Espaços urbanos

Espaços urbanos
Igreja Santo Antônio - foto Mário H. Kämpf

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Cachoeira do Sul

   Um decreto estadual assinado no dia 29 de dezembro de 1944, sob n.º 720, denominou a cidade de Cachoeira como Cachoeira do Sul.
   O decreto disciplinava uma determinação do Presidente Getúlio Vargas de que nenhum município brasileiro poderia ter o mesmo nome de outro.

Postal do tempo em que nos chamávamos apenas Cachoeira
Postal de quando já éramos Cachoeira do Sul
   Para definição do novo nome foi criada uma comissão de estudos, integrada dentre outros pelo Dr. João Minssen, que acolheu várias sugestões, sendo Itapeva e Itaipava dois dos nomes indicados. A escolha, afinal, recaiu sobre acrescentar a expressão "do Sul" ao nome Cachoeira, prática que aliás se tornou comum para outros municípios, como Santa Cruz do Sul, Caçapava do Sul e tantos mais.
   Cachoeira tinha como homônima uma cidade no Estado da Bahia, mais antiga do que a nossa, critério que lhe deu o direito de conservar o nome original.

(Postais da fototeca do Museu Municipal)

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Ecos da inauguração do Teatro Municipal...

            A Intendência Municipal convidou através dos jornais O Comércio e O Governo, respectivamente dirigidos por Henrique Möller Filho e Irineu Ilha, toda a população e autoridades para se fazerem presentes aos atos de inauguração do Teatro Municipal, no dia 25 de dezembro de 1900, a partir das 18h30 da tarde.            
      Na hora marcada, houve apresentação da Banda Musical Estrela Cachoeirense, espetáculo pelo qual a Intendência Municipal pagou 60 mil réis. Às 19h, a Loja Maçônica Progresso Municipal promoveu uma sessão magna aberta à comunidade, sendo o convite também publicado no O Comércio, assinado por uma comissão composta dos maçons João Jorge Krieger, José Antonino Leitão, Amilcar Ferrari, Leopoldo Masson Sobrinho e Claudiano Moura.

      Da mesma forma o Presidente do Conselho Municipal convidava através das páginas daquele mesmo jornal a todos os conselheiros, e povo em geral, para a sessão extraordinária de inauguração, às 19h, no recinto do novo edifício.


      Muitas outras informações interessantes sobre o nosso Teatro Municipal constam da documentação preciosa do Arquivo Histórico, fonte destas notas. Constam na documentação recibos de pagamento do pessoal envolvido na construção, cujo contratante era Miguel da Cunha Paiva, editais de concorrência para exploração do Botequim do Teatro, sendo uma das propostas a de Ernesto Pertille, em 1901, solicitações diversas de uso do edifício para apresentações dramáticas beneficentes a obras da Igreja Matriz e do então projetado Hospital de Caridade, no ano de 1907, e muito mais.
      Preservar documentos é preservar a história. Ou melhor, é dar futuro ao passado.
 Fonte: Arquivo Histórico do Município       

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

25 de dezembro de 1900 - inauguração do Teatro Municipal da Cachoeira

       Há 111 anos, no Natal de 1900, Cachoeira inaugurava seu Teatro Municipal.
      Interessante ressaltar a importância dos teatros na vida cultural de Cachoeira – e de resto das grandes cidades brasileiras – e Cachoeira era uma delas naquele início do século XX, porque o Teatro Municipal era o segundo construído pelo povo cachoeirense. Do primeiro, inaugurado em 1830, pouca notícia se tem. A documentação administrativa do Município, resguardada e mantida pelo Arquivo Histórico, preserva a ata do dia da inauguração, 27 de abril de 1830, e traz referências ao “entremez” que foi levado à cena na noite em que o pano do palco abriu-se pela primeira vez. Sabe-se que o prédio que abrigou esse pequeno teatro permaneceu ao lado da Prefeitura, onde hoje se localizam os jardins do Paço, até o final do século XIX.
Primeiro teatro - ao lado da Intendência

      O Teatro Municipal, construído através da venda de apólices resgatáveis emitidas pela Intendência Municipal, teve como programa inaugural atividade organizada pela maçonaria, com solenidade aberta e dedicada principalmente às crianças, incluindo celebração de batizados maçônicos.

