaços urbanos

Espaços urbanos
Ponte do Fandango - foto Mireila Moro

sábado, 5 de agosto de 2017

Nomes, atos e registros

Há 197 anos, quando o Ouvidor Geral e Corregedor Joaquim Bernardino de Sena Ribeiro da Costa mandou reunir o povo e os “homens de bem” da freguesia no local de levantamento do pelourinho, aqueles que tiveram o privilégio de deixar suas assinaturas no primeiro livro da nossa história deviam estar cheios de expectativas. Finalmente a povoação, ainda acanhada em suas instalações e dependente de Rio Pardo, poderia andar com suas próprias pernas e gerenciar seus negócios. A caminhada foi longa, grandes os desafios e dificuldades que se verificaram naqueles primeiros tempos da Vila Nova de São João da Cachoeira.

Assinatura de Joaquim Bernardino de Senna Ribeiro da Costa - 1820
- Acervo documental Arquivo Histórico do Município

O tempo cumpriu sua marcha, como tem que ser. A distância temporal entre 1820 e 2017 dilui-se graças à história e aos documentos produzidos nesse longo período. Não estivessem eles preservados, o abismo entre os dois períodos jogaria todos num vazio histórico desprovido de nomes, atos e registros.

Neste 5 de agosto de 2017, Cachoeira do Sul pode-se orgulhar de recontar aquele 5 de agosto de 1820 e buscar nos nomes e atos daquele dia o registro da história político-administrativa graças a importantes instituições municipais de cultura: o Arquivo Histórico e o Museu Municipal.

Criado justa e propositalmente num dia 5 de agosto, no ano de 1987, o Arquivo Histórico é depositário da documentação histórica conservada desde então. Referência não só para Cachoeira do Sul, mas para todos os municípios que se emanciparam do imenso território dos domínios iniciais, o Arquivo guarda com zelo e disponibiliza com critério e responsabilidade os registros que remetem aos homens e atos que tiveram o compromisso de levar a Vila até que se tornasse Cidade e assim por diante, construindo o caminho que desembocou neste dia 5 de agosto de 2017.

Logo criado por Giancarlo Borges - 2008

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O Museu Municipal de Cachoeira do Sul – Patrono Edyr Lima, vitrine dos nomes, atos e registros da nossa história, instalado no recém-restaurado prédio do Paço Municipal, ressaltará e valorizará a capacidade de materialização do imenso conteúdo histórico que o passado nos legou.

Logo criado por Cristianno Caetano




Mas a história vive de nomes, atos e registros. Se o correr do tempo encaminha-nos brevemente para o bicentenário desta terra, necessário e justo é que se registre que adentramos definitivamente numa nova era de valorização e difusão de nossa memória graças à ação voluntária e visionária de um grupo de cidadãos que emprestam seus nomes para grandes atos, sensibilizando a comunidade e o poder público municipal. Que fique o justo registro: Movimento pela Restauração do Paço Municipal e Museu no Paço já! 









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domingo, 16 de julho de 2017

Um gênio chamado José Albino Pohlmann

Um nome – para o qual ainda não foi localizado o rosto – é recorrente quando o assunto é inventividade, genialidade e protagonismo: o de José Albino Pohlmann.

Chegado a Cachoeira aos três anos de idade, oriundo de Santa Clara, interior do atual município de Taquara, onde nasceu em 18 de junho de 1868, José Albino, ou somente Albino, como ficou mais conhecido, veio com os pais e irmãos para Cachoeira. Era filho de João Frederico Pohlmann e de Emilia Ritter Pohlmann. O pai, que foi dono do primeiro engenho de descascar arroz, localizado na Rua Sete de Setembro, onde também funcionava uma oficina mecânica, foi seu instrutor. Os conhecimentos que adquiriu e que lhe propiciaram o pioneirismo em engenhocas e técnicas foram frutos do grande interesse e curiosidade que tinha. Um autodidata, em 1922 foi diplomado como engenheiro mecânico eletricista pela Congregação de Escolas Livres de Engenharia do Rio de Janeiro, depois de ter defendido tese. Que tese teria sido esta?  Certamente discorria sobre suas bem sucedidas experiências com motores ou energia elétrica.

Em 1892, “com apenas parcas ferramentas, suas mãos e um cérebro privilegiado”, como discorreu O Commercio em sua necrologia, Albino construiu integralmente a primeira máquina a vapor no município – e talvez no Sul do Brasil! Esta máquina, um pequeno motor, foi envolto por “um casco metálico e singrou garbosamente as águas do Jacuí.” Este pioneiro motor, uma raridade, foi doado anos atrás ao Museu Municipal. Depois da experiência exitosa com o barquinho movido a motor, a que ele deu o nome de “Caçador”, Albino projetou outros maiores, com capacidade para transportar entre 15 e 20 pessoas, destinados a realizar passeios aos pontos próximos à cidade, como o Capão Grande, Capané, Charqueada e Irapuá. Foram de sua fabricação o vapor “Recreio” e as lanchas “Primavera”, “Audaz” e “Salácia”.

