Os crimes contra as mulheres são hoje chamados de feminicídios, se praticados por seus companheiros. Infelizmente, apesar da sucessão das eras, muitos homens ainda acreditam que as mulheres são como objetos e, portanto, têm proprietários.
A história de Cachoeira guarda muitos destes tristes episódios, alguns deles resguardados na excelente documentação mantida pelo Arquivo Histórico do Município (AHMCS), o que possibilita revisitar páginas que não deveriam fazer parte da memória de lugares civilizados. No entanto, ainda que sejam fatos condenáveis, rememorá-los é uma forma de sinalizar para mudanças de paradigmas que insistem em se manter, apesar da evolução dos tempos.
O caso em questão ocorreu em 24 de julho de 1890 e a recuperação do fato se dá através de um ofício encaminhado pelo delegado de polícia ao presidente da Junta Municipal, David Soares de Barcellos. A Junta Municipal era composta por cidadãos nomeados para governarem o município logo depois de 15 de novembro de 1889, enquanto a república se organizava. David Soares de Barcellos presidia a junta ou comissão administrativa composta, naquele momento, por ele e mais os cidadãos Antônio Nelson da Cunha e Isidoro Neves da Fontoura.
No ofício, emitido em 25 de julho pelo delegado Victorino Borges de Medeiros, constava a informação de que uma mulher, de nome Josephina Rosa, havia sido assassinada na véspera pelo marido. Como a vítima era "de família pobre", o delegado solicitava à autoridade municipal providências para o sepultamento, informando que era preciso "somente alugar-se um caixão e abrir sepultura".
| Imagem gerada com ajuda da IA |
Ora, naquele tempo, tanto os presos da cadeia que viessem a falecer, quanto os indigentes tinham custeados os sepultamentos pela municipalidade. Não há nenhuma linha detalhando o crime, tampouco informação de que o assassino tivesse sido detido.
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| Ofício de 25/7/1890 - JMS/SE/CR-001 - Acervo documental do AHMCS |
