Cachoeira de outros tempos

Cachoeira de outros tempos
Rua 7 de Setembro com Banco da Província ao fundo (~1928) - MMEL - Modificado por IA - Renato Thomsen

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Posto Meteorológico na Praça José Bonifácio

            Há 100 anos, mais precisamente no dia 1º de abril de 1911, foi instalado na Praça José Bonifácio um posto meteorológico de 2ª classe que fazia parte da rede do Estado. Foi encarregado da observação e controle Emiliano Carpes.
A instalação desses postos meteorológicos era feita pela Escola de Engenharia de Porto Alegre.
Posto meteorológico de 2.ª classe
e seu encarregado Emiliano Antônio Carpes
- acervo Museu Municipal

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Série Lojas do Passado: Casa Alaggio

A Casa Alaggio, fundada por Biagio Alaggio em 1889, vendia fogões de ferro estrangeiros, louças, fantasias, tintas, ferragens e estava localizada na Rua Sete de Setembro, 42. Em 1921, passou a comercializar revólveres, armas, munições, navalhas, miudezas. Em 31/8/1922, Biagio vendeu as existências da sua casa comercial para o filho Saverio Alaggio que continuou no mesmo prédio e ramo, ampliando o estoque para ferragens, tintas, pincéis, miudezas, vidros, louças, cristais, porcelana, cimento, telhas de zinco, arames, óleos e graxas, fogões, apetrechos para cozinha, artigos sanitários, pertences para instalações hidráulicas.
Em junho de 1928, a loja foi instalada no prédio mandado construir na Rua Sete de Setembro, fronteira à Praça José Bonifácio, ao lado da Tipografia do Comércio. Com bela fachada, tinha 14m de frente por 27m de fundos, obra do engenheiro Julio Rieth e de Roberto Jagnow. Em 1942, passou à direção de Nicolau Alaggio e Júlio Castagnino. Permanecia no ramo de ferragens e acrescentou maquinaria agrícola, motores, rádios, refrigeradores, máquinas de escrever, tintas, louças, miudezas, cristais, artigos para presentes.
Novas instalações da Casa Alaggio foram inauguradas em 21 de dezembro de 1946, às 15 horas. A fita simbólica colocada na sala principal de entrada foi cortada pelo Prefeito Cyro da Cunha Carlos. Na ocasião, em nome da nova firma, falou o seu procurador Dr. Jaime Machado de Oliveira. Houve descerramento dos retratos dos fundadores Biaggio Alaggio e Saverio Alaggio, e dos então proprietários Nicolau Alaggio e Júlio Castagnino. Em outra dependência da firma foram servidos doces, champanha e bebidas finas, conforme noticiou o jornal O Comércio (1900- 1966), em sua edição da véspera do Natal de 1946.

Casa Alaggio - Rua Sete de Setembro
- acervo Museu Municipal



domingo, 17 de julho de 2011

Série Lojas do Passado: Casa da Bandeira Branca

Em 24 de março de 1915, o sírio-libanês Haguel Botomé abriu a Casa da Bandeira Branca, na Rua 15 de Novembro, esquina com General Osório. Comercializava, por atacado e varejo, fazendas, roupas brancas, roupas feitas, armarinho, calçados, seção de alfaiataria com grande sortimento de casemiras inglesas e francesas, brins, calçados para homens, mulheres e crianças.  
Em 1917, Botomé adquiriu a loja A Liquidadora, de José Waldemar, situada na Rua Saldanha Marinho e que comercializava fazendas e miudezas. Um ano depois, abriu uma filial da Casa da Bandeira Branca na Rua 7 de Setembro com Conde de Porto Alegre.
No ano de 1925, mandou arrumar os passeios que ladeavam a loja, recobrindo-os com mosaicos executados pela fábrica de Fernando Rodrigues. Até hoje é possível ver na calçada da Rua 15, defronte ao local onde funcionou a loja, já bastante desgastado pelo tempo, o letreiro CASA DA BANDEIRA BRANCA. Foi o que restou da loja que fechou definitivamente na década de 1930, depois de concordata preventiva solicitada por Haguel Botomé em 1931.

Casa da Bandeira Branca - álbum de Benjamin Camozato - 1922
Haguel Botomé com a esposa Haifa e a filha Jofreta

        Naquele mesmo ano de 1925, houve uma grande liquidação do estoque. O jornal O Comércio, em sua edição de 11 de novembro, estampava, na página três, o seguinte anúncio:

Aproveitem a torração!