Em 1898, quando a eletricidade no Brasil era uma experiência quase desconhecida, Albino Pohlmann já havia construído em Cachoeira um dínamo. Em 1901, com um dínamo um pouco maior, iluminou o adro da Matriz para uma festa do Divino Espírito Santo, da qual era festeiro João Jorge Krieger. Depois desta primeira experiência, todas as festas religiosas e cívicas, se realizadas à noite, contavam com a habilidade e presteza de Albino.

Igreja Matriz - Fototeca Museu Municipal

Em 1900, unicamente por sua engenhosidade e interesse, fabricou seu primeiro motor com explosão interna. Naquele mesmo ano montou as máquinas do jornal O Commercio. Por ocasião da notícia de sua morte, dada em edição daquele jornal de 23 de julho de 1947, a redação assim referiu:

Albino Pohlmann também montou as máquinas deste jornal, das quais muitas peças foram por ele fabricadas. Estas linhas foram impressas na máquina que montou há 48 anos e que ainda existe como consequência da sua dedicação. Sempre tratou-a como se fosse a menina de seus olhos.

Tipografia d'O Commercio, Rua Sete de Setembro - Coleção Claiton Nazar

Em 1901, um dos seus dínamos iluminou o Teatro Municipal para que ali passasse o primeiro filme.     E depois disso, organizou uma empresa cinematográfica em Rio Grande e abriu em Cachoeira, em sociedade com o irmão Renoardo, o Cinema Familiar, na Praça das Paineiras (José Bonifácio). Renoardo, que era fotógrafo, utilizava aparelhos fotográficos construídos por Albino.

Cinema Familiar - Fototeca Museu Municipal

Contam-se em muitas as invenções e novidades apresentadas por Albino Pohlmann. No ano de 1898, acompanhado por Jorge Franke, Hugo e Walter Gerdau (os fabricantes dos famosos móveis Gerdau), fez a introdução da bicicleta em Cachoeira, o que ensejou, por eles, a fundação do Clube de Ciclistas.  O primeiro automóvel chegado em Cachoeira, de Eurípedes Mostardeiro, foi “guiado” por ele e pelo irmão Waldemar.

Primeiro automóvel, de Eurípides Mostardeiro
- no verso da foto consta o nome de Waldemar Pohlmann, irmão de Albino
- Acervo Família Vieira da Cunha

Mas sua entrada na história se deu através das lavouras de arroz, para as quais empregou 32 anos de sua vida. O início foi em 1888, quando auxiliou o pai na montagem do primeiro engenho de arroz da cidade. Naquela ocasião, teria inventado um separador de arroz largamente empregado depois em outros estabelecimentos do gênero. Nunca tirou patente deste invento e, pelo contrário, ensinava os interessados a fabricá-lo. 
Em 1906, levou a mecanização a várias lavouras, garantindo o pioneirismo de Cachoeira na irrigação.

Por ocasião das obras de distribuição de água da segunda hidráulica, José Albino Pohlmann foi guindado à chefia dos serviços de águas e esgotos da Intendência, nela atuando até 1937.

Sua morte, em 19 de julho de 1947, ensejou uma bela reconstituição de seus feitos, porém o seu rosto ainda segue desconhecido...

domingo, 2 de julho de 2017

Série História do Cinema em Cachoeira: o CINEMA FAMILIAR

A história do cinema em Cachoeira é muito rica. Desde 1909, quando a primeira casa do gênero – ou próxima do que viria a ser o cinema – abriu as portas com o nome de Cinema Parque, vários empreendimentos envolvendo a exibição de imagens ditas cinematográficas começaram a surgir.

Se o primeiro cinema de Cachoeira foi o Cinema Parque (1909), que depois mudou o nome para Cinema Recreio Cachoeirense, o segundo a abrir as portas ao público surgiu de um investimento dos gênios da mecânica, irmãos Albino e Renoardo Pohlmann, que batizaram o novo ponto de diversão como Cinema Familiar, talvez aludindo à característica de sociedade familiar. A primeira sessão ocorreu em outubro de 1910.

Localizado na Praça José Bonifácio, em terreno que fazia canto com a Rua Andrade Neves e fronteiro à movimentada Avenida das Paineiras (Rua Sete de Setembro), deve ter chamado a atenção da florescente Cachoeira daquele início do século XX. Oferecia 360 cadeiras numeradas, seis camarotes, bancadas e palco, tudo iluminado à luz elétrica. Aliás, recurso que os irmãos Pohlmann dominavam como poucos, afinal as primeiras experiências com este tipo de energia tinham sido protagonizadas por eles em 1901, na Praça da Conceição, em um festejo religioso. A luz elétrica só seria instalada na cidade – e provisoriamente – em janeiro de 1912! Então, era uma atração a mais!