Prédio imponente, construído com esmero e detalhes arquitetônicos inspirados na cultura greco-romana, não se destinava apenas às apresentações dramáticas e, para promover seus espetáculos, muitas vezes se servia da passagem de grandes companhias de teatro vindas de Buenos Aires e outras capitais pelas estradas de ferro, posto ser então Cachoeira uma das estações da linha Porto Alegre – Uruguaiana. Sua construção também objetivava atender às necessidades culturais do povo, servindo suas instalações para reuniões diversas, salão de festas e para bailes.
Segundo Teatro, o Municipal, inaugurado no Natal de 1900
Também serviram as dependências do Teatro Municipal para as apresentações dos cinematógrafos, espécie de precursores do cinema, grande febre da aurora do século XX.
       Mas a vida do nosso Municipal estava fadada a ser breve. Já em 1902 a imprensa registrava rumores sobre a solidez do prédio. Em 1913, a municipalidade transferiu-o para o Estado que nele instalou, em 1915, o Colégio Elementar e o Fórum. Para as adaptações necessárias, foram demolidos os camarotes e o palco. Paredes foram erguidas em seu interior para acomodá-lo ao seu derradeiro destino.
Alunos defronte o Colégio Elementar - antigo Teatro
      Na década de 1960, o velho prédio do Teatro Municipal, extinto em suas funções originais e já bastante descaracterizado, foi posto ao chão. No seu lugar foi sendo construído aos poucos um prédio em estilo moderno, bem ao gosto da época, para abrigar a Escola Antônio Vicente da Fontoura.
Escola Antônio Vicente da Fontoura
      A mão do homem apagou da paisagem urbana os nossos dois teatros, tirando de Cachoeira do Sul a primazia da construção desse tipo de espaço no Rio Grande do Sul, posto desde então ocupado por Pelotas com o seu Sete de Abril, inaugurado em 1831.
Fotos: fototeca do Museu Municipal.     
      

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Dezembro...

Em dezembro Quem é Deus nasce
E o homem neste mês é um soldado
soturno sob o sol  O solista solene
entoa um Te Deum  Os meninos de
rua solfejam soluços  O mundo é um
solitário ansiando abraços solidários

Célia Maria Maciel in Campos de arroz maduro, 1995.

domingo, 18 de dezembro de 2011

"Alegria, alegria", chegou o Caderno de História n.º 7: Fritz Strohschoen!

                No dia 15 de dezembro de 2011, 152.º de elevação de Cachoeira à categoria de Cidade, o Arquivo Histórico e o Museu Municipal de Cachoeira do Sul lançaram o sétimo volume da série Cadernos de História, tendo como tema a vida do professor, advogado, contabilista e historiador Fritz Strohschoen.

                Natural de Cachoeira do Sul, nascido na Rua 7 de Setembro no dia 8 de maio de 1920, Fritz Strohschoen era filho de Ernesto Oscar e Ella Eva. Tinha quatro irmãos: Dagmar, Isolde, Oscar e Lia.
                Fez seus primeiros estudos no Colégio Alemão-Brasileiro, hoje Sinodal Barão do Rio Branco, e depois no Colégio Roque Gonzales, hoje Marista Roque. Depois se transferiu para Porto Alegre, ingressando no Colégio Rosário. Voltou da capital com os diplomas de contador e bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.
                Em sua cidade natal, trabalhou em empresa familiar, foi professor, contabilista e advogado. Ficou muito conhecido pelo ofício de historiador, tendo sido um dos mais respeitados pesquisadores da nossa história, hobby que adquiriu quando, na condição de vereador e eventualmente substituto do Prefeito, teve acesso à farta e preciosa documentação da antiga Câmara Municipal. Por suas mãos passaram os mais importantes registros históricos. Detentor de vasto conhecimento, sugeriu denominações patronímicas de ruas e auxiliou o Museu Municipal e o Arquivo Histórico em seus ofícios de levantamento e preservação da história de Cachoeira do Sul.
                Recebeu muitas homenagens em vida pela sua atuação profissional e comunitária.
                Dr. Fritz Strohschoen, casado com Olga Stallbaum, teve os filhos Marly, Mário, Mirna, Milda, Mayra e Lori.
Dr. Fritz e sua Olguinha na casa da Rua D. Pedro II

                Faleceu no dia 14 de janeiro de 2011, comovendo a sua amada Cachoeira do Sul.
                O Caderno de História sobre Fritz Strohschoen está disponível para consulta na Biblioteca Pública, Arquivo Histórico e Museu Municipal, onde também há uma exposição sobre sua vida e obra.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Parque Municipal da Cultura - 25 anos

           As comemorações dos 25 anos do Parque Municipal da Cultura neste 13 de dezembro foram exitosas. Convidados, ex-funcionários, autoridades e crianças, muitas crianças, até de outras cidades, abrilhantaram a manhã desta terça-feira e não se intimidaram com a chuva que ameaçou cair... A Banda do 3º  BECmb com seus dobrados, a bela voz de Lair Vidal, Jader Surceda e Marcelo Leite entoando nosso hino, Meu Pago, e Terra Planeta Água foram momentos de emoção. Muita pipoca, minibolos e a alegria das equipes do Museu Municipal e do Jardim Botânico e Zoológico deram a tônica para relembrarmos a história deste espaço que é quase uma unanimidade entre os visitantes de nossa cidade.


            O Parque Municipal da Cultura é um desses espaços únicos, privilégio de raríssimas cidades, especialmente por reunir instituições culturais que, apesar de diferentes, se complementam pelo ambiente comum que ocupam. O Museu Municipal encontra moldura perfeita no Jardim Botânico e Zoológico Municipal e este, por sua vez, ganha grandeza ao dividir espaço com a história.


