Espaços urbanos

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Inverno em Cachoeira - foto Mateus Rosada

sábado, 15 de novembro de 2014

As festas de 15 de Novembro - uma tradição perdida

O que era tradição no passado, hoje se tornou incomum. As datas cívicas costumavam ser comemoradas com festas e sessões solenes que envolviam diversos segmentos da sociedade. Tais festas eram planejadas com antecedência e se constituíam em ocasiões importantes para reuniões populares, com elaboração de programas e decoração dos espaços públicos.

Comemoração do dia 15 de novembro de 1904 defronte à Intendência
- fototeca Museu Municipal
Um bom exemplo disto vem do distante ano de 1913, quando já no início de outubro a Intendência Municipal promoveu uma reunião entre o Intendente Balthazar de Bem e o Cel. Horácio Borges para definir a programação comemorativa da data consagrada à proclamação da República.

O programa acordado foi o seguinte:
- alvorada festiva, às 5 horas da manhã, sábado, dia 15 de novembro;
- às 15 horas, passeata cívica dos colégios públicos, sendo que 21 senhoritas, cada uma representando um dos estados brasileiros, carregariam andores com os retratos dos vultos que se salientaram na fundação da República;
- jogo de confetes, serpentinas e lança-perfumes na Praça José Bonifácio;
- espetáculo de gala no Coliseu Cachoeirense, às 21 horas;
- domingo, dia 16 de novembro, às 8 horas, raid de infantaria com prêmios aos vencedores;
- às 10 horas, raid de ciclistas, também com prêmios;
- à tarde, batalha de flores na Avenida das Paineiras, com prêmio para os carros que se destacassem pela ornamentação;
- às 21 horas, baile na residência do Cel. Horácio Borges oferecido às 21 senhoritas que desfilariam com os retratos.

A citada reunião consta da edição do jornal Rio Grande de 12 de outubro de 1913. O programa não foi executado na íntegra, mas o vigor da comemoração e o respeito à Pátria não foram diminuídos, antes pelo contrário. Naqueles tempos o culto aos acontecimentos históricos serviam para solidificar a conquista e o sentimento de pertencimento a uma república que, afinal, em 1913 ainda era muito, muito jovem. 

Hoje, descontada a distância temporal que nos separa do 15 de novembro de 1889 e o culto absoluto ao presente que caracteriza nossa época, não há mais lugar para o que um dia foi tradição, alegria e motivo para confraternização.

2 comentários:

  1. Que coisa boa termos a oportunidade de lermos o que postas. Fico aguardando indócil como criança em véspera de Natal aguardando pelos presentes.
    Obrigado

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    1. Que estímulo me dás. E a responsabilidade, então!
      Obrigada!

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