Em setembro daquele ano de 1910, a cidade já se mostrava curiosa com a novidade que os irmãos Pohlmann preparavam, e o jornal O Commercio, em sua edição do dia 21, comentava:

Sob a direção do engenheiro da Intendência, Dr. Hans von Hof, está sendo ajardinada a Praça José Bonifácio, em cujos lados Sul e Leste já existem canteiros de vários feitios, ornados de pés de flores e arbustos. No ângulo Sul, defrontando com a Rua Sete de Setembro, nessa quadra bastante movimentada, eleva-se um elegante pavilhão destinado a exibições cinematográficas e ali mandado construir pelos operosos irmãos Pohlmann. Logo que esteja funcionando essa casa de diversões, que será inaugurada sábado ou domingo próximos, e cuja moderna fachada merece foros de cidade por sua aprimorada arquitetura, maior animação se produzirá ainda no aformoseado sítio já de muito preferido pelo povo para seu recreio. Ao ângulo Sul, bem no vértice, divisa-se, como uma espécie de gruta, um gracioso quiosque a vitalizar também com o seu leve comércio de teteias e guloseimas essa pequena zona do cruzamento da Rua Sete com a travessa Andrade Neves.

Como se vê, a movimentação em torno do empreendimento estava a causar boas impressões e a atiçar a curiosidade de todos, demonstrando o acertado investimento dos “operosos” irmãos Pohlmann. A escolha do ponto da nova casa de cinema, pelo conjunto de atrações que continha, foi um acertado negócio.

O Cinema Familiar ainda trazia outra novidade: era coberto por pano que media 29,70 metros por 16,20, contrastando com o seu antecessor, que funcionava ao ar livre e dependia do tempo bom para poder funcionar. O certo é que os irmãos Pohlmann inauguraram um ponto que por mais de vinte anos seria tradicionalmente de cinema.

O Cinema Familiar e sua "moderna fachada", conforme noticiava O Commercio
-
Fototeca Museu Municipal

Em 1912, a sociedade administradora do cinema passou para Pohlmann & Moser, sem troca do nome fantasia. Segundo publicação do jornal Rio Grande, de 7 de março, o Cinema Familiar, sob a nova administração, iria passar por uma reforma radical, com cobertura, alargamento de palco para acomodação de cenários, aumento do número de camarotes e da plateia. O teatro seria fechado no inverno, podendo ser aberto no verão, e ventiladores seriam instalados.

Pohlmann & Moser tinham planos de investir mais em teatro, razão das reformas que visavam atender companhias líricas e dramáticas. Enquanto aconteciam as reformas, as sessões cinematográficas não ficaram interrompidas.

Todas as melhorias no Cinema Familiar não garantiram a permanência de Renoardo Pohlmann e Felippe Moser no negócio. Em outubro de 1912 eles venderam a existência do cinema para a Empresa Figueiró, nascendo então o Cinema Coliseu Cachoeirense. Mas esta já é outra história!

sábado, 24 de junho de 2017

Ossada humana pelas ruas

Há 50 anos, quando a Igreja Matriz passava por uma de suas mais radicais reformas, com grande retirada de material do templo, a Prefeitura Municipal resolveu aproveitar parte do entulho para encascalhar algumas das ruas sem calçamento. A questão é que o entulho estava cheio de um elemento para lá de bizarro: ossos humanos!

Ao terem início os trabalhos de encascalhamento, logo os moradores das ruas em obras se deram conta dos funestos resíduos e começaram as reclamações. O Jornal do Povo estampou, na primeira página de sua edição do dia 24 de setembro de 1967, a seguinte manchete: PREFEITURA ESTÁ DISTRIBUINDO OSSADA HUMANA PELAS RUAS. 

Eis o conteúdo da notícia:

A afirmação é verdadeira e tem gerado  inúmeras reclamações. Ocorre que a Prefeitura vem aproveitando o entulho retirado da Igreja Matriz, para encascalhar algumas ruas da cidade. E, como no local de nosso tradicional templo religioso já existiu um cemitério é natural a presença de ossos humanos entre o entulho que dali vem sendo retirado pelos caminhões da Prefeitura.
O que não é natural é que a ossatura humana venha sendo espalhada pelas ruas, ferindo a sensibilidade cristã do povo cachoeirense. O fato se torna tanto mais inconcebível num país como o nosso, de arraigados sentimentos religiosos, a ponto de se opor à política da cremação de cadáveres.
Enquanto os nossos clero, governo e legisladores se opõem obstinadamente à cremação, a Prefeitura, calcando sobre os pés toda uma gama de arraigados preconceitos, se encarrega de espalhar ossos humanos pelas ruas da cidade. (Coleção do Jornal do Povo – Acervo de Imprensa do Arquivo Histórico).

Praça Dr. Balthazar de Bem - década 1960 - Fototeca Museu Municipal

A notícia segue citando o caso de um açougueiro que morava a uma quadra da Avenida Brasil que, em razão da existência de ossos humanos nas proximidades de seu açougue, vinha perdendo a freguesia, que se recusava a adquirir carne em seu estabelecimento. Também um morador da Vila De Franceschi estava revoltado com o grande número de ossos humanos depositados em frente à sua residência.

