Espaços urbanos

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Ponte do Fandango - foto Mireila Moro

domingo, 4 de março de 2012

Série Lojas do Passado: Ponto Chic

           “Atilado empreendedor, Manoel Costa Júnior (proprietário do Cinema Coliseu Cachoeirense) decidiu-se a aumentar suas rendas de empresário afortunado e em 1912 construiu, no terreno existente à esquerda do Coliseu, e também de madeira, o Ponto Chic.
Ponto Chic, ao lado do Coliseu Cachoeirense
- Imagem: Benjamin Camozato

Na parte da frente funcionava o bar que atendia aos clientes acomodados não muito confortavelmente em mesinhas de ferro distribuídas em toda área calçada que ia até o cinema. Os fregueses dividiam suas preferências entre as cervejas locais – a Homrich e a Trommer - enquanto os jovens, a quem era vedado o uso do álcool, contentavam-se com a “Cyrila” e as gasosas. 
A segunda divisória do Ponto Chic era bem maior, bem mais ampla, pois se tratava do restaurante. Uma casa de pasto que desfrutava a vantagem de não ter concorrentes.”
Ponto Chic na esquina da Praça das Paineiras,
ao lado do Coliseu Cachoeirense
- Imagem: Benjamin Camozato

A descrição acima, feita por Paulo de Gouvêa, na História de uma Praça, publicada no Correio do Povo, em 10 de dezembro de 1983, é o testemunho de quem viu aquele ponto em funcionamento.
Manoel Costa Júnior, que pretendia atrair os frequentadores do cinema também de sua propriedade, oferecia sanduíches, doces, chocolates, conservas, frios e bebidas na parte em que funcionava o bar. Nos fundos, no mesmo chalé, ficava o Restaurante Coliseu, onde servia almoço e jantar, constando o cardápio de a la minuta, café, leite, doces, saladas, chocolates e chás.
O jornal local O Comércio (1900-1966), em sua edição de 3 de maio de 1916, publicou:
“(...) a cidade de Cachoeira, apesar da conflagração (a  I Grande Guerra) e das crises dela decorrentes, está sobremodo encantadora. Que o digam os frequentadores da Avenida das Paineiras, dessa multidão que às tardes e às noites a enchem, dando-lhe um aspecto de animação e bem-estar que talvez se não encontre em nenhuma das outras cidades da campanha rio-grandense.
Contemplando-se esse quadro que reflete, certamente, o progresso e a concórdia reinantes neste município, não se pode deixar de recordar com louvores a parte que toca ao Sr. Manoel Costa Júnior, no que concerne ao embelezamento e animação da nossa praça de recreio, pois é incontestável que o centro de atração, a mais bela parte da avenida, é o ponto que o incansável Costa denominou de – Chic.


Interior do Coliseu Cachoeirense
Ao piano, Curt Dreyer, em primeiro plano
- Imagem: Benjamin Camozato
Cinema Coliseu Cachoeirense, de Manoel Costa Júnior
- Imagem: Benjamin Camozato
Aí tem ele tem o seu excelente Coliseu, o seu restaurante, o seu bar. Assim é que enquanto uns combatem os calores estivais refrigerando-se com coisas geladas, outros dão vela ao paladar no seu bem atendido restaurante, ingerindo acepipes que restauram ao mesmo tempo as forças do corpo e da alma, pois tudo isso é feito ao som de um piano habilmente dedilhado pelo maestro Curt Dreyer. Quanto tudo isto não baste aí, tem o desfilar do sexo gentil pela avenida fartamente iluminada, às vezes a cores, enquanto as músicas ressoam e as campainhas do Coliseu tilintam, convidando às fitas por entre pregões de reclames que ainda mais realçam o movimento. "

Avenida das Paineiras (atual Sete de Setembro)
com farta movimentação defronte ao cinema
- Imagem: Benjamin Camozato

Um comentário:

  1. Curt Dreyer era meu avô paterno, casado com Celeste Castro, pai de Catulo (meu pai), Ivo Ricardo e Luiz Gonzaga Osório. Muito legal este resgate, parabéns Mirian

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