Cachoeira de outros tempos

Cachoeira de outros tempos
Rua 7 de Setembro com Banco da Província ao fundo (~1928) - MMEL - Modificado por IA - Renato Thomsen

sábado, 12 de maio de 2012

Isabel - a Redentora esquecida

             A Princesa Isabel, que pela assinatura da Lei Áurea, no dia 13 de maio de 1888, passou a ser cognominada A Redentora, hoje está praticamente esquecida pelos movimentos negros. No entanto, a história não deixa de incluí-la dentre as grandes personalidades do Brasil do Segundo Império, ocasião em que, nos impedimentos do pai, imperador Pedro II, assumia a regência do país.
Princesa Isabel - a Redentora
                Isabel protagonizou no Brasil do século XIX uma situação que ainda continua sendo nova no século XXI: a de uma mulher conduzindo os rumos do país. O seu ato de assinar a Lei Áurea, contestado ou não, permitiu a mudança de uma situação insustentável para um país que precisava adentrar na modernidade de seu tempo, eliminando a ultrajante escravatura e inquestionavelmente obrigando a sociedade brasileira a se reestruturar e a reconhecer os direitos dos negros como cidadãos.
Lei Áurea, assinada em 13 de maio de 1888


domingo, 6 de maio de 2012

Primeiro mapa de Cachoeira

                 No dia 4 de maio de 1850 o engenheiro João Martinho Buff remeteu à Câmara Municipal o primeiro mapa de Cachoeira, então uma Vila em que havia 422 terrenos, sendo destes apenas 173 edificados. Todos estes terrenos, edificados ou não, estavam estampados no mapa preparado por Buff. Os dados tiveram como base a relação de proprietários e terrenos registrados a partir de 1830. O mapa estava acompanhado por um livro cadastro, exemplar que integra o acervo do Arquivo Histórico.
                A solicitação de um mapa era antiga. Desde 1829 os vereadores reclamavam a confecção de uma planta (mapa) por engenheiro competente ao Presidente da Província.
                A ata da Câmara que registra o recebimento do mapa dizia o seguinte:
“Foi presente a esta Câmara a Planta e Cadastro desta Vila, remetida pelo Engenheiro da Comarca João Martinho Buff, e exige a quantia de 4$500 réis, importância da despesa feita com os utensílios para a mesma Planta. A Câmara ficou inteirada e resolveu que dita Planta fosse arquivada assim como o Cadastro dela e que se ordenasse ao procurador da Câmara que pague ditas despesas e que se leve ao conhecimento de S. Excia. o Presidente da Província o recebimento da dita Planta e Cadastro...”

                No mapa estão listadas as seguintes ruas, com a denominação original e sua correspondente atual:
Rua de Santo Antônio – Rua Saldanha Marinho
Rua do Loreto – Rua 7 de Setembro
Rua da Igreja – Rua Moron
Rua do Paulista – Rua 15 de Novembro
Rua de Santa Helena – Rua Liberato S. V. da Cunha
Rua do Cardoso – Rua Riachuelo
Rua do Amorim – Rua Gabriel Leon
Rua do Passo de Jacuí – Rua Moron
Rua de São João – Rua Pinheiro Machado
Travessa do Matadouro – Rua Major Ouriques
Travessa do Lava-pé – Rua Milan Kras
Travessa do Ilha – Rua Sílvio Scopel
Travessa do Ourives – Rua Andrade Neves
Travessa da Lagoa – Rua Gal. Portinho
Travessa dos Pecados – Rua Ramiro Barcelos
Travessa do Soeiro – Rua Gal. Osório
Travessa da Tapera – Rua Gal. Câmara
Travessa da Igreja – Rua Monsenhor Armando Teixeira
Travessa de São José – Rua Conde de Porto Alegre
Travessa de São João – Rua Félix da Cunha
Travessa de São Jerônimo – Rua Tiradentes
Travessa da Luiza – Rua Tuiuti

Nota: a planta de 1850, confeccionada por J. Martinho Buff, está em processo de restauro em Porto Alegre. A área cultural de Cachoeira do Sul necessita recursos para a integralização das despesas. 


               

Parabéns a você!

   O Blog da História de Cachoeira do Sul está de aniversário. Há um ano postamos aqui notícias, informações, fotografias, documentos e achados da nossa história.
   A motivação da nossa existência é proporcionar a você uma viagem no tempo e, através desta viagem, fazê-lo reconhecer a importância da preservação da memória - patrimônio de todos nós.
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terça-feira, 1 de maio de 2012

O 1.º de Maio em Cachoeira

                O historiador Ícaro Bittencourt em sua dissertação de Mestrado intitulada Patrões e Mutualismo Operário em Cachoeira na Passagem entre os Séculos XIX e XX: o Caso das Sociedades Beneficentes Liga Operária Internacional Cachoeirense e União Operária 1º de Maio*, nos conta como aconteceram as primeiras comemorações de 1º de Maio em Cachoeira.

Historiador Ícaro Bittencourt
                No Rio Grande do Sul, o 1º de Maio começou a ser comemorado a partir de 1892, em Porto Alegre, passando logo também a ser festejado em todas as cidades onde o movimento operário já se manifestava.
                Diz o autor em sua dissertação: “Ao longo da Primeira República, as manifestações de 1º de Maio no Rio Grande do Sul foram, em sua maioria, organizadas pelas inúmeras associações operárias fundadas em diversos municípios do estado. O associativismo operário teve origem na segunda metade do século XIX e expressou-se de diversas maneiras, desde sociedades beneficentes (ou de socorro-mútuo) até sociedades de inspiração socialista e anarquista. Foram essas associações que, representando os operários alijados da política oligárquica então vigente e, também, da relativa prosperidade econômica das atividades rurais e urbanas, construíram os parâmetros identitários para parcelas da classe operária e as representaram politicamente. (...) Na cidade de Cachoeira não foi diferente. As duas associações criadas durante a Primeira República, a SOCIEDADE BENEFICENTE LIGA OPERÁRIA INTERNACIONAL CACHOEIRENSE e a SOCIEDADE BENEFICENTE UNIÃO OPERÁRIA 1º DE MAIO promoveram diversas atividades em alusão ao 1º de Maio. A primeira referência da comemoração da data na cidade é de 1899, ano em que a Liga Operária, em seu livro de atas, instituiu a comemoração do referido dia, já entendida como ‘festividade’ e, provavelmente comemorada com brindes, já que foi explicitado no documento que a copa deveria ser paga pelos sócios.”

                Em sua pesquisa, Ícaro Bittencourt levantou comemorações em sucessivos 1ºs. de Maio, “envolvendo música, foguetes, passeata cívica, etc., etc.” E conclui: “Ambas as sociedades operárias, de caráter beneficente, possuíam como membros não só operários, mas também profissionais liberais, como advogados e médicos, militares, pequenos proprietários e até mesmo empresários industriais da cidade. Essa heterogeneidade na composição das associações, cujos sócios também integravam outras sociedades, (...) imprimiam nelas um caráter de ‘harmonia social’.
*Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em História, UFRGS, 2011.