Cachoeira de outros tempos

Cachoeira de outros tempos
Rua 7 de Setembro com Banco da Província ao fundo (~1928) - MMEL - Modificado por IA - Renato Thomsen

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Cachoeira em 1912

        Você faz ideia de quem eram os vereadores de Cachoeira em 1912? Na realidade, naquele tempo eles eram denominados conselheiros e somavam nove cadeiras, mais dois suplentes.
         A nominata do período 1908 – 1912 era a seguinte:
- Olympio Coelho Leal (presidente)
- José Gomes de Oliveira
- João Baptista Carlos
- Horácio Gonçalves Borges
- Manoel Antônio d’Ávila
- Antônio Antunes de Araújo
- José Weber Filho
- Arlindo de Freitas Leal
- Henrique Bischoff
         Os conselheiros suplentes eram:
- Pedro Stringuini
- Paulino da Silva Breton
         O Conselho Municipal (era assim que se chamava a Câmara Municipal) tinha seus conselheiros eleitos por sufrágio direto para um período de quatro anos e não recebiam salários. A eleição do presidente, secretário e comissões era determinada pelo regimento interno.
         As sessões do Conselho aconteciam no segundo andar do prédio da Intendência Municipal.

         Dos conselheiros acima relacionados, não há qualquer tipo de informação a respeito de Manoel Antônio d’Ávila, Henrique Bischoff e Paulino da Silva Breton, tampouco fotografias. Apesar de haver dados biográficos esparsos, também não há fotografias de José Gomes de Oliveira, Antônio Antunes de Araújo e Arlindo de Freitas Leal. O blog História de Cachoeira do Sul aceita colaborações para trazer à luz dos cachoeirenses de hoje quem foram estes ilustres cidadãos do passado.


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Cine-Teatro Coliseu - inauguração

         No dia 17 de fevereiro de 1938, Cachoeira se engalanou para a abertura da mais nova casa de cinema da cidade, o Cine-Teatro Coliseu, instalado em prédio estilo Art Déco, especialmente construído para este fim e no ponto mais nobre da Rua 7 de Setembro.
O que resta hoje do imponente Cine-Teatro Coliseu
 - foto COMPAHC

         O jornal O Comércio, em sua edição do dia 23 de fevereiro de 1938, assim descreveu as instalações do Cine-Teatro Coliseu:
         “Localizado a Rua 7 de Setembro, num dos trechos mais movimentados e elegantes, o Cine-Teatro Coliseu apresenta feição de soberana grandeza e de magnífica conformação, cuja fachada, obedecendo à harmonia de seus traços, - a qual ostenta perpendicularmente o letreiro de cores encarnado e branco, nos dá uma ideia real, verdadeira da obra prima, bem acabada, moderna e distinta. A entrada, ao alto do que pende um esplêndido lustre, é guarnecida por vistosos corrimãos niquelados, dando-lhe, por isto, forma atraente e chique.

Letreiro hoje - foto Renato Thomsen


A sala de espera, aos lados da qual estão dispostos dois artísticos espelhos, se caracteriza por uma suntuosa escadaria de mármore e pelo fulgor dos coloridos que refletem das luzes e da pintura, constituindo assim um conjunto de rara graciosidade.

 Espaçosa, com poltronas de estilo moderníssimo, a sala de projeções se impõe pelas linhas de sua construção, que lhe dá a faculdade de oferecer ao público todo o conforto indispensável. Com amplas janelas e portas laterais, nela se sente a frescura do ar puro. As cores da pintura, na sua discrição de bom gosto, combinam com o brilho da estrutura do recinto. Também maravilhosamente desperta atenção a plateia superior, para a qual dão acesso duas escadas laterais que são formadas em caracol. Em semicírculo, sobressaem os magníficos balcões, cuja disposição das localidades obedece a filas de duas poltronas. O palco, quer pela sua perfeita organização, pelos seus detalhes admiráveis, como pelas variações de luzes incrustadas em redor de seu artístico quadrante, coopera de modo a dar ao Cine-Teatro Coliseu um relevo de alta imponência.”

Compareceram à inauguração autoridades e convidados, sendo a fita inaugural descerrada pelo Prefeito Reinaldo Roesch na companhia dos proprietários Henrique Comassetto e Algemiro Carvalho.

Para o ato inaugural foi exibido o filme São Francisco, a cidade do pecado, com Clark Gable e Jeannette MacDonald, de 1936.

Cartaz do filme inaugural


        

Cachoeira em 1912

         Já que estamos entrando no período de carnaval e carnaval rima com cerveja, vamos relembrar Cachoeira no ano de 1912, quando tínhamos nossa própria fábrica da bebida.
A Cervejaria Moderna, de Augusto Trommer, situada na Rua Sete de Setembro n.º 7, noticiava, em janeiro de 1912, que havia promovido uma completa reforma e aumento em suas instalações. O proprietário informava à clientela que passaria a fornecer brevemente produtos filtrados, de limpidez impecável. Também havia montado uma fábrica de gelo, cujo produto seria fornecido ao público ao custo de 300 réis o quilo e a 200 réis quantidade a partir de cinco quilos. Mas avisava: só aceitava pagamento em dinheiro!
Prédio da Cervejaria, à direita, com chaminé

Cartão-postal em que aparecem as chaminés da Cervejaria já ampliada

         Fonte: Jornal O Comércio, edição de 10/1/1912.
         Imagens: fototeca do Museu Municipal

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Carnavais de antanho

            Nos albores do século XX o carnaval em Cachoeira tomava as praças e ruas com apresentações das bandas de música e a presença de “mascarados” que perambulavam fazendo gracejos. Os mascarados eram predominantemente do sexo masculino, ou melhor, identificavam-se como tal, uma vez que este tipo de exibição era explicitamente proibido para mulheres de bem.
            Um dos grupos mais antigos que costumava se fantasiar e sair às ruas de Cachoeira, denominado Pirilampos, tomou as ruas no carnaval de 1900 e celebrou alegremente o reinado de Momo.
            Já em 1904 o carnaval de Cachoeira apresentou-se como estratégia de marketing. Ao som do “Zé Pereira”*, os foliões invadiram as principais ruas propagandeando os produtos da fábrica de fumo de Soares Netto, oferecendo-os como presente às pessoas que assistiam ao desfile.
            No ano seguinte, surgiu o Clube Diabo a 4, voltado às pessoas que não eram sócias dos clubes e que mediante ingresso de 3.000 réis podiam participar das folias de Momo. Em 1906, mal das finanças, o Diabo a 4 não pode atender aos foliões. Naquele ano não houve carnaval, pois nem o Zé Pereira saiu às ruas.
            O Bazar Krahe, de Martin Krahe, localizado na esquina da Rua 7 de Setembro com a Travessa 24 de Maio (hoje Rua Dr. Silvio Scopel), comercializava em 1907 serpentina, confetes, bisnagas, lança-perfumes, máscaras, narizes e barbas para o carnaval.
Bazar Krahe - Rua 7 de Setembro - fototeca Museu Municipal

            Nos anos seguintes os foliões seguiam em seu périplo pelas ruas, de forma autônoma, sem coordenação. E os clubes se organizavam para os bailes de “masqué”, com destaque para a dança chamada “polonaise-masqué”, sendo os salões invadidos pelos lança-perfumes e serpentinas.  
        
Fonte: Jornal O Comércio, banco de dados do Museu Municipal
*Zé Pereira: genericamente é brincadeira carnavalesca em que várias pessoas cantam e tocam bumbo enquanto desfilam.