            Impossível deixar de citar nomes fundamentais no processo de criação e instalação do Parque Municipal da Cultura: Dr. Ivo Renê Pinto Garske e Dr. Nelson Schirmer, prefeito e vice-prefeito que adquiriram a área de 12.591 m2, professoras Marisa Timm Sari, então Secretária Municipal de Educação e Cultura, e Lya Wilhelm, primeira diretora do local, profissionais que tomaram para si o compromisso de conjugar natureza e história no mesmo ambiente e projetar seu futuro.

            Parabéns a todos que ajudaram a construir e consolidar esta instituição: servidores e diretores, colaboradores e amigos. Parabéns, Parque Municipal da Cultura pela proposta cultural de utilizar-se de suas riquezas para promover educação patrimonial e ambiental.
Fotos: Robispierre Giuliani

           


sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Brasão do Município de Cachoeira do Sul

                No dia 10 de dezembro de 1959 foi instituído, pela Lei Municipal n.º 809, depois alterada pela Lei n.º 2035, de 5 de dezembro de 1984, o Brasão do Município de Cachoeira do Sul que, juntamente com o hino e a bandeira, são os símbolos oficiais.
                Em setembro de 1959 foi formada uma comissão julgadora do concurso para criação do brasão. Era integrada pelo Dr. João Minssen (presidente), Prefeito Arnoldo Fürstenau, Tenente Coronel Mário Fernandes, Tenente Coronel Bóris Bromirsky e o jornalista Paulo Salzano Vieira da Cunha. O projeto vencedor foi do Tenente Geraldo da Silva Chaves, estudioso de heráldica.

                O Brasão do Município de Cachoeira do Sul consta de um escudo encimado por coroa de três torres, símbolo da elevação à categoria de cidade; de um bordão verde que forma uma orla à volta do escudo, representando a principal atividade do Município, a agricultura; no alto do bordão verde há estrelas prateadas, representando os distritos agrícolas. O escudo está dividido em duas meias partes por uma barra dourada em diagonal direita; à esquerda, contrabanda superior em fundo azul, representando a formação católica e a tranquilidade social do Município, aparecendo ainda neste espaço desenhos estilizados representativos da Igreja Matriz, ponte e queda d’água do Passo do Fandango, origem do nome de Cachoeira. Na contrabanda direita, a cor vermelha simboliza as lutas pela fixação das fronteiras; sobre o fundo carmim aparecem estilizações de uma roda dentada, em dourado, representando a indústria de máquinas agrícolas; um arado, também dourado, símbolo da agricultura primitiva dos tempos coloniais e uma cabeça de boi a representar a riqueza e o progresso da pecuária cachoeirense. O escudo é ladeado por cachos de arroz e trigo, dourados, à direita e à esquerda, simbolizando as principais culturas do Município. Ao pé do escudo, um dístico azul, em faixa branca, com o nome da cidade e a data da sua emancipação política e administrativa: 5 de agosto de 1820..
Fonte: Símbolos de Cachoeira do Sul - 5 de agosto de 1820, Gráfica Jacuí, 1986, publicação do Museu Municipal.
               

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Ponte de Pedra para o futuro

            O sentimento que tomou conta de todos nós cachoeirenses, na última quarta-feira, dia 7 de dezembro, é de júbilo e alegria: a Ponte de Pedra, monumento da nossa importância histórica, está estável! Segundo o líder do fabuloso Grupo de Recuperação da Ponte de Pedra, arquiteto Osni Schroeder, “ela aguentará mais 200 anos!”
            As pessoas que compareceram à solenidade de entrega das obras da primeira etapa da recuperação da Ponte de Pedra, organizada pelo 3º BECmb, sob o comando do Tenente Coronel Marcus Vinícius Fontoura de Melo, saíram de lá com uma certeza: a força da comunidade é um tesouro e a sua união é capaz de vencer grandes obstáculos. E os jovens soldados comandados pelo hábil Sargento Vanderlei Rauber certamente jamais esquecerão as ações que protagonizaram para que a velha Ponte de Pedra não ruísse. Cada pedra que carregaram sedimentou um conceito que talvez não tivesse ainda sido despertado em suas vidas: o da importância dos patrimônios históricos.

            A recuperação da Ponte de Pedra é o marco de uma nova era que se inicia e dá esperança de que a nossa memória e os monumentos do passado podem, sim, ocupar seu legítimo espaço no presente e garantir sua presença no futuro.
Fotos: Péricles Thiele

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

8 de dezembro - Dia de Nossa Senhora da Conceição, padroeira do Município

        D. João IV, Rei de Portugal, declarou, no ano de 1646, Nossa Senhora da Conceição como padroeira de seu reino, tornando o seu culto permanente.
       O dogma da Imaculada Conceição foi definido pelo Papa Pio IX em 8 de dezembro de 1854 pela bula Ineffabilis. Pelo dogma, foi consolidada formalmente a pureza da mãe de Jesus e a sua concepção sem pecado.
No Brasil é tradição montar a árvore de Natal e enfeitar a casa no dia 8 de dezembro. Em Cachoeira do Sul, Nossa Senhora da Conceição é padroeira do Município (o que remete às suas origens portuguesas), motivo do feriado municipal de 8 de dezembro, sendo por isto o primeiro dia de atividades da Semana de Cachoeira.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