A situação vivida em 1967 não foi a primeira do gênero. Em 1890, obra feita pela comissão administrativa do município, na Praça da Conceição (atual Praça Dr. Balthazar de Bem), causou inquietação nos moradores das redondezas, de forma que os membros da dita comissão solicitaram ao delegado de polícia, Olympio Coelho Leal, que ordenasse o emprego dos presos da cadeia na remoção da ossamenta. A grande quantidade de ossos que surgiu com as obras se devia ao fato de ter sido aquela praça, em tempos passados, parte do grande cemitério que rodeava a Igreja Matriz.


Olympio Coelho Leal - delegado de polícia

Antiga Igreja Matriz - Fototeca Museu Municipal

Como se vê, nossa história também oferece páginas bizarras!

domingo, 11 de junho de 2017

A maxambomba

Um curioso mecanismo instalado no antigo porto de Cachoeira atrai até hoje o interesse das pessoas: a maxambomba. Não só pelo nome estranho – e pouco usual – mas principalmente pelas funções que tal mecanismo desempenhava, assim como quem foi o engenhoso empreendedor de tal novidade.

Antes de tudo é necessário definir a origem da palavra maxambomba, uma corruptela do termo inglês machine pump. A maxambomba é um trole que serve para carga e descarga de mercadorias em uma embarcação. No caso da maxambomba de Cachoeira, a ideia de sua utilização era o de facilitar o carregamento e descarregamento de mercadorias vencendo o terreno em declive no trecho final da Rua Sete de Setembro, que desembocava no rio Jacuí.

O idealizador e responsável pela instalação da maxambomba foi o industrialista Jacob Scheidt, no ano de 1918. O jornal O Commercio (Cachoeira, 1900-1966) assim deu a notícia em 10 de abril daquele ano:

Desde a semana finda começou a trabalhar a maxambombam (máquina a vapor) que o operoso industrialista, nosso amigo Jacob Scheidt, mandou colocar à margem esquerda do Jacuí, próximo ao extremo sul da Rua Sete de Setembro. 

Como é sabido, a praia do Jacuí fica no extremo sul da Rua Moron, sendo a última quadra de um declive fortíssimo, trecho calçado de pedra bruta e que os carroceiros práticos denominaram de “mata-burro”, tal o sacrifício com que os animais vencem a subida, com a carroça carregada. Enquanto sobe, o carroceiro precisa observar, com a máxima atenção, se os animais estão todos puxando a um tempo, sob pena de se estragar, pelo excesso de esforço, um que esteja a forcejar isolado. Assim mesmo, com toda a cautela, os burros duram, no máximo, de três a quatro anos, quando trabalham ininterruptamente naquele ponto. Esse inconveniente ficou removido com o louvável empreendimento do Sr. Jacob Scheidt, pois no lugar em que está situada a maxambomba o barranco é alto (da altura da Rua Sete, naquele ponto). 

Grande concentração de carroças na subida do porto de Cachoeira
- foto reproduzida por Robispierre Giuliani


Vista do grande declive da rampa do porto - fototeca Museu Municipal

As cargas são puxadas do barranco do rio em carros que comportam de 30 a 40 sacos sobre dois trilhos e enquanto um carro sobe, cheio, vai descendo o outro, vazio, para carregar de novo. 

Além da casa para a máquina, o Sr. Scheidt mandou construir vastos armazéns para depósito de cargas, o que muito favorecerá o comércio e as indústrias locais. A montagem dos maquinismos e seus acessórios, bem como a construção dos armazéns já estavam construídos há meses, não tendo sido os trabalhos inaugurados antes, porque a falta de água não permitia a navegação no Jacuí. A inauguração desse serviço causou uma impressão muito agradável, e é de esperar que ao Sr. Scheidt não falte o apoio que bem merece a sua ideia progressista. (Extraído de O Commercio, 10/4/1918, acervo de imprensa do Arquivo Histórico).

A maxambomba foi administrada por Jacob Scheidt até novembro de 1919, quando a Companhia Jacob Becker, de navegação, com sede em Porto Alegre, adquiriu-a por 140 contos de réis. Além da maxambomba propriamente dita, entraram no negócio o terreno em que ela estava assentada e o armazém de madeira. Com a aquisição, a Companhia pretendia ampliar o armazém e fazer melhoramentos no plano inclinado, cujos suportes de madeira seriam substituídos por pilares ou arcos de alvenaria, com cobertura em todo o percurso do trilho, de modo que o trabalho não necessitasse ser interrompido com o mau tempo.

Há um filme retratando Cachoeira na década de 1930 que mostra a maxambomba em funcionamento. Confira no link a seguir.


sábado, 27 de maio de 2017

As graças da Virgem sobre o Netuno

A Igreja Matriz de Cachoeira já havia sido consagrada a Nossa Senhora da Conceição muito antes do dogma da Imaculada, proclamado pela Igreja Católica em 8 de dezembro de 1854*, e antes ainda da construção do templo que hoje domina o Centro Histórico. A consagração vem da criação da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Cachoeira, em 1779.

