Espaços urbanos

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Ponte do Fandango - foto Mireila Moro

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Primeira Caixa d'Água de Cachoeira - 90 anos

           
         Há 90 anos, precisamente no dia 20 de setembro de 1921, o Intendente Aníbal Loureiro procedeu à inauguração das obras hidráulicas destinadas ao abastecimento de água da cidade.
Caixa d'Água da primeira hidráulica
- acervo COMPAHC

            A inauguração constou de dois atos: um, no recinto da própria hidráulica, às 15 horas, e outro, no interior do Mercado Público, antes de ter início a quermesse em benefício do Hospital de Caridade. Em ambos falou o Intendente que naquele dia comemorava também o primeiro ano de sua administração.
         O jornal O Comércio (1900-1966), em sua edição do dia 28 de setembro de 1921, publicou extensa matéria relatando a inauguração. Eis alguns trechos daquela edição:
Há muitos anos que não víamos a multidão se associar tão espontaneamente às festividades de caráter oficial e cívico como aconteceu no dia 20 de setembro, onde a população em peso acorreu à inauguração das importantes obras executadas e com calor sagrou a passagem do primeiro ano de administração do nosso ilustre, operoso e esforçado edil, Dr. Annibal Loureiro.
De fato havia razão, e razão de sobra, para o povo estar jubiloso, pois uma parte do brilho que à administração municipal vem imprimindo S. Excia., reflete-se diretamente sobre essa gleba de trabalho e progresso e é um exemplo poderoso para todas as municipalidades do Estado.
         (...)
O Comércio que há mais de quatro lustros vem se batendo pelos mais vitais melhoramentos da nossa urbs e do município, sente-se hoje feliz em poder descrever as relevantes obras inauguradas, motivo pelo qual congratula-se com a população cachoeirense.

A HIDRÁULICA

         As obras construídas constituem um harmonioso e belo grupo de construções, onde o arrojo se alia belamente para mais honra dar aos construtores.

Flagrante da  inauguração da Hidráulica - 20/9/1921
- fototeca Museu Municipal


De fato, à margem do rio Jacuí, a captação foi feita por meio de uma casa de máquinas que é quase um poço, com dimensões mínimas, o estritamente necessário para o acesso do pessoal, colocação de encanamentos, luz, ventilação e passagem das correias transmissoras.         
(...)
Assim, foi com curiosidade e prazer que visitamos esta parte e verificamos o esforço de adaptação necessário para o ajuste de tantas peças, canos e fios com simplicidade e sem constrangimento para o pessoal mecânico encarregado de fazer funcionar as máquinas.
O poço tem, no solo, a profundidade de 12,40 com 1,5 X 2,5 de seção, e acima do solo, eleva-se 3 metros para abrigo do motor elétrico aí colocado.
A bomba, a três pistons, (...), da marca Worthington, USA, dá 30.000 litros d’água com 42 revoluções por minuto. É acionada por um motor elétrico de 14 HP, marca Sucksen Werke, por intermédio de duas correias de transmissão. Este material foi fornecido pela firma Bromberg & Cia., importante casa com filial nesta cidade, dirigida pelo nosso operoso amigo Sr. Guilherme Iken.
Do assentamento das mesmas encarregou-se, mediante contrato, a referida firma, que para isto destacou o mecânico Ernesto Grübner e o hábil engenheiro Dr. Ricardo Klinger. A água desta bomba é recalcada numa extensão de 200 metros, vencendo a altura total de 50 metros até um elegante chafariz, imitação de granito, adquirido pela municipalidade em Porto Alegre, na casa J. Vicente Friedrichs, donde cai e passa cascateando em três tanques destinados a prefiltrá-la e é recolhida a um grande reservatório a nível de cento e cinquenta mil litros de capacidade. Daí é aspirada por uma bomba centrífuga, marca Sulzer, diretamente ligada a motor elétrico e recalcada para a torre de cimento armado, de 16,50 m de altura e 100 metros cúbicos de capacidade. Esta torre, com orgulho o dizemos, é um recorde e marca uma data, pois é a primeira deste vulto construída no Estado. Suas linhas delicadas e bem construídas receberam elegante ornamentação de muito bom gosto artístico, como todas as obras bem lançadas de cimento armado. Ao aspecto de completa solidez e segurança, alia o de fragilidade imensa, o que foi por todos verificado no dia da inauguração.
O recinto é fechado por muro de grades, oferecendo um aspecto de sóbria beleza e bem aproveitado capital. O terreno que será dentro em breve todo ajardinado, foi nivelado, sendo o muro da face oeste construído em forma de muro de arrimo.
O belo panorama que dali se descortina, através de várzeas e coxilhas com o Jacuí mansamente rolando suas tranquilas águas por coleante e caprichoso curso orlado de luxuriantes matas, foi cuidadosamente conservado, sendo o muro cortado e substituído numa extensão de 60 metros por uma linda balaustrada.

Os encanamentos

         A água atualmente é distribuída na cidade por cerca de 2.500 metros de encanamentos de aço Mannesmann, assentados nas ruas D. Luiza, 7 de Setembro, Ferminiano, 15 de Novembro, 7 de Abril e Moron.
   
O custo das obras

Estas obras montaram a cerca de 170:000$000 e já estão quase completamente pagas, faltando pagar uma quota de uns 12:000$000, por força dos contratos.

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O Museu Municipal de Cachoeira do Sul - Patrono Edyr Lima estará promovendo, no próximo dia 21 de setembro, às 10 horas, junto à caixa d'água da primeira hidráulica, momento de homenagem aos 90 anos desta importante obra que colocou a cidade na condição das primeiras do Estado com capacidade de distribuir água encanada aos munícipes. Prestigie!

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