2 de dezembro de 2011 - 65.º aniversário da Biblioteca Pública Municipal

         A Biblioteca Pública Municipal “Dr. João Minssen” foi criada pelo Decreto-Lei nº 59, em 2 de dezembro de 1946, sendo registrada no então Instituto Nacional do Livro com o número 125. A inauguração se deu em 8 de março de 1947.
         O acervo bibliográfico inicial foi formado por obras adquiridas por um grupo de rotarianos, com o apoio do então Prefeito Municipal Cyro da Cunha Carlos. O primeiro diretor foi o Dr. João Minssen, que se tornou o patrono da instituição em outubro de 1968.
Casa de Cultura - sede atual da Biblioteca Pública
e de 1960 a 1969 - foto Jorge Ritter
          Durante sua história de 65 anos, a Biblioteca ocupou vários endereços: Rua 7 de Setembro esquina Major Ouriques, onde atualmente está a agência do Bradesco, de 1946 a 1960; Rua 7 de Setembro, 1121, atual Casa de Cultura, de 1960 a fevereiro de 1969; Rua Moron, 1352, de março de 1969 a 1981, e provisoriamente em dependências cedidas pela Caixa Econômica Estadual, na Rua 7 de Setembro, atual Casa do Trabalhador, no ano de 1982, enquanto a sede da Rua Moron passava por reformas. Naquele mesmo ano, retornou ao endereço da Rua Moron esquina General Portinho, de onde saiu em 1998, retornando para o antigo endereço da Rua 7 de Setembro, 1121, Casa de Cultura Paulo Salzano Vieira da Cunha.
1.ª sede - Rua 7 de Setembro com Major Ouriques - 1946-1960
Sede da Rua Moron com General Portinho - 1969-1981

         A Biblioteca Pública Municipal oferece, além de opções variadas de leitura e consulta, incluindo acesso à Internet, vários projetos de incentivo à prática da leitura, momentos culturais, oficinas literárias, oficina de teatro e realiza anualmente a Feira do Livro de Cachoeira do Sul.
         A Biblioteca Pública Municipal “Dr. João Minssen” está vinculada ao Núcleo Municipal da Cultura e é dirigida atualmente pela Profª Jussara Bohrer Ortiz, profissional experiente pelos vários anos de atuação no setor.
          Vida longa, Biblioteca Pública! Que sigas em teu trabalho de divulgação e fomento da leitura, ilustrando as gerações!

               

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Igreja Santo Antônio

                No dia 18 de novembro de 1921 chegaram a Cachoeira os primeiros padres redentoristas. Vinham com o objetivo de fundar um convento para formação de religiosos e uma capela.
                Quando chegaram, os padres foram morar em uma pequena casa próxima da Capela de São José, defronte ao Cemitério Municipal. Depois passaram residir no Império, salão próximo à Igreja Matriz, local de realização das festas do Divino Espírito Santo.
                Logo na chegada, os padres se dedicaram à procura de local onde instalar o convento. Escolheram um terreno alagadiço no Bairro Fialho, atual Bairro Santo Antônio, oferecido pela proprietária Antoninha Fialho, com a condição de que a capela recebesse a invocação de Santo Antônio.
                Em agosto de 1927 foi inaugurado o convento e na sua sala mais ampla instalada a primitiva capela de Santo Antônio. Seis anos após, foi lançada a pedra fundamental da igreja, executada a partir de projeto de José Lutzenberger. A inauguração, em outubro de 1937, se deu mesmo com a igreja ainda não totalmente acabada.
Em 1957 foi criada a Paróquia de Santo Antônio, permanecendo sob o comando dos padres redentoristas até novembro de 1994.
            
Projeto do interior da Igreja Santo Antônio
- autor: José Lutzenberger

Vista parcial da Igreja - acervo COMPAHC


               

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Deus salve a Ponte... e quem trabalha por ela!

      A Ponte de Pedra, monumento da nossa grandeza histórica, está a salvo!
   Benditos voluntários do Grupo de Recuperação! Benditos soldados do Sargento Rauber! Magnífico 3.º BECmb com seu Comandante Melo!
    Há uma bela frase de D. Hélder Câmara que diz: “Quando os problemas se tornam absurdos, os desafios se tornam apaixonantes.”

Ponte de Pedra - 1/3/2011
Ponte de Pedra - 28/11/2011
Arco ruído da Ponte - 1/3/2011
Arco recuperado da Ponte - 28/11/2011

Fotos: Mirian Ritzel


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Procura-se... beleza na velha Praça...