Desde a sua inauguração, em setembro de 1799, a Igreja Matriz tem passado por muitas e significativas reformas. Do original estilo colonial, com força em nosso meio muito pela natureza belicosa do território e, em razão disto, da presença de engenheiros militares, caso do Coronel João Róscio (autor do projeto), passou para o rebuscamento do barroco, fazendo desaparecer, em 1929, a estrutura simples e robusta da fachada original.

Fachada original da Igreja Matriz - fototeca Museu Municipal

A rudeza de seu aspecto oferecia poucos elementos de adorno, dentre os quais arremates trabalhados no frontispício e nas torres, três pequenas sacadas para as quais se abriam portas que encimavam as entradas frontais, um relógio na torre esquerda, um galo no alto da torre direita e uma cruz no vértice do frontão. 

Simplicidade da fachada original - fototeca Museu Municipal

Andaimes para início das obras de 1929 - fototeca Museu Municipal

Pelo projeto de Vitorino Zani, executado a partir de março de 1929, ricos elementos de adorno de inspiração barroca cobriram a fachada, as torres foram erguidas e rebuscadas e o frontispício recebeu a imagem de Nossa Senhora.

Andaimes cobrem o templo - acervo Osni Schroeder

Torres e frontispício concluídos - acervo Osni Schroeder

As obras se estenderam de março, quando foram erguidos os andaimes, até o final daquele ano de 1929, sendo solenemente inauguradas no dia 29 de dezembro. E, como símbolo da nova era que o esplendor das modificações conferiu ao templo, no topo do frontispício, foi assentada a imagem da Virgem Maria, ou da Imaculada Conceição, ou da Medianeira, ou da Senhora das Graças, ícone da devoção católica, em contraponto – quem sabe – ao Netuno do topo do Château d’Eau. O fato é que o Netuno e a Virgem, desde então, encaram-se mútua e disfarçadamente... Ela derrama graças sobre ele que, por sua vez, protege-a dos raios e descargas com a força de seu tridente. 

Netuno e Nossa Senhora - foto Renato F. Thomsen
pontedepedra.blogspot.com.br

*Dogma da Imaculada Conceição: proclamado pelo Papa Pio IX em 8 de dezembro de 1854, declarando a santidade da Virgem Maria desde a sua concepção, ou seja, ela já foi concebida pura, livre da mancha do pecado original.

sábado, 13 de maio de 2017

Abolição na Charqueada

Existem datas que são guardadas na memória desde os tempos dos bancos escolares, quando ainda era usual no estudo da história fixar os acontecimentos no tempo, com dia, mês e ano, e associá-los a personagens. Assim, a cada 13 de maio vem à memória a assinatura da lei áurea e a figura da Princesa Isabel, símbolo do rompimento formal, em 1888, do ciclo desumano que foi a escravidão.

Lei Áurea assinada pela Princesa Isabel - 13/5/1888
- InfoEscola

A propaganda abolicionista ganhou corpo a partir de 1884, espalhando-se pelas cidades e atraindo principalmente jovens também partidários da ideia da república. A luta pela libertação dos negros cativos ganhou vozes poderosas, principalmente no jornalismo.

Em Cachoeira, a propaganda também se fez forte e chama a atenção uma notícia veiculada no jornal A Federação, de Porto Alegre, órgão do Partido Republicano, no dia 10 de outubro de 1884, que revela estar a Charqueada do Paredão prestes a conceder a liberdade a seus 58 escravos. É importante registrar que a Charqueada era, à época, a mais poderosa empresa da cidade e maior contribuinte dos cofres municipais. A sua mão-de-obra devia ser majoritariamente constituída de escravos e libertá-los foi um ato de vanguarda e digno de admiração.

Negros empregados na Charqueada - fototeca Museu Municipal

A notícia, intitulada Abolição na Cachoeira, diz o seguinte:

Segundo nos informou um amigo, é já uma feliz realidade a promessa que fez a importante firma social Viúva Claussen & Cia. relativamente à libertação dos 58 escravos que possuía na Charqueada do Paredão. O Sr. Claudio Bodé, que faz parte da firma e é o gerente da casa estabelecida no Rio Grande, foi propositalmente a Cachoeira conceder as liberdades prometidas, registrando as respectivas cartas no cartório do tabelião Peixoto.

Os novos libertados ficarão sujeitos à prestação de serviços durante tempo determinado, com direito, porém, a um salário razoável.

São hoje, portanto, homens verdadeiramente livres, pois, não obstante o ônus de serviços a que estão obrigados, têm uma justa remuneração pelo seu trabalho.

É digno de seguir-se o grande ato que acabam de praticar os manumissores* sócios da firma Viúva Claussen & Cia.

