Cachoeira de outros tempos

Cachoeira de outros tempos
Rua 7 de Setembro com Banco da Província ao fundo (~1928) - MMEL - Modificado por IA - Renato Thomsen

sábado, 9 de julho de 2011

Freguesia de N. Sra. da Conceição da Cachoeira

        Em 10 de julho de 1779, a Capela de São Nicolau, como era denominada a povoação incipiente em que se constituía Cachoeira nos primórdios de sua história, foi elevada à categoria de freguesia. A modificação, além do caráter religioso, constituía-se também em mudança de categoria em termos administrativos. O orago, claramente de influência espanhola, também passava para uma invocação bem portuguesa: Nossa Senhora da Conceição.
O ato, que a história não registra em que condições se deu, deve ter sido levado a efeito por celebração religiosa procedida pelo vigário de Rio Pardo, Pe. José Antônio de Mesquita, que serviu a freguesia por um ano. Em 1780, Mesquita foi substituído pelo Pe. João Manoel Xavier de Mattos.
Página de livro de Batismos da Freguesia - 1799

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Série Lojas do Passado: Casa Fialho

            A Casa Fialho, de João Fialho, estava instalada na Rua Sete de Setembro nº 173. Mantinha um grande sortimento de fazendas, miudezas, perfumarias, roupas feitas e chapéus. Foi aberta em 1924.

Em 1925 um incêndio de grandes proporções destruiu a loja e atingiu a casa de Ignácia Oliveira, a conhecida Casa dos Arcos, que era contígua. Reconstruída, a loja foi vendida para Rosa & Cia., em 1927, passando a se chamar Casa Rosa. João Fialho permaneceu como gerente. Vendia por atacado e varejo completo sortimento de chapéus, sobretudos, fatiotas, tecidos e perfumarias estrangeiras.

Em novembro de 1928, João Fialho mudou-se com a família para Porto Alegre. Vendida novamente, a Casa Fialho, então Casa Rosa, passou a se chamar Casa Corrêa. Trocou também de endereço e, na década de 1930, atendia ao lado do Bazar Krahe, depois Farmácia “do Laurentino”, hoje Beck’s.

O tempo passa, cheio de histórias...

As fotos ilustrativas abaixo constituem frente e verso de um cartão-postal de propriedade de Eduardo Minssen.

domingo, 3 de julho de 2011

Deutsch-Brasilianische Schule

        O Pastor Kurt Benno Eckert, em seu livro Quando florescem os arrozais (Martins Livreiro Editor, 1993), nos conta que no ano de 1867 aconteceu a primeira visita oficial de um pastor evangélico a Cachoeira, o Dr. Hermann Borchardt, que veio para conhecer e orientar os membros da recém-fundada Comunidade Evangélica de Agudo. Como acontecia nessas ocasiões, celebrou cultos, casamentos e outros sacramentos.
         Os imigrantes que tinham trocado a colônia pela cidade de Cachoeira eram, naquela época, constituídos apenas por nove famílias: “dois comerciantes, dois sapateiros, um relojoeiro, um seleiro, um fotógrafo e um pedreiro.”
         Como era natural, consideradas a inexistência de uma comunidade e a raridade de visitas pastorais, as famílias da cidade reuniram-se para criar a sua própria comunidade evangélica. Isto se deu em 8 de junho de 1893. Junto com a igreja, queriam também a escola, como é característico de sua cultura.
No dia 3 de julho daquele ano, uma assembleia decidiu pela aquisição de uma casa que servisse de capela e escola. Estavam fundadas a Comunidade Evangélica de Cachoeira e a Deutsch-Brasilianische Schule, hoje Colégio Sinodal Barão do Rio Branco. A casa onde essa história começou situava-se a leste da Praça José Bonifácio, proximidades de onde foi instalada, mais tarde, a Usina Municipal.
         A história deve registrar os primeiros nomes dessa iniciativa que hoje conta 118 anos de efetivo cumprimento de seu papel: Philipp Adam, João Gerdau, Rudolph Homrich, Otto Büchler e Augusto Trommer.
         Somente no ano seguinte, 1894, aportou em Cachoeira o primeiro pastor e professor: Henirich Gauss.
         Parabéns, Comunidade Evangélica e Colégio Sinodal Barão do Rio Branco pelos 118 anos!
Escola para formação de pastores, construída entre
1916-1917, hoje Jardim de Infância do Colégio
- prédio tombado pelo COMPAHC
        


Templo Martim Lutero, inaugurado em abril de 1931
- tombado pelo COMPAHC

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Friedrich, a Fábrica de Trilhadeiras

Adolfo Moritz Friedrich e o filho Alvino, oriundos de Trombudo, onde haviam fundado uma fábrica de trilhadeiras, transferiram o negócio para Cachoeira, estabelecendo-se, em 1949, na Vila Marina. Construíram a residência da família e o pavilhão da fábrica que começou a funcionar em 1950, empreendimento que fez crescer o hoje denominado Bairro Marina.

As primeiras trilhadeiras produzidas ainda em Trombudo eram feitas em madeira e os operários da fábrica constituíam-se basicamente de marceneiros, ferreiros e pintores. Algumas peças que compunham a trilhadeira eram verdadeiras obras de arte, como “móveis de decoração”, segundo depoimento de João Carlos Ferreira, um dos últimos funcionários a deixar a fábrica quando ela encerrou suas atividades na década de 1980.

A Friedrich chegou a exportar dezenas de unidades de suas trilhadeiras, além de abastecer largamente o mercado interno.

Alvino Friedrich, apreciador da arte da fotografia, costumava registrar o processo de fabricação e as trilhadeiras em ação nas lavouras. São de sua autoria também as primeiras fotos coloridas feitas em Cachoeira, tiradas durante a Festa do Trigo em 1956. Sua filha Marlene Renate Friedrich Lüdtke doou uma bela coleção das fotografias do pai ao Museu Municipal.

Trilhadeira Friedrich em ação - acervo Museu Municipal
Autor: Alvino Friedrich
Doação: Marlene R. Friedrich Lüdtke


A. Moritz Friedrich observa o trabalho da trilhadeira
- acervo Museu Municipal
Autor: Alvino Friedrich
Doação: Marlene R. Friedrich Lüdtke


Operários da Fábrica de Trilhadeiras Friedrich
- acervo Museu Municipal
Autor: Alvino Friedrich
Doação: Marlene R. Friedrich Lüdtke