     Cada vez que passo pela velha Praça José Bonifácio procuro um naco de beleza e só encontro aquela que a natureza, nesta opulenta primavera, é capaz de produzir: os jacarandás - capengas - mas sempre lindos, as  tipuanas derramando as flores nos caminhos que os varredores insistem em varrer... (Mirian Ritzel)

Jacarandás e tipuanas explodindo em flor
Jacarandá nos fundos da Fonte das Águas Dançantes
Tapete de flores das tipuanas nas calçadas da Rua 7 de Setembro
Fotos: Mirian Ritzel

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Novembro de 1857: chegada dos primeiros imigrantes alemães à Colônia Santo Ângelo

        No dia 16 de novembro de 1857 aconteceu o desembarque dos primeiros imigrantes alemães destinados para a Colônia Santo Ângelo, assentada em matos devolutos entre o Rincão do Paraíso e o Serro Agudo, local escolhido pela comissão formada pela Câmara de Cachoeira para tal fim. A destinação de colonos foi a alternativa encontrada pelo Governo Imperial para a ocupação e o desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul.
Planta da Colônia Santo Ângelo

        O grupo de primeiros imigrantes destinados à colônia de Cachoeira era proveniente da região da Pomerânia e partiu do porto de Hamburgo, desembarcando no porto de Rio Grande. De lá seguiu para Porto Alegre, de onde o vapor fluvial D. Pedro partiu conduzindo-o pelo rio Jacuí até Cerro Chato.
        Compunham o primeiro grupo as famílias de Franz Pötter, August Pötter, Julius Neujahr, Daniel Fiess, Wilhelm Holz e Peter Finger.
        A segunda leva de imigrantes chegou alguns dias depois, mais precisamente em 25 de novembro, e era composta por doze famílias: Roggenbach, Bartz, Streeck, Fenner, Leusin, Wilke, Roos, Laasch, Ritter, Seubert, Becker, Graffunder e mais o solteiro Hermann Raatz.
        A terceira leva, trazida pelo Barão von Kalden, era composta por brummers, alemães contratados pelo Governo Imperial para atuarem na guerra do Brasil contra o ditador argentino Rosas. Von Kalden era também um integrante desta legião e o acompanhavam August Brendler, Heinrich Haidmann, Wilhelm Köhn, Heinrich Eckert, Karl Koblens, Karl Homrich, Heinrich Ehlers, Wilhelm Buckow, Luiz Berger e Luiz Zimmermann.
        Os imigrantes alemães dedicaram-se primeiramente à agricultura. Deram um impulso imenso ao progresso de nosso município. A Colônia Santo Ângelo acabou constituindo distritos coloniais imprescindíveis à economia cachoeirense, notadamente produtores do arroz que teve grande desenvolvimento com o concurso do trabalho dos colonos. Estes distritos acabaram se emancipando de Cachoeira do Sul e hoje são municípios jovens e pujantes: Agudo, Novo Cabrais, Paraíso do Sul e Cerro Branco.

sábado, 19 de novembro de 2011

19 de novembro - Dia da Bandeira


HINO À BANDEIRA
Letra: Olavo Bilac
Música: Francisco Braga

Salve lindo pendão da esperança!
Salve símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da Pátria nos traz.


Recebe o afeto que se encerra
em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!


Em teu seio formoso retratas
Este céu de puríssimo azul,
A verdura sem par destas matas,
E o esplendor do Cruzeiro do Sul.


Contemplando o teu vulto sagrado,
Compreendemos o nosso dever,
E o Brasil por seus filhos amado,
poderoso e feliz há de ser!


Sobre a imensa Nação Brasileira,
Nos momentos de festa ou de dor,
paira sempre, sagrada bandeira
Pavilhão da justiça e do amor!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Gregório da Fonseca - outro nativo de novembro e membro da Academia Brasileira de Letras

                Cachoeira do Sul tem dois filhos membros da Academia Brasileira de Letras. E, coincidentemente, estes dois cachoeirenses nasceram no mês de novembro: João Neves da Fontoura, no dia 16, e Gregório da Fonseca, no dia 17.
     Nascido em 1875, Gregório Porto da Fonseca era filho de Marcos Gonçalves da Fonseca Ruivo e de Luiza Mariana Porto da Fonseca. Era casado com Argentina Valdetaro, com quem teve cinco filhos: Marcos, Maria Elisa, Ruth, Eduardo e Alfredo.
     Sua formação como engenheiro pela Escola Militar de Porto Alegre não foi impeditivo para que se dedicasse, nas horas vagas, à literatura. A arte de escrever o fascinava desde a adolescência. Com 15 anos, na cidade natal, foi demitido pelo proprietário da loja onde trabalhava como caixeiro de tanto recitar versos em voz alta! E Olavo Bilac já era de longe o seu mais apreciado poeta. Mais tarde, quando a carreira militar o levou para o Rio de Janeiro, tornou-se amigo de Bilac, sendo seu incentivador na campanha cívica que empreendeu pelo país.
     Gregório da Fonseca publicou seu primeiro livro em 1907 – poemas. Depois publicou ensaios e obras biográficas. Dizem que muitos dos discursos proferidos pelo presidente Getúlio Vargas, de quem se tornou Secretário, saíram da lavra de Gregório.
     Indicado pelo presidente para a Embaixada do Brasil no Vaticano, Gregório da Fonseca não chegou a assumir o posto, pois faleceu em 23 de abril de 1934, no Rio de Janeiro.
    