Se quereis ótimas compras,
 Fazer pechincha de arranca,
Visitai agora mesmo
A Casa da Bandeira Branca.

Nessa loja preferida
E barateira de fato,
Vende-se muito, por pouco,
Pois só se vende barato.

Para o gosto delicado
Do freguês mais exigente,
Tem artigos escolhidos
De qualidade excelente.

Perfumaria estrangeira
Magníficos bordados,
Fazendas de toda a espécie,
Cortinas e cortinados.

Para homens, só se vendo,
Sortimento que é um primor:
Chapéus, cuecas, camisas.
Gravatas de qualquer cor.

Para noivas, nem se fala,
O que há de fino e de chique,
Véus, grinaldas, confecções,
E meias de seda BIC.

Enfim, como todos sabem,
Essa loja da Bandeira,
É a preferida do povo
Por ser a mais barateira.

E agora, ainda por cima,
Pra provar que não me engano,
Só vai vender pelo custo
Todo o resto deste ano.

Vede, pois, ó freguesia,
Comprar barato é que é,
Pechinchas e mais pechinchas
Na loja do Botomé.


sexta-feira, 15 de julho de 2011

Gaudenzi, Adloff e Friedrichs - agentes de beleza urbana

O Instituto Cultural Emilio Sessa, em seu boletim n.º 1, remetido ao Museu Municipal, traz uma importante revelação: os vasos de cimento que foram distribuídos pelas Praças José Bonifácio e Balthazar de Bem, no projeto de remodelação executado durante a administração João Neves da Fontoura (1925-1928), são obras de dois artistas estrangeiros que vieram para o Brasil no início do século XX: o italiano Giuseppe Gaudenzi e o alemão Alfred Adloff. Estes dois artistas também têm seus nomes ligados à execução do nosso principal cartão-postal, o Château d’Eau.



Vasos na Praça José Bonifácio - acervo Museu

Segundo Arnoldo Doberstein, em sua obra Monumentos públicos, turismo e pós-modernidade. Turismo Urbano, Editora Contexto, p. 101, “Os idealizadores do Château d`Eau eram homens da mais sólida formação artística europeia. Giuseppe Gaudenzi, o provável projetista, estudou na Escola de Belas Artes de Roma e Veneza, tendo atuado como professor de escultura no Instituto Técnico Profissional de Roma. Alfred Adloff, o escultor do Netuno e das ninfas do Château d´Eau, era formado na Escola de Belas Artes de Düsseldorf, tendo trabalhado em Berlim, Bélgica e Itália. Adloff foi um dos mais hábeis entre tantos escultores estrangeiros que vieram para o Rio Grande do Sul, no início do século XX. Foi o autor de importantes monumentos no Estado, tais como o monumento ao Barão de Rio Branco (Porto Alegre, 1916), o monumento à Independência (Santa Cruz, 1924), a fonte com a camponesa com o cântaro, também apelidada de Samaritana com a Ânfora (Porto Alegre, 1927), o busto de Apolinário Porto Alegre (Porto Alegre, 1927) e o monumento ao Cônego Champagnat (Porto Alegre, 1940).”
         Gaudenzi e Adloff trabalhavam para João Vicente Friedrichs, proprietário de uma oficina de esculturas e galvanoplastia*, onde produzia imagens, túmulos, mosaicos, lustres e outros objetos de metal. Friedrichs também tem seu nome associado ao Château d’Eau, pois foram nas suas oficinas que as esculturas das ninfas e de Netuno foram fabricadas.

Château d'Eau - foto de Cristianno Caetano

         No Recanto da Memória do Museu Municipal, estão alguns exemplares dos vasos desenhados e produzidos pelos artistas Gaudenzi e Adloff e executados nas oficinas de J. Vicente Friedrichs. Belíssima revelação, pois até agora se suspeitava da origem dos trabalhos, mas desconhecia-se a sua autoria. Cachoeira do Sul, portanto, integra o rol das cidades que possuem exemplares da estética europeia, representativa dos tempos em que os espaços públicos eram nichos de convivência merecedores de cuidados que a modernidade deixou para trás.


Vaso - Recanto da Memória - Museu.
Ao fundo, menino com ganso

Menino com ganso - esboço de Gaudenzi
Gentileza: ICES

*Galvanoplastia: arte de aplicar uma camada metálica aderente sobre qualquer superfície.