Provam reconhecer e saber cumprir o dever que lhes impõe a moral de não exercerem o direito de propriedade sobre o seu semelhante, reconhecido e garantido infelizmente pelas nossas leis; e ao mesmo tempo que procuram assegurar a sorte dos beneficiados com a outorga da sua liberdade, dão-lhes trabalho mediante salário, conseguem também braços que mantenham e façam prosperar o seu estabelecimento industrial.

Sem este emprego os libertos, de posse de sua liberdade, ver-se-iam talvez sem abrigo, sem uma colocação capaz de ministrar-lhes os meios de subsistência, lutariam bastante para encontrar trabalho, esse elemento indispensável na vida social a todos os homens.

Se conseguirmos uma minuta das cartas de liberdade dadas pela Viúva Claussen & Cia. aos seus escravos empregados no estabelecimento do Paredão, a reproduziremos como um aviso aos interessados, isto é, aos charqueadores de Pelotas.

Aos distintos sócios daquela firma, com especialidade ao Sr. Claudio Bodé, enviamos as nossas cordiais saudações. (Jornal A Federação, 10/10/1884, p. 2).

Chama atenção na matéria o quanto o jornalista valorizou o ato dos administradores da Charqueada, ressaltando nele a previdência de associar à liberdade os meios para que os escravos conseguissem sua subsistência, clara indicação de que as ideias abolicionistas demonstravam preocupação com o futuro dos libertos e que a "propaganda" não era uma mera bandeira, mas fruto de uma discussão profunda e amadurecida.

*Manumissores: os que concedem a alforria legal de um escravo.

sábado, 15 de abril de 2017

Os 105 anos do Bairro Rio Branco

Em abril de 1912, a imprensa noticiava que as obras para acesso ao futuro Bairro Rio Branco estavam em curso. Constavam de nivelamento do terreno, especialmente nas imediações das linhas da viação férrea, do prolongamento da Rua Moron em direção ao Norte, tomando o nome de Rua Marechal Floriano, e igualmente da Rua 15 de Novembro, recebendo a via o nome de Comendador Fontoura.

Tomada da cidade a partir do novo Bairro Rio Branco
- cartão-postal atribuído a Benjamin Camozato - sem data
- retocado por Ronaldo Bastos


Um dos primeiros cidadãos a adquirir terreno no loteamento feito pela Intendência foi Augusto Wilhelm, mais especificamente na então recém-aberta Rua Comendador Fontoura. Pois Augusto trataria de construir logo uma residência para sua família naquele logradouro, constituindo-se um dos primeiros a erguer casa no novo bairro.

Augusto Wilhelm - fototeca Museu Municipal
      
A casa de Augusto chegou até nossos dias conhecida por Villa Minssen. Mas originalmente ela se chamava Villa Adolfina, em homenagem à esposa de Augusto, Adolfina Moser Wilhelm. Em 1926, a casa foi vendida para João Minssen, casado com Frida, sobrinha de Augusto. O negócio foi fechado por 30 contos de réis, mostrando a rápida valorização que o bairro teve. Quando a Intendência adquiriu de Maria Egypcia da Fontoura a área para abrir o novo bairro, em julho de 1911, o desembolso por cerca de 200.000m2 foi de 5 contos de réis!

Villa Minssen - foto Claiton Nazar

Em sua edição do dia 6 de agosto de 1913, o jornal O Commercio noticiava que o primeiro prédio de custo elevado no “futuroso Bairro Rio Branco” foi o de Augusto Wilhelm. A qualidade da construção, o estilo, a localização e a extensão do terreno justificam o expressivo valor de sua venda 13 anos depois da conclusão. Com a aquisição, João Minssen trocou o nome inscrito no frontão para Villa Minssen.
         
Em 2017, quando a casa chega aos 104 anos, a grata notícia de seu restauro pela família de João Scheidt garante que o Bairro Rio Branco, além da condição de primeiro bairro planejado, agregue aos traços sócio-culturais que carrega a preocupação de manter os tesouros que ajudam a contar a sua mais que centenária história.

Sacada da Villa Minssen - foto reschmidt.blogspot.com

Villa Minssen pronta para o restauro - foto Jornal do Povo
      
Nota: o decreto n.º 125, de 7 de abril de 1912, denominou o loteamento aberto pela Intendência de Bairro Rio Branco.

sábado, 1 de abril de 2017

O Château d'Eau e o R2

Três dias antes da inauguração do Château d’Eau, que ocorreu em 18 de outubro de 1925, o então administrador do município, o vice-intendente João Neves da Fontoura, fez uma apresentação ao Conselho Municipal das obras de saneamento da cidade, com demonstração do investimento e descrição dos principais monumentos que compunham o sistema de distribuição de água da segunda hidráulica:

Dr. João Neves da Fontoura - vice-intendente em exercício - 1925
- fototeca Museu Municipal

“O Château d’Eau, situado no largo da Praça Dr. Balthazar de Bem, defronte ao edifício da Municipalidade, acha-se também concluído, apresentando belo aspecto arquitetônico, concorrendo muito para o embelezamento da cidade.

