Cachoeira de outros tempos

Cachoeira de outros tempos
Rua 7 de Setembro com Banco da Província ao fundo (~1928) - MMEL - Modificado por IA - Renato Thomsen

sábado, 1 de março de 2014

Desfiles de rua de antigos carnavais

As ruas de Cachoeira têm sido palco das folias de Momo há mais de um século. Inicialmente bandos de mascarados invadiam as ruas em brincadeiras barulhentas para saudar a alegria típica do período de carnaval e incitar a cidade a participar da folia. Depois começaram a se organizar os primeiros bailes, geralmente de máscaras, e as sociedades locais passaram a promover para seus sócios noites de alegria, embalando-os ao som das bandas musicais existentes e envolvendo-os em atmosfera repleta de confetes, serpentinas e do ainda inocente lança-perfume.
Os desfiles de rua também passaram a marcar presença obrigatória nas comemorações de Momo. Cachoeira, a exemplo de outras cidades, entregou suas ruas à criatividade dos carnavalescos. A organização das chamadas escolas de samba, responsáveis pelos desfiles de rua atuais, têm história mais recente. Naqueles tempos, ao contrário de hoje, grupos, blocos e sociedades organizavam carros alegóricos ao seu critério, havendo inclusive concursos que escolhiam o carro melhor ornamentado e aquele que carregasse os foliões mais animados.

Carro alegórico do Bloco Alvi-Rubro - carnaval de 1922
Autor: Torquato Ferrari - acervo familiar

O uruguaio radicado em Cachoeira Torquato Ferrari foi  um entusiasta carnavalesco que colocou sua habilidade e criatividade de escultor a serviço da folia, criando carros alegóricos que fizeram história no carnaval de Cachoeira. Na década de 1930, segundo noticia a imprensa, visitantes de outras cidades, como Santa Maria, Caçapava e Rio Pardo, deslocavam-se para Cachoeira a fim de assistirem aos desfiles de rua e apreciar os incríveis carros alegóricos que desfilavam.

Carro alegórico executado por Torquato Ferrari
- acervo familiar

O uruguaio Torquato Ferrari - foto de 1941
- acervo familiar




quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Série Lojas do Passado: Viúva José Müller & Cia.

Havia em Cachoeira uma grande casa comercial fundada na Colônia Santo Ângelo pelo imigrante alemão José Müller e depois estabelecida na Rua Sete de Setembro, esquina com Rua Sete de Abril, hoje Dr. Milan Kras. 


Viúva José Müller & Cia. - Rua Sete de Setembro - arquivo familiar

José Müller transferiu-se para Cachoeira a fim de expandir os negócios e oferecer melhores condições de vida à sua família. Ele era natural da localidade de Radl e chegou à Colônia Santo Ângelo com os pais Floriano Müller e Barbara Demuth.

José Müller - fototeca Museu Municipal
Fundada em 1883, a firma foi transferida para Cachoeira em 1894. Em 1902, a razão social mudou para José Müller & Irmão, quando foi admitido o sócio Ernesto Müller. Em 1911, nova entrada de sócio: Emílio Barz, passando a denominação da firma para José Müller & Cia. Ltda.

Ernesto Müller - arquivo familiar
José Müller, para relembrarmos um pouco de sua história, foi o fundador da Schützen-Verein Eintracht, atual Sociedade Rio Branco, em agosto de 1896, quando reuniu amigos e simpatizantes em sua residência, na Rua Sete de Setembro, traçando os passos iniciais deste que é o mais antigo clube social ainda existente em Cachoeira. José faleceu em 21 de fevereiro de 1911, quando então houve nova mudança de razão social para Viúva José Müller & Cia., assumindo o negócio a sua esposa Augusta Lange Müller.



Interior da firma, vendo-se ao fundo, em pé, Ernesto Müller.
Sentado, ao centro, o outro sócio, Emílio Barz - arquivo familiar

Além do comércio de secos e molhados, fazendas, louças e ferragens, a firma foi a primeira a realizar transações bancárias na cidade, sendo correspondente do Brasilianische Bank für Deutschland, oferecendo facilidade de crédito para lavoura, pecuária e comércio.
A firma Viúva José Müller & Cia. também atuava com agricultura, mantendo grande área com cultivo de arroz no Município.
Em setembro de 1924, a firma extinguiu-se, sendo transferidos, um ano depois, o ativo e os débitos dos fregueses à firma Arnaldo & Cia., de Porto Alegre.


