Cachoeira de outros tempos

Cachoeira de outros tempos
Rua 7 de Setembro com Banco da Província ao fundo (~1928) - MMEL - Modificado por IA - Renato Thomsen

domingo, 10 de novembro de 2013

Dr. Balthazar de Bem e Fábio Leitão: 89.º aniversário de falecimento

               Os ânimos estavam acirrados em 1924 em todo o país. Revoltados com a política oligárquica do presidente Arthur Bernardes, os militares começaram um movimento na cidade de São Paulo, com forte influência sobre o Exército no Rio Grande do Sul.
          Em Cachoeira, alguns militares do 3.º Batalhão de Engenharia, comandados pelo capitão Fernando do Nascimento Fernandes Távora, protagonizaram o levante do Barro Vermelho, episódio ocorrido no dia 10 de novembro de 1924 e que entrou para a história por ter tirado a vida do Dr. Balthazar de Bem, um dos mais influentes políticos de Cachoeira no primeiro quartel do século XX, médico humanitário, empresário e empreendedor. Neste mesmo episódio, pereceu o jornalista Fábio Alves Leitão, simpatizante das ideias dos revoltosos.

Dr. Balthazar de Bem - fototeca Museu Municipal

              Balthazar de Bem, alvejado por um tiro, faleceu a caminho do socorro. Antes preveniu aos que o socorreram que não sobreviveria. Como médico, percebeu a gravidade do seu ferimento. O jornalista Fábio Leitão, que recebeu vários tiros no abdômen, só teve o corpo resgatado cinco dias depois.

Fábio Alves Leitão - acervo família Leitão


                

domingo, 3 de novembro de 2013

Série Lojas do Passado: Viúva José Müller & Cia.

Segundo a Revista Aquarela (Tipografia Guidugli 1959):
Como quase todo estrangeiro, José Müller saiu de sua terra natal, Radl, localidade da Áustria/Hungria, com parcos recursos, passando por situações difíceis. 


Cartões-postais de Radl, acervo família Ernesto Müller

Depois de várias experiências de trabalho em outros pontos do município, veio residir na cidade de Cachoeira, estabelecendo-se com importante casa comercial intitulada José Müller & Irmão. Muito cooperou em favor do desenvolvimento social, beneficente e recreativo de Cachoeira, tendo sido um dos fundadores da Schützen-Verein Eintrach, hoje Sociedade Rio Branco, em 1896. Era casado com Augusta Lange Müller, tendo os filhos Elza Müller Barz, casada com Emilio Barz, Luiza Müller Quambusch, casada com Walter Quambusch, Ida, Ana e Rodolfo Müller. Era irmão de Francisco, Carlos, Engelberto e Ernesto Müller, seu sócio. Depois de seu falecimento a firma passou a se chamar Viúva José Müller & Cia., sendo sócios Ernesto Müller, Emilio Barz, Walter Quambusch e Artur Mittelstaed.” 
Em 1925 a firma também tinha como sócios solidários Emilio Stracke e Benedicto Dicklhuber.
A firma Viúva José Müller & Cia. localizava-se na Rua Sete de Setembro, esquina com a atual Rua Dr. Milan Kras.

Viúva José Müller & Cia., ao fundo, no centro da foto - fototeca Museu Municipal





sábado, 26 de outubro de 2013

Clube Parlamentarista General Portinho

Havia na Cachoeira de antanho uma agremiação fundada por simpatizantes do parlamentarismo chamado Clube Parlamentarista General Portinho.

General José Gomes Portinho 

No dia 30 de outubro de 1905, por ocasião do primeiro aniversário do clube, houve uma sessão solene presidida pelo Capitão João Jorge Krieger. Após a solenidade de praxe, que incluiu a leitura da ata da sessão anterior pelo secretário Miguel Araújo, a palavra foi concedida ao Dr. Pedro Gonçalves Moacyr, que havia sido convidado para a celebração pelo Partido Federalista de Cachoeira. Seu discurso ressaltou a ressurreição do federalismo em todas as localidades do Estado. Findo o discurso, o Dr. Pedro Moacyr foi levado a uma pequena sala do clube, onde foi recepcionado com doces e champanhe.
Às 22h30 daquela noite comemorativa, teve começo o baile que se estendeu até as 3 horas da madrugada.
O jornal O Commercio, em sua edição do dia 1º de novembro de 1905 fala em “esplêndido baile em espaçoso edifício”, porém não cita o endereço.
Como se vê, os parlamentaristas, associados aos federalistas, movimentavam-se com desenvoltura na sociedade de então, quando a República dava seus primeiros passos. 


domingo, 13 de outubro de 2013

Charqueada do Paredão ao tempo do Dr. Balthazar de Bem

A Charqueada do Paredão, que passou pela mão dos ingleses com o nome de Brazilian Extract of Meat and Hyde Factory Ltd., em 1920 passou para o Dr. Balthazar de Bem, na forma de sociedade comanditária, da qual ele era diretor.
A publicação O Rio Grande do Sul, de Alfredo R. da Costa, lançada em 1922, no capítulo correspondente ao Município de Cachoeira, traz interessantes informações sobre a Charqueada do Paredão:

- acervo do Museu Municipal



O maior e mais importante estabelecimento industrial é o do “Paredão”, instalado há 40 anos por uma companhia inglesa e atualmente a uma sociedade em comandita por ações, com o capital de 500:000$000 (quinhentos contos de réis). Essa empresa, que gira sob a razão social de Balthazar de Bem & Cia., organizou-se em Cachoeira, adquirindo o antigo estabelecimento em 1920. Em 1921 e 1922, foram ali abatidas 19.424 reses para o preparo de charques e conservas de carne. O Estabelecimento Paredão está passando por importantes reformas para nele também ser preparado o “Alimento Fabini” (grânulos de carne integral hidrocarbonada), produto novo para o Brasil, e cuja exportação vai ser feita para a Europa e Estados Unidos. É presidente da sociedade e diretor do estabelecimento o Dr. Balthazar de Bem, conceituado médico e fazendeiro cachoeirense. 

Envelope timbrado do Alimento Fabini - Charqueada do Paredão
- acervo do Museu Municipal