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Administração pós-proclamação da República em Cachoeira

               
           Ao ser proclamada a República, a 15 de novembro de 1889, reuniram-se, no dia 18 do mesmo mês e ano, os vereadores de Cachoeira sob a presidência de Crescêncio da Silva Santos e com a presença dos membros Antônio Nelson da Cunha, Joaquim Gomes Fialho, Cincinato de Sampaio Ribeiro, Josino Outubrino de Lima, João Jorge Krieger e João T. de Menezes Júnior, os quais passaram o seguinte telegrama ao Marechal Visconde de Pelotas, que assumira o governo provisório do Rio Grande do Sul:
         “A Câmara Municipal de Cachoeira, aplaudindo a atitude calma e digna do Povo Brasileiro, presta a sua adesão a V.Excia., certa de que V.Excia. trabalhará pela prosperidade e integridade da grande Pátria Brasileira.”
         O curioso, nesta ata, lavrada no livro das Sessões da Câmara, é a assinatura, em belo cursivo, do Dr. Borges de Medeiros, logo após as dos vereadores e do Tenente Coronel Salgado, assinando-a ainda outros, como os cidadãos Isidoro Neves da Fontoura, Augusto Brandão, Felippe Moser e Alarico Ribeiro.
Alarico Ribeiro
Augusto Brandão

         A 7 de janeiro foi empossada, por ordem do governo provisório, uma junta governativa do Município, composta de João Ferreira B. e Silva como seu presidente, Antônio Nelson da Cunha e Isidoro Neves da Fontoura, servindo como secretário da mesma o cidadão Manoel Teixeira Cavalheiro que foi substituído, mais tarde, por Alarico Ribeiro, poeta, jornalista e propagandista da República.
(Extraído de História de Cachoeira, de Paranhos Antunes, 1930)

domingo, 13 de novembro de 2011

João Neves da Fontoura - ilustre nativo de novembro

                João Neves da Fontoura, certamente o mais proeminente político cachoeirense, nasceu em Cachoeira a 16 de novembro de 1887, filho do Cel. Isidoro Neves da Fontoura e de Adalgisa Godoy da Fontoura.
            De sólida formação secundária e acadêmica, tendo concluído o curso de Direito com apenas 21 anos, João Neves conviveu com personalidades políticas grandiosas de seu tempo, como Borges de Medeiros e Getúlio Vargas. O primeiro o encaminhou para a política, que já estava no seu sangue em função do pai, incentivando-o a assumir a administração municipal quando o Intendente Francisco Gama, doente, não podia mais encarregar-se de suas funções. Na condição de Vice-Intendente, dirigiu Cachoeira de 1925 a 1928, época do nosso maior desenvolvimento urbanístico. Com o segundo, de quem foi vice no governo do Estado, teve rupturas e aproximações ao longo de suas trajetórias políticas.

            Com saúde frágil, João Neves, que era homem de pequena estatura, mas que crescia quando tomava a palavra para si, teve que afastar-se de Cachoeira diversas vezes para tratamento de problemas pulmonares. Era seu médico particular o também político Balthazar de Bem.
            Nas idas e vindas a terra natal, estabeleceu-se com banca de advocacia, tendo composto com Maurício Cardoso e Odon Cavalcanti relações de trabalho na área do Direito, naturalmente estendidas para a política, tendo sido deputado estadual por duas legislaturas, deputado federal, Vice-Presidente do Estado, Embaixador do Brasil em Portugal e Ministro das Relações Exteriores.
            João Neves da Fontoura foi membro das Academias Rio-Grandense e Brasileira de Letras. Seu livro Memórias, em dois volumes, é importante registro do período de Borges de Medeiros à frente do Rio Grande do Sul e da Revolução de 1930, momento político do país em que teve participação importante.
João Neves com o fardão da ABL

            João Neves, que era casado com a cachoeirense Iracema Barcellos de Araújo, teve três filhos. Morreu no Rio de Janeiro, em 31 de março de 1963. Em sua homenagem, Cachoeira denominou uma escola, uma avenida e o Palácio Legislativo, sede da Câmara Municipal.
           
           

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

DVD Cachoeira 100 anos depois

   De um trabalho conjunto do memorialista Claiton Fernando Nazar e da equipe do Museu Municipal de Cachoeira do Sul - Patrono Edyr Lima surgiu o DVD Cachoeira 100 anos depois. Adquira o seu exemplar a R$ 10,00, no Museu Municipal, e desfrute das imagens de uma cidade que foi modificada em sua paisagem, mas que ainda conserva elementos que continuam a nos encher de orgulho de nossa história. Aproveite também para presentear seus amigos, familiares e visitantes no Natal que se aproxima.
   Boa viagem no tempo!

Capa do DVD

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Dr. Balthazar de Bem

        Poucos personagens da nossa história têm o privilégio de atravessar o tempo, emergindo do passado com presença tão significativa no presente. Balthazar de Bem é um deles.
         Médico e político com passagem marcante pela vida pública de Cachoeira a partir da primeira década do século XX, foi Intendente e também importante criador e industrialista. Sua Granja da Penha introduziu no município a raça Devon, e a Charqueada do Paredão, sob sua administração, fabricava e comercializava para todo o país o Alimento Fabini, espécie de caldo de carne do passado, resultante de fórmula que reunia glúten, cereais e extrato de carne.

