Cachoeira de outros tempos

Cachoeira de outros tempos
Rua 7 de Setembro com Banco da Província ao fundo (~1928) - MMEL - Modificado por IA - Renato Thomsen

domingo, 23 de junho de 2013

Sérgio Lezama - poeta excepcional

Sérgio Gaspary Lezama foi certamente um dos maiores expoentes da literatura cachoeirense. No entanto, sua vida breve e obra esparsa, nunca publicada no conjunto, trazem seu nome à lembrança de poucos.

Sérgio Lezama em 1945
Acervo pessoal Edgar F. Becker

Nascido em Cachoeira no dia 2 de outubro de 1930, viveu até 14 de novembro de 1966. Apenas 36 anos! Mas apesar da vida breve e de ter a alma aprisionada em corpo doente, foi capaz de produzir poemas atemporais. Divinos.

Onde findam todos os limites
alucinado princípio.
Sou como um rio
a que barco nenhum resiste.

Onde a noite funde-se com a alvorada
ali faço meu horizonte
e ocaso. Sou como a fonte
que a si mesma se bebe insaciada!

Onde Deus começa eu termino
e vice-versa como um rei
que é também bobo da corte.

Em mim coexistem o velho e o menino
por isso nada sei e tudo sei
aquém da vida e além da morte.


Lezama, o 4.º da esquerda para direita, no alto
Acervo pessoal Amoretty Rodrigues




domingo, 16 de junho de 2013

Igreja Santo Antônio

        Em junho, mês de Santo Antônio (dia 13), de São João (dia 24) e de São Pedro e São Paulo (dia 29), já é tradição que a comunidade religiosa da Paróquia de Santo Antônio celebre o seu padroeiro com trezena e outras atividades de congraçamento e louvor.

Santo Antônio - foto Renato Thomsen

        A história da devoção a Santo Antônio é antiga em Cachoeira e se traduz na existência da Igreja Santo Antônio e do bairro que também leva seu nome.

Torres da Santo Antônio - foto Robispierre Giuliani

     O projeto arquitetônico da Igreja coube ao engenheiro, arquiteto e pintor alemão José Lutzenberger, e a sua construção teve início em 1934 por José Stammel, no antigo Bairro Fialho, depois denominado Santo Antônio. A inauguração ocorreu três anos depois, em outubro de 1937, embora ainda estivesse a obra inconclusa.

Projeto arquitetônico assinado por José Lutzenberger - acervo da Igreja

    Verdadeira joia da nossa arquitetura, a Igreja Santo Antônio é inventariada pelo COMPAHC – Conselho Municipal do Patrimônio Histórico-Cultural e compõe com o prédio do extinto Colégio Imaculada Conceição um belíssimo recanto da cidade.


Igreja Santo Antônio - foto Jorge Ritter

sábado, 8 de junho de 2013

Breve cronologia das Tipuanas

1926: o jornal O Commercio, edição de 2 de junho, em sua página dois, noticiava que a Municipalidade tinha mandado vir de Pelotas, da Quinta “Bom Retiro”, do Sr. Ambrosio Perret, grande número de árvores de ornamento e de sombra para serem plantadas nas praças públicas. Dentre estas árvores estavam as tipuanas (Tipuana tipu).

Tipuanas recém-plantadas (1927) - fototeca Museu Municipal
Jovens tipuanas - fototeca Museu Municipal

2006: devido à polêmica que as velhas tipuanas da Praça José Bonifácio começaram a protagonizar, em razão das quedas constantes de galhos e mesmo de árvores inteiras, dividindo a cidade em dois grupos, os defensores da manutenção e os da derrubada, o Prefeito Marlon Santos decidiu pela retirada de todas as tipuanas da Praça. Houve manifestações contrárias, reuniões com o Ministério Público, entidades ambientais e preservacionistas. No final, devido à falta de recursos, o Prefeito desistiu da empreitada.

2008: no dia 5 de novembro, em reunião com integrantes do COMPAHC – Conselho Municipal do Patrimônio Histórico-Cultural, o Prefeito eleito Sérgio Ghignatti anunciou a retirada de todas as tipuanas no início de seu governo.

2009: em 21 de março teve início a operação de retirada das 19 tipuanas condenadas, sobrando 42. A força-tarefa, comandada pelo arquiteto paisagista Henrique Witeck, Chefe do Departamento de Parques e Jardins da Secretaria Municipal de Obras, foi liberada pelo Ministério Público e reuniu os esforços e serviços da Prefeitura Municipal, do Exército e da CELETRO – Cooperativa de Eletrificação Centro Jacuí, apoiados pela AES Sul e Brasil Telecom.

Corte das tipuanas (2009) - fotos Mirian Ritzel

2010: no dia 28 de maio foram replantadas as primeiras oito mudas de tipuanas na Praça José Bonifácio, adquiridas por Henrique Witeck, na cidade de Pareci Novo, ao custo de R$ 15,00 a muda.

Plantio de mudas de tipuanas (2010) - foto Regina G. Buss

2013: no dia 29 de maio um forte vendaval atingiu a cidade e várias tipuanas em diferentes pontos da cidade, assim como outras árvores, acabaram caindo, reacendendo as discussões e provocando a urgente necessidade de repensar a arborização urbana. Com a palavra os especialistas – e que aliem a técnica e o conhecimento ao bom senso.


Florada das tipuanas - foto Mirian Ritzel

domingo, 2 de junho de 2013

E o telefone chega a Cachoeira...


Dezenove anos depois de ter sido instalado o serviço de telefonia no Rio Grande do Sul, na cidade de Pelotas, chegava o telefone a Cachoeira, através da empresa de Emilio Guardiola.
O jornal O Commércio, edição de 25 de maio de 1904, noticiava: “Encontra-se na cidade o Sr. Emilio Guardiola com o intuito de estender uma linha telefônica.”
Emilio Guardiola foi um dos pioneiros do Estado no serviço telefônico. A sua empresa era denominada Telephone Commercial e, ao final de um período de seis anos, já havia instalado em todo o município de Cachoeira 69 aparelhos telefônicos que faziam em média 110 ligações diárias. Já se achavam prontas, em 1911, cinco léguas de linha telefônica de Cachoeira até a Colônia de Cerro Branco, conforme informava o jornal O Rio Grande, de 23 de abril daquele ano.
Em março de 1912, Emilio Guardiola & Filho, nova razão social da empresa, escreveu ao Intendente Isidoro Neves solicitando a dispensa do pagamento do imposto de Indústria e Profissão Municipal por ter cedido gratuitamente ao Município três aparelhos telefônicos, o que pela tabela então em vigor correspondia à quantia muito superior ao imposto taxado. Isidoro Neves atendeu à solicitação.
Emilio Guardiola faleceu em 1915 e a empresa passou a se chamar Viúva Guardiola & Filhos. Em 1917, Cachoeira ligou-se por linha telefônica a Porto Alegre, serviço prestado pela Companhia Telefônica Rio-Grandense.
Por décadas os telefones em Cachoeira estavam restritos às empresas, repartições públicas e residências. Somente na década de 1970 foram instalados os primeiros telefones públicos, os “orelhões”, tendo sido inaugurado o primeiro deles nas proximidades do Edifício Brasília, na Rua Andrade Neves, pela então Delegada de Ensino, professora Lya Wilhelm.



Lya Wilhelm inaugura o serviço de "orelhões"
- fototeca Museu Municipal