Espaços urbanos

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Catedral em festa - foto Renato F. Thomsen

domingo, 14 de setembro de 2014

Buena-dicha*

Marcelo Gama, cuja trajetória curta de vida foi marcada pelas emoções postas em versos, inspira-nos nesta quase primavera, revivendo no poema publicado n’O Commercio, de 24 de março de 1915, um soneto que combina com os dias floridos que já se anunciam, revivendo uma prática que os tempos de hoje não têm mais...


Espécie de malmequer - Parque Witeck - foto Henrique Witeck


Buena Dicha

Mal surge o dia, para os montes sigo,
a consultar agrestes malmequeres,
que se os segredos sabem das mulheres,
podem dizer-me se és cruel comigo.

E ansioso por saber se tu me queres,
- mal-me-quer, bem-me-quer – baixinho digo,
mas os desfolho em vão, que não consigo
um só dos que se chamam bem-me-queres.

Malmequeres são todos. Entretanto,
quando os teus olhos fito, cariciosos,
torna-se em risos o que fora pranto,

em mar de rosas o que fora escolhos!
Dize-me tu quais são os mentirosos:
- Os malmequeres ou teus lindos olhos!

* Buena-dicha: (do espanhol buena dicha) boa sorte, fortuna, sina. 

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