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segunda-feira, 7 de setembro de 2020

A derradeira viagem de Silveira Martins


Gaspar Silveira Martins foi uma das maiores lideranças políticas do Rio Grande do Sul. Quando ele morreu, em 23 de julho de 1901, achava-se exilado em Montevidéu, no Uruguai, desde que a revolução federalista terminara em 1895. A repercussão de seu desaparecimento foi grande, ceifando dos federalistas o seu maior vulto. De deputado provincial ao tempo do Império, Gaspar Martins chegou a senador da República, sempre loquaz na defesa de suas ideias liberais.

Gaspar da Silveira Martins
worthpoint.com

O que poucos sabem é que há 100 anos os despojos do grande tribuno passaram por Cachoeira, a caminho de seu destino – o mausoléu da família na Catedral de São Sebastião, em Bagé. O pedido de traslado dos restos mortais foi feito pelos membros do Partido Federalista, que queriam dar repouso ao seu líder em terras rio-grandenses.

Catedral de São Sebastião - Bagé - RS
jornalminuano.com.br

Os despojos foram embarcados no porto de Montevidéu, seguindo até Rio Grande, de onde, por via férrea, percorreram várias cidades do estado, dentre elas Cachoeira. Em cada cidade, a passagem foi marcada por atos solenes, ficando esquecidas as antigas desavenças políticas e prevalecendo o respeito ao homem público que foi Gaspar Silveira Martins.

O jornal O Commercio, em sua edição de 1.º de setembro de 1920, à página 3, traz a seguinte nota:

Conselheiro Gaspar Martins. Segundo boletim distribuído pelo diretório do Partido Federalista local, deviam ter chegado ontem, procedentes de Porto Alegre e com destino a Bagé, os despojos mortais do grande tribuno rio-grandense Gaspar da Silveira Martins. Nesse boletim eram convidados os correligionários, amigos e admiradores do grande morto, bem como o comércio, estabelecimentos bancários, sociedades locais, autoridades civis e militares, imprensa e povo para associarem-se às homenagens a serem tributadas ao corpo do grande orador extinto, homenagens constantes de recepção na estação, discurso oficial, exéquias solenes na Igreja Matriz e visitação ao corpo. A chegada dos despojos devia ser anunciada com uma hora de antecedência, pelo repique dos sinos do templo católico.

Na edição de 8 de setembro de 1920, em terceira página, o mesmo jornal relata a chegada dos despojos e os atos de homenagem que foram procedidos pelos cachoeirenses:

Conselheiro Gaspar Martins. Pelas cinco horas da tarde de 31 de agosto passou por esta cidade, procedente de Porto Alegre e com destino a Bagé, o trem especial que conduzia o corpo embalsamado do grande tribuno Gaspar Silveira Martins. Como dissemos na edição anterior, o diretório do Partido Federalista local havia convidado os correligionários, amigos e admiradores do morto, bem como o comércio, estabelecimentos bancários, sociedades locais, autoridades civis e militares, imprensa e povo para associarem-se às homenagens ao corpo do grande orador extinto. Quando repicaram os sinos da Igreja Matriz e o da Igreja Metodista, tendo o comércio cerrado as suas portas, começou a afluência de povo à estação ferroviária, onde pouco antes das 5 horas chegou o trem especial. Sobre o caixão que encerrava os despojos mortais do ilustre rio-grandense, uma comissão de senhoritas colocou diversos ramalhetes de flores naturais.

Estação Ferroviária de Cachoeira - Museu Municipal

Em nome do diretório federalista, o Sr. João de Barros Cassal produziu um brilhante discurso, rememorando a vida do chefe homenageado. Responde, agradecendo, o Sr. Dr. José Julio Silveira Martins, filho do finado. Compareceram às homenagens muitas excelentíssimas senhoras e senhoritas, e fizeram-se representar algumas associações locais.

Diversas coroas e ramalhetes foram colocados sobre o esquife, oferecidos pelo diretório do Partido Federalista, por seus correligionários e pelo Partido Republicano local. Uma comissão do Tiro de Guerra 254, composta dos sargentos João Fialho, Pedro Maurilio de Farias e Alcibiades Raymundo Corrêa compareceu à estação.

O diretório federalista de Caçapava fez-se representar pelos srs. Milton Alves Marques, Franklin Rodrigues de Oliveira, Mario Medeiros e Waldomiro Medeiros, que acompanharam o corpo até Santa Maria, cuja população realizou homenagens ao tribuno extinto.

O diretório do Partido Federalista de Cachoeira em 1920 era constituído pelo Capitão José Maria d’Almeida, presidente honorário, Amaro de Lima Borges, presidente efetivo, Cacilio Menezes, vice-presidente, Fabio A. Leitão, 1.º secretário, José Candido de Vargas, 2.º secretário, e Ismael José Pereira, tesoureiro. 

Fábio Leitão - 1.º secretário do Partido Federalista
- Museu Municipal


Ismael Pereira - tesoureiro do Partido Federalista
- Museu Municipal

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