Espaços urbanos

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Placa do 1.º Centenário - Catedral N. Sra. da Conceição - foto Elizabeth Thomsen

domingo, 12 de julho de 2020

Série: Cachoeira Bicentenária - Primeira ponte


A primeira ponte erguida em Cachoeira casualmente também é a primeira do Rio Grande do Sul em seu estilo construtivo. Trata-se da Ponte do Botucaraí, mais conhecida como Ponte de Pedra. Sua construção foi de vital importância para estabelecer a ligação da Vila Nova de São João da Cachoeira com a Vila de Rio Pardo e, a partir dela, com Porto Alegre, aproveitando a existência do Passo Real do Botucaraí.

Ponte de Pedra (março de 1955) - Família Friedrich

A história da construção da Ponte de Pedra foi longa e interrompida pelo decênio farroupilha, momento histórico conturbado e de desaceleração do desenvolvimento da província.

A primeira referência a ela surgiu em 19 de maio de 1832, quando o presidente da Câmara de Cachoeira, José Custódio Coelho Leal, apresentou aos demais vereadores uma correspondência do presidente da província, Manoel Antônio Galvão, determinando a elaboração da planta da ponte. A partir disso, teve início uma série de tratativas entre o governo municipal e o provincial no acerto de quais seriam as etapas e as atribuições de cada um para a execução da obra. Quase um ano depois, em 18 de abril de 1833, a Câmara de Cachoeira oficiou ao engenheiro da província, João Martinho Buff, solicitando que elaborasse a planta da ponte. Entre abril de 1833 e setembro de 1835, quando estourou a Revolução Farroupilha, cessaram notícias sobre a obra.

Passados os dez anos da revolução e mais algum tempo, em 5 de junho de 1847, novamente o presidente da província, casualmente o mesmo Manoel Antônio Galvão, pediu a planta da ponte e, em 15 de setembro, recebeu-a junto com o orçamento da construção. No dia 5 de outubro, na abertura da Assembleia Legislativa Provincial, ele apresentou a seguinte informação:

Ponte do Passo Real do Botucaraí. A planta desta ponte encomendada pela Lei nº 33, de 5 de maio de 1846, foi concluída. Ser-vos-á apresentada, bem como o orçamento na importância de Rs. 36:994$720.

Vencidos os trâmites burocráticos, a obra teve início sob o comando de Manoel Fialho de Vargas Filho, empreiteiro que a arrematou pela quantia de 46 contos e oitocentos mil réis e assinou o contrato de execução em 10 de janeiro de 1848.

Em 28 de outubro de 1848, um ofício do Capitão Engenheiro Ajudante do Chefe dos Engenheiros da Comarca, João Pedro de Gusmão Mariz, dava conta ao seu superior que havia feito exame na ponte, informando que “se acha concluída conforme a planta e contrato feito pelo arrematante e me parece estar construída com toda a solidez, visto que tem passado carretas e tropas de gado e não tendo havido até o presente indício de ruína.”

A Ponte de Pedra passou pela história e seguirá testemunhando histórias graças às ações de um grupo de voluntários que em 2010 salvaram-na da destruição. E hoje, ainda que desafie o tempo e as adversidades, segue bela, forte e deleitando os apreciadores das obras do passado e os banhistas nos dias quentes de verão. 

Em 2014, por decisão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado - IPHAE, foi tombada como patrimônio histórico-cultural do Rio Grande do Sul.

Ponte de Pedra - Robispierre Giuliani
Ponte de Pedra - Renato Thomsen

Para saber mais sobre a salvação da Ponte de Pedra, acesse:


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