Cachoeira de outros tempos

Cachoeira de outros tempos
Rua 7 de Setembro com Banco da Província ao fundo (~1928) - MMEL - Modificado por IA - Renato Thomsen

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Primeiro velocípede a circular em Cachoeira

         Em 8 de fevereiro de 1896 um sujeito conhecido em Cachoeira como “Pedro Faz Tudo”, cujo nome de batismo era Pedro Fortunato Batista Alegri, de nacionalidade italiana, transitou pelas ruas poeirentas de então com um velocípede, sendo o primeiro registro de uso deste equipamento, hoje conhecido genericamente como bicicleta, em nosso Município.
         A experiência despertou o interesse de muitos, como prova a história, pois em 14 de janeiro de 1900 foi inaugurada uma pista de ciclistas e, em 10 de junho de 1900, fundado o Clube Ciclista Cachoeirense, tendo como presidente José de Oliveira, vice Pedro Soares, 1º secretário Afonso Fonseca, 2º Ernesto Moreira e tesoureiro Albino Pohlmann.
Ciclistas do passado... - fototeca do Museu Municipal

         Atualmente um movimento tem ganhado a mídia e a atenção das pessoas. Trata-se do Cicloativado, composto por pessoas das mais variadas idades que incentivam o hábito salutar de circular de bicicleta, colaborando para a redução da emissão de poluentes das descargas dos automóveis, para desobstruir o trânsito caótico da cidade e para reduzir os altos índices de sedentarismo da população.


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Série Lojas do Passado: Agência Ford

Sob a firma Figueiredo & Cia., João Minssen e Antonio Figueiredo constituíram-se em sociedade, com o capital de vinte contos de réis, para a venda de automóveis Ford e todos os acessórios, como pneumáticos, óleos, etc.
A firma estabeleceu uma oficina para montagem e consertos de automóveis, com depósito permanente dos autos Ford. O depósito e a oficina estavam localizados na Rua Sete de Setembro.
Figueiredo & Cia., agentes dos automóveis Ford em Cachoeira, Caçapava, Rio Pardo e São Sepé iniciaram as suas vendas entregando um automóvel para Ricardo Schaurich, residente nesta cidade, e um a Arthur Taurino de Rezende, Intendente do vizinho município de Rio Pardo.
Os antigos agentes, Germano Preussler & Cia. (Germano Preussler, Dr. João Minssen e Euclides Carlos) haviam vendido automóveis Ford ao Tenente-Coronel Ramiro Ramos de Chaves, Coronel David Soares de Barcellos, Luiz Diefenbach, Freitas, Moura & Cia. e Raymundo Preussler, todos residentes em Cachoeira, segundo noticiava o jornal O Comércio do dia 9 de janeiro de 1918.
        Como se vê, Cachoeira é de longa data uma cidade cheia de automóveis.




Aspecto interno da agência

Imagens: fototeca do Museu Municipal

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Insana decisão

            A Prof.ª Renate Schmidt Aguiar (Jornal do Povo, 4 e 5 de fevereiro de 2012) pôs o dedo em uma ferida que corrói aqueles que vivenciaram uma página triste da nossa história e que registra, em meados da década de 1970, a destruição da velha Estação Ferroviária, aquela que dividia a cidade em alta e baixa, conceito que até hoje vigora entre nós: “Encurralada pela ausência de debates isentos e muita adrenalina destrutiva, num dia de junho triste, a turba sem coração e emoção começou a enxergar o fruto de sua pressão e equívoco: os velhos muros começaram a ser derrubados e, em seguida, os trilhos retirados. Foram semanas inexplicáveis, pois quando a coisa aconteceu já veio armada e ávida por ruínas.”
No entanto, é necessário fazer justiça a duas mulheres corajosas de Cachoeira do Sul que procuraram o Prefeito para fazer a defesa da velha Estação. Ambas sonhavam instalar nela um museu, instituição que ainda não havia entre nós. O nome dessas mulheres: Lya Wilhelm e Eluiza de Bem Vidal. A primeira seria a diretora e organizadora do Museu Municipal no final daquela década. A segunda, a primeira diretora e hoje patrona do Atelier Livre Municipal. As duas vozes não encontraram eco e a velha Estação ruiu, levando com ela uma parte importantíssima da nossa história.
Começo da demolição - foto cedida por Claiton Nazar

Prosseguindo em seu libelo, a Prof.ª Renate lança um desafio a que nos associamos: “Ferreira poderia ser a autoestima cachoeirense. Ressuscitar trilhos e dotá-los de um circuito turístico é doidice? No Museu Municipal jaz quieto o trem azul, desmanchando-se diante dos humores do tempo.”
Todos podem colaborar com este desafio – a cidade como um todo ganhará com isto. As gavetas que guardam álbuns de fotografias de inúmeras famílias devem conter registros das nossas estações e paradas de trens. Reconstituir sua história é uma forma de preservar a memória e, quem sabe um dia, estes registros possam integrar um memorial no “trem azul” do Parque Municipal da Cultura que, de certa forma, nos redimirá de uma insana decisão.
Mirian Ritzel

Demarcação da Praça do Pelourinho

               Reza a história que a Praça do Pelourinho – ou a nossa velha e triste José Bonifácio – começou a ter seu terreno demarcado no dia 1º de fevereiro de 1830. Os vereadores, reunidos em sessão naquele dia, decidiram visitar as ruas e praças da Vila, sendo a Praça do Pelourinho a primeira a receber o procurador da Câmara, o fiscal e o arruador para esquadrejar, medir e demarcar o seu terreno, fixando os limites e dimensões da sua área em 400 palmos de frente a Norte, o mesmo de frente a Leste, em quadro, com fundos a Sul. Os ditos 400 palmos correspondem a 88 metros lineares. Assim sendo, o terreno da praça estendia-se entre as atuais ruas Saldanha Marinho e Moron.
Mas os documentos da Câmara dão a entender que a demarcação feita em 1830 só foi efetivamente concretizada em maio de 1848, quando o engenheiro indicado pela Câmara, Manoel Christianno da Silveira, vistoriou o local. Houve a deliberação de que a praça teria então 600 palmos de largura e de comprimento o correspondente à extensão entre a Rua Santo Antônio (atual Saldanha Marinho) e a da Igreja (atual Moron). No dia 23 de maio daquele ano, o Juiz Municipal da Vila recebeu a planta da praça elaborada pelo engenheiro e determinou o levantamento dos marcos de pedra para a efetiva demarcação do recinto da Praça do Pelourinho.
                Como se vê, a história da nossa triste praça tem muito de abandono...


Praça José Bonifácio descampada
Praça J. Bonifácio com paineiras recém-plantadas e cerca de taquaras

A praça em seu período aúreo - final da década de 1920

Retrato atual do descaso - foto Renate S. Aguiar
Imagens: fototeca do Museu Municipal