Charqueada do Paredão
         Homem elegante, capaz de construir para a sua família um palacete, atualmente ocupado pela Casa de Cultura Paulo Salzano Vieira da Cunha, Balthazar de Bem também era humanitário. São relembradas até hoje suas provocações à cidade de seu tempo, quando brancos e negros não deviam se misturar socialmente, ocupando lugares separados na Praça José Bonifácio, principal ponto de encontro da população. Um belo dia resolveu vestir sua criadagem com requintados trajes, fazendo-a desfilar em plena Rua 7 de Setembro, escandalizando os puristas da época.

Balthazar (sentado) com a família em sua residência
(atual Casa de Cultura Paulo S. V. da Cunha)

         Médico e amigo de João Neves da Fontoura, Balthazar de Bem militava no mesmo partido político dos Fontoura, o PRR - Partido Republicano Rio-Grandense.
         Em 1924, quando no dia 9 de novembro houve um levante militar com reunião de tropas no Barro Vermelho, Balthazar de Bem seguiu até lá para interferir na contenda. Foi alvejado por um tiro. Transportado em seu automóvel às pressas para a cidade, médico que era, alertou seus acompanhantes de que não sobreviveria. Morreu aos 47 anos no dia 10.
Empreendedor e popular, muito ainda poderia ter dado à cidade que adotou como sua. Deixou viúva a senhora Marina Mattos de Bem e três filhos. Para homenageá-lo, em março de 1925, a Praça Almirante Tamandaré recebeu o seu nome e hoje, transcorridos 87 anos de sua morte, ainda se faz presente em nosso cotidiano cada vez que cruzamos a Praça Balthazar de Bem, principal cartão-postal da cidade.
Praça Balthazar de Bem
(antigas denominações: Praça do Prestes,  Praça da Igreja
e Praça Almirante Tamandaré)
Fotos antigas: fototeca Museu Municipal
Foto atual: Henrique Witeck

domingo, 6 de novembro de 2011

Novembro Cultural

   O Núcleo Municipal da Cultura e a Associação Cachoeirense de Amigos da Cultura - AMICUS promovem, durante o mês de novembro, o NOVEMBRO CULTURAL, conjunto de atividades que buscam marcar o mês em que ocorre o Dia Nacional da Cultura (dia 5 de novembro) com oferta variada de momentos culturais à comunidade.
   Prestigie!

A cultura é o resultado do saber, do fazer e do aprender.
O Núcleo Municipal da Cultura e seus departamentos culturais, juntamente com a Associação Cachoeirense de Amigos da Cultura – AMICUS convidam para:
- Dia 3 de novembro, quinta-feira:
Palestra Instrumentos para Defesa do Meio Ambiente Cultural – Prof. Dr. Jerônimo S. Tybusch
Local: Salão Social Residencial União de Moços – 20h
Rua Sete de Setembro, 744
Coordenação: COMPAHC

- Dia 7 de novembro, segunda-feira:
Oficina de Teatro – Vanius Rocha
Local: Auditório da Casa de Cultura Paulo S. V. da Cunha – 19h30
Coordenação: Biblioteca Pública Municipal “Dr. João Minssen”

- Dia 9 de novembro, quarta-feira:
 Palestra Avaliação de Políticas Públicas - Profª Marília Patta Ramos, PhD - UFRGS
Local: Auditório do Centro de Educação a Distância do Vale do Jacuí – 20h (antiga UAB)
Apoio: Centro de Educação a Distância do Vale do Jacuí

- Dia 10 de novembro, quinta-feira:
Recital de alunos de Cláudio Machado e Dionatan Silva – Oficina de Violão do Atelier Livre Municipal
Local: Auditório da Casa de Cultura Paulo S. Vieira da Cunha – 19h30
Coordenação: Atelier Livre Municipal Profª Eluiza de Bem Vidal

- Dia 16 de novembro, quarta-feira:
Palestra e Exposição Revisitando o Panteão Africano - Luciano I. Scherer
Local: Hall e Auditório da Casa de Cultura Paulo S. Vieira da Cunha – 19h
Coordenação: Museu Municipal de Cachoeira do Sul – Patrono Edyr Lima

- Dia 18 de novembro, sexta-feira:
Apresentação Talentos Negros
Local: Auditório da Casa de Cultura Paulo S. V. da Cunha – 20h
Coordenação: Maria de Lourdes Soares Machado – Associação Recreativa Cultural Amigos da Arte e do Esporte

- Dia 22 de novembro, terça-feira:
Oficina de Gastronomia com a Chef Dodô Machado
Informações e inscrições: AMICUS – Casa de Cultura Paulo S. Vieira da Cunha –
3724-6015/3724-6080

- Dia 23 de novembro, quarta-feira:
Leituras Obrigatórias – Prof.ª Ana Lariça de Mello
Local: Auditório da Casa de Cultura Paulo S. Vieira da Cunha, 19h às 21h
Atividade aberta à comunidade
Coordenação: Biblioteca Pública Municipal “Dr. João Minssen”