Château d'Eau e Igreja Matriz entre 1925 e 1929
- fototeca Museu Municipal

A parte arquitetônica foi projetada pelo engenheiro Walter Jobim e a parte de cálculo e estabilidade pelo engenheiro-chefe da Comissão de Saneamento do Estado, Dr. Antonio de Siqueira. As obras de escultura, constante de estátuas e grupos de ninfas e sereias que circundam o Château d’Eau foram executadas nas oficinas de Vicente Friedrichs, de Porto Alegre, sob a direção do professor Giuseppe Gaudenzi.


Château d'Eau recém-construído
- fototeca Museu Municipal

O fim deste Château d’Eau é o de levar a água por gravidade ao reservatório de distribuição à Rua Dr. Júlio de Castilhos, e regular ao mesmo tempo a pressão da água nas zonas mais elevadas.

Reservatório R2

Reservatório R2 - Coleção Joaquim Vidal

Ajardinamento do R2 - Coleção Joaquim Vidal

O R2 quase concluído - Coleção Joaquim Vidal

Esta é a denominação do grande reservatório construído à Rua Júlio de Castilhos, em terrenos comprados à sucessão de Juvencio Pillar Soares.

Esta obra, construída toda de cimento armado, está também terminada, faltando apenas a colocação da balaustrada e pequenos trabalhos de ornamentação, que em nada prejudicam o seu regular funcionamento.

Tem esse reservatório a capacidade de. 1.480 metros cúbicos e serve para abastecer d’água a zona média e parte da zona baixa do projeto do Dr. Saturnino de Britto.

Prevendo o desenvolvimento futuro da cidade, na câmara de manobras do reservatório já ficou espaço necessário para a instalação das bombas e encanamentos precisos que deverão elevar a água à zona alta da cidade, isto é, para o reservatório que deverá então ser construído nas proximidades do Cemitério Municipal.

(...)

Para encher ambos os compartimentos do Reservatório R2, acima referido, as bombas precisam trabalhar durante oito horas e a água ali armazenada será suficiente, então, para o consumo de 60 horas, ou sejam dois dias e meio.

Como se vê, o autor do projeto, Dr. Saturnino de Britto, uma das maiores notabilidades da engenharia sanitária no Brasil, previu amplamente o desenvolvimento futuro da nossa urbe.”


Fonte: Relatório apresentado ao Conselho Municipal pelo Vice-Intendente em exercício Dr. João Neves da Fontoura, em sessão de 15 de outubro de 1925 (IM/GI/AB/Re-005, pp. 15 e 16 - acervo documental do Arquivo Histórico).

A grande obra concluída por João Neves da Fontoura (havia iniciado ao tempo do Capitão Francisco Fontoura Nogueira da Gama, a quem João Neves sucedeu por motivos de saúde) ainda hoje encanta a todos. O Château d'Eau está desativado e não cumpre mais sua função de reservatório de água, mas o R2, no centro da Praça Borges de Medeiros, ainda abastece boa parte da zona alta da cidade. 

Tal qual Saturnino de Britto, também João Neves da Fontoura voltou os olhos para o futuro.

segunda-feira, 27 de março de 2017

As dimensões do Château d'Eau


Château d'Eau - 25/3/2017 - ato de entrega do restauro
- foto Renato F. Thomsen
No dia 25 de março de 2017, o Château d'Eau foi reaberto à comunidade, depois de 10 meses de processo de restauração. Naquele dia, tive a honra de representar o Conselho Municipal do Patrimônio Histórico-Cultural - COMPAHC em pronunciamento de saudação ao retorno de nosso principal cartão-postal à sua magnitude. Eis o discurso proferido na ocasião:  

Foto Renato F. Thomsen
                                                                                                            
A DIMENSÃO SIMBÓLICA. Muitos de nós sabíamos da dimensão simbólica do Château d’Eau, das mensagens subliminares que ele continha enquanto monumento em interação com o seu entorno, com a história e o povo de Cachoeira do Sul. Mas estávamos cegos e surdos... As camadas do tempo e da falta de cuidado encobriram a sua capacidade de dialogar conosco. Ou nós, obtusos, perdemos a sintonia com ele... Seu estado fez com que adquiríssemos um certo constrangimento de apresentá-lo aos visitantes, cartão-postal que sempre foi, e as fotos que registravam nossos melhores momentos passaram a buscar ângulos favoráveis.

