Cachoeira de outros tempos

Cachoeira de outros tempos
Rua 7 de Setembro com Banco da Província ao fundo (~1928) - MMEL - Modificado por IA - Renato Thomsen

domingo, 15 de dezembro de 2013

Lya Wilhelm - uma mulher à frente de seu tempo

“Importante é que estejamos imbuídos da convicção de que o tempo que estamos vivendo é e deve ser social. Que o tempo é de desmistificação.” A presente frase, cheia de significado contemporâneo foi escrita há 21 anos pela museóloga Lya Wilhelm. Demonstra, no conteúdo e na forma, o quão prospectivo era o pensamento desta cachoeirense que poderia ter ganhado o mundo, tal a qualidade de sua formação, mas que preferiu investir na sua cidade o grande capital intelectual que possuía.

Lya Wilhelm e Mirian Ritzel nos 30 anos do Museu Municipal - 2008

No momento em que Cachoeira do Sul comemora os 35 anos de seu Museu Municipal, é imperioso que o nome de Lya Wilhelm seja reverenciado, pois coube a ela não apenas a sua organização e funcionamento; coube-lhe muito mais: a definição da linha museológica e museográfica, conceitos ainda novos para o Brasil do final da década de 1970, quiçá para uma cidade do interior do Rio Grande do Sul.
Dentro da concepção de Lya, formada em Filosofia pela Ufrgs, com especialização em Pedagogia Social, na Alemanha, e em Tecnologia Educacional pela PUCRS, “o museu deveria ser um laboratório que promovesse pesquisas, estudos práticos e teóricos de interesse da população cachoeirense, um conservatório para guardar, conservar e valorizar os bens culturais, uma escola capaz de formar homens críticos, que apreendam melhor os problemas de seu meio e da sua cultura, um catalisador de iniciativas e ações comunitárias e um campo de descentralização e emergência dos grupos minoritários”. Incrível clarividência!
E Lya Wilhelm ainda vai além: “a disseminação da consciência museológica deve afastar, cada vez mais, da ideia sacral de que o museu é uma vitrine de objetos representativos para uma elite do ter, do saber e do poder, onde não se encontra a vida cotidiana e os problemas reais das populações concernentes; que a história é a contada pelos vencedores.”
Seu pensamento avançado em termos museais, naturalmente o era também nas questões de preservação dos bens culturais. Foi ela pioneira na educação patrimonial, tornando-se ativista da preservação, fundadora e primeira presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico-Cultural – Compahc. Quando a nossa velha Estação Ferroviária teve noticiada a demolição, alçou sua voz, juntamente com Eluiza de Bem Vidal, na tentativa isolada de salvar aquele bem. Dez anos depois, liderou os processos de tombamento, cabendo à professora Eluiza a descrição dos primeiros bens tombados.
Muito pode ser dito a respeito de Lya Wilhelm: sua capacidade de gestão de bens e pessoas, sua firmeza de opinião, seu conhecimento especializado, sua dedicação às causas da cultura de sua terra. Mas hoje cabe ressaltar uma evidência: os seus passos arrojados e avançados dotaram Cachoeira do Sul de um museu que se tornou grande para a cidade, apesar de já pequeno em espaço. Sua grandeza foi forjada no pensamento de uma mulher que, à frente de seu tempo, voltava os olhos para o passado, pois entendia que “se a história familiar é fundamental na estruturação da personalidade de um homem, se a ausência de história familiar é trágica para a personalidade de um indivíduo, a história de uma comunidade, de um povo devem ser fundamentais na formação de uma geração. Não saber quem somos, não saber de onde viemos, não termos identidade cultural nos torna presa fácil de interesses alienígenas ou da total alienação.”
Saudades, D. Lya!

Mirian Ritzel, 15/12/2013 – 35.º aniversário do Museu Municipal.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Retrato do Coronel Horácio Borges

Uma lei municipal, de n.º 76, assinada pelo Sub-Intendente João Luiz Pinheiro em 10 de dezembro de 1917, autorizava o Intendente a adquirir um retrato do falecido Cel. Horácio Gonçalves Borges para figurar no salão nobre da Intendência.
O artigo 1.º da lei justificava a aquisição do retrato e a sua colocação no salão nobre como homenagem à memória do abnegado cidadão pelos serviços prestados ao Município, cabendo ao Intendente determinar a época conveniente para a inauguração, revestindo o ato de toda a solenidade.

Cel. Horácio Gonçalves Borges - fototeca Museu Municipal

Horácio Gonçalves Borges nasceu em Cachoeira no dia 4 de abril de 1857, filho de Antônio Gonçalves Borges e Rufina de Lima Borges. Foi chefe político e líder do Partido Republicano Rio-Grandense, tendo assumido o cargo de Intendente municipal por um período curto: de outubro a dezembro de 1912.
Proprietário de grande extensão de terras em Restinga Seca, então distrito de Cachoeira, era chamado de coronel porque tinha este posto na Guarda Nacional, sendo comandante da Brigada 64.
Casou com Georgina Heredia, com quem teve os filhos Horácio, Horacinda e Rufina. Seus filhos naturais eram Álvaro, Afonso, Olímpia, Armando, Olmira e Aparício.
O Cel. Horácio Borges faleceu no dia 9 de outubro de 1917 e parte de sua propriedade, situada no atual município de Restinga Seca, segue com a família. Há no local um museu que pranteia a memória do proprietário ilustre.



domingo, 24 de novembro de 2013

Nero Moura - um cachoeirense pelos céus

O cachoeirense Nero Marques Moura fez história singrando os céus do Brasil e do mundo.
Nascido em Cachoeira no dia 30 de janeiro de 1910, Nero Moura ingressou no Colégio Militar em Porto Alegre, seguindo os estudos na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, onde optou pela aviação, então uma das armas do Exército Brasileiro.
Sua carreira de aviador foi muito bem sucedida, com destaque para o comando de 32 pilotos nos céus da Itália durante a II Guerra Mundial.

Nero Moura à frente de um P47

Homenageado pela terra natal com busto junto ao Aeródromo Nero Moura, tem agora a companhia de um avião Xavante doado pela Força Aérea Brasileira, constituindo-se Cachoeira do Sul a única cidade brasileira a possuir uma aeronave deste tipo sem ter base aérea.

Xavante e busto de Nero Moura - foto David K. Minuzzo





sexta-feira, 15 de novembro de 2013

15 de Novembro em Cachoeira

      Já vai longe o tempo em que as escolas, os poderes constituídos e outras instituições da cidade comemoravam com festas, atividades cívicas e distinções no calendário a data dedicada à proclamação da República.
        Eram comuns as comemorações em torno do prédio do Paço Municipal, sede do governo do Município desde 1865. A Praça Dr. Balthazar de Bem, ou mesmo antes de assim ser denominada, enfeitava-se para celebrar a data. Desfiles temáticos eram levados a efeito em torno daquele logradouro e, a partir de 1915, com a presença do Colégio Elementar Antônio Vicente da Fontoura, os professores e alunos daquele educandário faziam suas sessões cívicas à República naquele local.

Flagrante de comemoração de data cívica na Praça Dr. Balthazar de Bem
- cartão-postal da fototeca do Museu Municipal


        Hoje, a exemplo de tantas outras datas esquecidas, a de 15 de Novembro, que aliás dá nome à rua que passa defronte ao Paço Municipal, sequer nos faz lembrar o ato do Marechal Deodoro da Fonseca, aquele que nutria, tal qual Silveira Martins, o amor pela mesma mulher. Mas esta já é outra história...