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Série: Cachoeira Futebol Clube - 1914 - 2014

A primeira diretoria do Cachoeira Futebol Clube, eleita em 28 de fevereiro de 1914, estava constituída dos seguintes membros:
- Presidente: Theobaldo Ruschel
- Vice-Presidente: Cícero Teixeira
- 1.º Secretário: Percival G. Ilha
- 2.º Secretário: Cyro da Cunha Carlos

Cyro da Cunha Carlos - primeiro à esquerda  - arquivo particular

- 1.º Tesoureiro: Demétrio Lorentz
- 2.º Tesoureiro: Armando Almeida
- Capitão Geral: Arthur Fetter
- Orador oficial: Mário Godoy Ilha

Mário Godoy Ilha - galeria de Prefeitos

- Guarda Esporte: Arno Trommer

Arno Trommer - sentado, ao centro - Grande Álbum de Cachoeira - 1922


- Diretor de Campo: Raul Almeida

Busca-se imagens dos outros membros da Diretoria. Colabore com a memória do Cachoeira Futebol Clube no ano de seu centenário.


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Dr. Silvio Scopel

O Jornal do Povo, em sua edição de 7 de fevereiro de 1935, publicou o seguinte texto, em comemoração ao aniversário natalício do médico Silvio Scopel, italiano que se radicou em Cachoeira, granjeando o respeito e a admiração da cidade que o homenageou com o nome de uma rua e de um bairro:

Há um quarto de século, mais ou menos, a assistência médica à população deste município era sobremodo deficiente. A profissão médica era, então, geralmente encarada como um meio de fazer fortuna rapidamente. 
Não admira, pois, que os necessitados da velha arte de curar fugissem ao abrigo da clínica local: os remediados e abastados, receosos dos bruscos desequilíbrios financeiros, e os pobres, naturalmente, por sentirem que a sua clientela não era agradável à orientação do medicalismo local...
Destarte o campo da clínica, em um município aliás rico e de basta população, relativamente tomava um aspecto pouco convidativo da clínica médica, mantendo-se, por isso, pouco volumoso o corpo médico local.
Estavam as coisas neste pé quando apareceram por aqui dois médicos chegados diretamente da Itália, Drs. Silvio Scopel e Dalvesco. O primeiro, caracteristicamente clínico, e o segundo, também clínico, mas especialmente em cirurgia. Seu destino era Santa Maria, mas ocorreram circunstâncias que os detiveram aqui.
Por fim, fixaram-se em Cachoeira, de onde, dentro de um ano, mais ou menos, regressou para sua terra natal o Dr. Dalvesco, tendo aqui deixado um largo círculo de amigos e admiradores, tanto se fizeram apreciáveis suas qualidades de médico e de homem. Aliás, ambos eram cavalheiros da coroa italiana.
Dalvesco, infelizmente, não regressou. A morte o surpreendeu ainda moço, na sua Pátria. 
O Dr. Silvio Scopel, que hoje celebra o seu aniversário natalício, entre bênçãos da população cachoeirense, fixou aqui sua residência, constituindo família.

Dr. Silvio Scopel - fototeca do Museu Municipal

Na celebração desta auspiciosa data é oportuno rememorar que, desde o início da permanência deste nobre e benemérito facultativo entre nós, verificou-se esta situação feliz: a assistência médica tornou-se, desde logo, acessível a todas as bolsas, mesmo àqueles que não possuem bolsa alguma, sendo que desde muito Cachoeira conta com um dos melhores corpos médicos do Estado, pelo vulto, pela capacidade e pela orientação sacerdotal.
Cachoeira tem esta felicidade: possui, neste particular, uma das melhores assistências que se pode desejar, tanto no aspecto clínico como no cirúrgico, chefiado pelo Dr. Félix Garcia.
O nome do Dr. Scopel, como clínico, pode-se dizer que é conhecido e acatado em todo o país, pois quando se instalou em Porto Alegre o Congresso Médico, presidido pelo Mestre dos clínicos brasileiros, Dr. Miguel Couto, este o convidou para tomar parte no Congresso, apesar do nosso aniversariante não ter o seu diploma transitado pela Academia Brasileira.
O Jornal do Povo, associando-se à celebração de sua data aniversária, exibe, em clichê, a efígie do aniversariante, apanhada por um de seus doentes, na ocasião em que o benemérito clínico auxiliava uma operação no Hospital de Caridade.

Clichê com o perfil do Dr. Silvio Scopel publicado no Jornal do Povo, edição de 7/2/1935

Através do texto publicado no Jornal do Povo, relembramos este médico italiano que chegou há 100 anos em Cachoeira, participando ativamente da vida da comunidade e contribuindo para elevar a medicina aqui praticada.
Quanto ao Dr. Alvise Dalvesco, sua vontade e patriotismo levou-o de volta a terra natal, onde tomou parte na Primeira Grande Guerra, lá perecendo. Dr. Scopel também queria ter voltado à Itália para defendê-la naquela guerra, mas motivos de saúde o impediram. Quis o destino que ele ajudasse a escrever uma parte da nossa história.