- Dia 24 de novembro, quinta-feira:
Momento Cultural Quinta Justa – Grupo Musical do Atelier Livre
Local: Auditório da Casa de Cultura Paulo S. V. da Cunha – 20h
Entrada franca
Coordenação: Atelier Livre Municipal Prof.ª Eluiza de Bem Vidal

- Dia 25 de novembro, sexta-feira:
Jantar comemorativo aos 65 anos da Biblioteca Pública Municipal “Dr. João Minssen” e
25 anos do Parque Municipal da Cultura
Animação musical de Cláudio Machado, Dionatan Silva e Dienifer Brum
Local: Café Florença – 20h
Valor: R$ 23,00
Coordenação: Biblioteca Pública, Jardim Botânico/Zoológico e Museu Municipal

- Dia 30 de novembro, quarta-feira:
Exposição Povoadores de Cachoeira e seus descendentes em 2011 – Arquivo Histórico
Local: Hall da Casa de Cultura Paulo S. Vieira da Cunha – 18h
Coordenação: Arquivo Histórico do Município de Cachoeira do Sul






sábado, 5 de novembro de 2011

Um túmulo... um segredo...

            Transcorrido o feriado de Finados, tradicional data em que os vivos relembram seus mortos, é importante destacar que os cemitérios não são apenas espaços de memórias afetivas, mas também excepcionais espaços de memória histórica, guardando os traços culturais da comunidade.
            No Cemitério das Irmandades, o mais antigo de nossa cidade, há uma lápide bastante antiga que registra um dos crimes que ceifou a vida de um homem que foi responsável por grande parte das obras urbanas que deram novo aspecto à acanhada Vila da Cachoeira no século XIX.
            Este homem, um português chamado José Ferreira Neves, era pedreiro de profissão. Executou muitas obras importantes, dentre elas a do nivelamento da Praça da Igreja, atual Praça Balthazar de Bem, no ano de 1852. O nivelamento exigiu a remoção de grande quantidade de terra em torno da Igreja Matriz. E como a Vila precisava “domar” as sangas que a cortavam em todas as direções, toda a terra retirada foi aproveitada para o atulhamento das sangas da Micaela e Lava-Pés.
            José Ferreira Neves foi assassinado, vinte e cinco anos depois desta obra, na porta da casa de Manoel José Fialho Júnior, na Rua Sete de Setembro. Crime passional? Acerto de contas? A lápide do Cemitério, uma das mais interessantes ainda lá existentes, guarda este segredo sob a inscrição: Aqui jazem os restos mortais de José Ferreira Neves, nascido a 23/12/1820 e assassinado barbaramente a 9/7/1877”.

Túmulo de José Ferreira Neves - Cemitério das Irmandades
Fotos: Méia Albuquerque

sábado, 29 de outubro de 2011

Cachoeira vista pelo Correio do Povo de 1963

     O jornal Correio do Povo, de Porto Alegre, publicou em sua edição de 10 de outubro de 1963, as seguintes linhas sobre Cachoeira do Sul – Princesa do Jacuí:

CACHOEIRA – Princesa do Jacuí – é seu merecido título. Berço de João Neves da Fontoura, político e diplomata, Ministro do Exterior, maior orador de sua geração.
João Neves da Fontoura
Barragem – Ponte do Fandango, obra notável de engenharia.

Barragem-Ponte do Fandango
Fumo apreciado. Bairro Rio Branco e suas casas, o Alto, e Château, o Jornal O Comercinho, Rádio Cachoeira servida pela inteligência jovem, numerosos clubes, seminário católico, Igreja Evangélica Luterana (Sínodo Rio-Grandense), os metodistas, etc. Silo de trigo, cooperativas, etc. O ensino: Cândida e Augusto Brandão.
Praça Balthazar de Bem

     Os cachoeirenses militares: Generais Bento Martins (Barão de Ijuí), José Gomes e Felipe Portinho, Diogo Alves Ferraz, bravos combatentes, como o foram também Manoel Fernandes Dorneles, Manduca Carvalho, Tristão José Pinto, etc. Terra de poetas inspirados: Marcelo Gama, Pedro Velho, Milton da Cruz, Alarico Ribeiro, Nilo Barbosa, Lisbôa Estrázulas, Patrício Albuquerque, Sérgio e Paulo de Gouvêa, etc. Políticos inteligentes: Balthazar de Bem, João Pereira da Silva, Borges Fortes (deputado em 14 legislaturas), Liberato Salzano, Gonçalo de Carvalho (propaganda republicana), etc. As figuras de Mario Godoy Ilha, Ernesto de Barros, Félix Garcia e Orlando Carlos. Leonardo Macedônia, diretor da Faculdade de Direito de Porto Alegre; Egídio Itaqui, bacharel por São Paulo; Pantaleão Pereira, desembargador da Relação; Baltasar Barbosa, desembargador do S. Tribunal, etc. Virgílio de Abreu, Gregório da Fonseca, da Academia Brasileira.  Bela cidade de Cachoeira que um de seus filhos – Aurélio Porto – é dos maiores historiadores do Rio Grande.