A DIMENSÃO HISTÓRICA. 91 anos de história perpassam gerações. As primeiras, testemunhas da construção e inauguração do Château d’Eau em 1925, experimentaram a beleza do monumento em sua condição de recém-construído,  vivenciaram a movimentação dos operários, dos engenheiros, dos técnicos que realizaram o milagre da distribuição de água para um maior número de casas, ampliando a área atingida. Devem ter sentido a emoção de ver a colocação do deus Netuno, com seu tridente, dominar os céus e as ninfas que em torno dele se assentaram. Obras do mestre Giuseppe Gaudenzi executadas por João Vicente Friedrichs. Sua chegada, provavelmente na Estação Ferroviária, em grandes caixas de madeira protegidas de palha, não passaram despercebidas. Tais figuras mitológicas passaram a habitar o cotidiano, remetendo à antiguidade e aos mistérios de deuses e sábios do passado. Hoje nos surpreendemos o quanto de tempo, conhecimento e visão de futuro Walter Jobim, o engenheiro responsável pela parte arquitetônica da obra, e Antônio de Siqueira, pelos cálculos e estabilidade, empregaram para planejar este fascinante monumento. E somos levados a pensar que a funcionalidade do passado podia ser expressa em simbologia e beleza e que para isto era preciso domínio de técnicas sofisticadas em um mundo ainda com pouca tecnologia. Mas com o distanciamento temporal, assim como a estrutura física, também a relevância histórica precisa ser restaurada e repassada às gerações que não testemunharam o seu surgimento.

A DIMENSÃO DA RECUPERAÇÃO. A contemplação do Château d’Eau agora, em semelhante aspecto de quando foi inaugurado há quase 92 anos, nos leva a crer que assim como enquanto pessoas temos a capacidade de recuperar nossa auto-estima, também os monumentos, especialmente aqueles que traduzem o nosso meio, a nossa cultura e a nossa cidadania, ao serem restaurados em sua estrutura conferem à cidade a condição de reencontrar-se com sua história e tomar partido dela para acreditar em desenvolvimento, em superação e em um futuro de novas conquistas. O mestre Antônio Sarasá, protagonista do restauro do Château d’Eau, promoveu em cada um de nós, de acordo com a  capacidade de entendimento individual, uma espécie de comunhão entre a  materialidade do monumento e sua simbologia. E, por nossa conta, fomos além: não conseguimos mais dissociar a harmonia e a grandiosidade dos elementos que compõem o nosso centro histórico. Paço, Château d’Eau e Catedral são a expressão máxima do quanto a civilidade, o empreendedorismo e a visão prospectiva marcaram os movimentos dos nossos antepassados, ditando o presente e o futuro.

A DIMENSÃO DO AGRADECIMENTO. 25 de março de 2017. Dia de celebração e de agradecimento. À CORSAN – Companhia Riograndense de Saneamento, patrocinadora do restauro e ao Estúdio Sarasá, executor das obras, destacando Antônio Sarasá e sua equipe de operários, cuja interação com a comunidade foi especial;  ao Executivo Municipal em sua gestão anterior e atual; aos colegas conselheiros do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico-Cultural – COMPAHC, aos cidadãos voluntários pela preservação do patrimônio histórico e muito especialmente, in memoriam, a Nelda Scheidt e seu excepcional olhar sobre o Château d’Eau. Nelda, onde estiveres, ele voltou a realçar tudo aquilo que o teu olhar nos fez enxergar. E como agradecimento combina com pedido: Senhor Presidente da CORSAN, o Château d’Eau em sua funcionalidade trabalhava em conjunto com outra maravilha arquitetônica de nosso patrimônio: o reservatório enterrado da Praça Borges de Medeiros. Olhe por ele, ouça seu pedido de socorro e atenda-o.

A DIMENSÃO DA RESPONSABILIDADE. O COMPAHC, criado em 1981, sentia-se responsável e era cobrado como tal pela recuperação dos bens do nosso patrimônio histórico e tomou para si o compromisso de buscar meios de trazer o Château d’Eau de volta à condição de nosso principal cartão-postal, atendendo a cobranças da própria comunidade. Muitas reuniões de discussões, de estudos, de levantamento de patologias e análises de problemas estruturais foram realizadas. Alguns conselheiros, especialmente os que possuíam conhecimento técnico, ofereceram seus préstimos para que chegássemos ao dia de hoje. E agora que recebemos de volta o nosso ícone, joia preciosa do tesouro urbano, caberá a cada um de nós zelar pela sua integridade e entendê-lo como documento afirmativo de uma verdade: povo que guarda seu passado não perderá jamais a sua identidade.

Em nome do corpo de conselheiros do COMPAHC, meu muito obrigada! A vivência deste momento já o tornou inesquecível!

Cachoeira do Sul, 25 de março de 2017.

Mirian R. M. Ritzel,

Vice-presidente do COMPAHC.

Foto Renato F. Thomsen

No mesmo ato, o Château d'Eau foi declarado patrimônio histórico-cultural do Rio Grande do Sul, sendo tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado - IPHAE, quando o Secretário de Estado da Cultura,  Vitor Hugo, acompanhado pela presidente do IPHAE, Míriam Sartori Rodrigues, assinaram com o prefeito e outras testemunhas a portaria de tombamento.

Secretário de Estado da Cultura, Vitor Hugo, prestes a assinar o tombamento do Château d'Eau
- foto Renato F. Thomsen

Para assistir ao pronunciamento, clique no link abaixo. Agradecimento a Renato F. Thomsen:

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