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Ponte do Fandango - Robispierre Giuliani

sábado, 2 de novembro de 2019

Mortais, lembrai-vos que fomos o que sois e sereis o que somos


“Mortais, lembrai-vos que fomos o que sois e sereis o que somos”. Esta frase conduz à reflexão sobre a inexorabilidade da morte e faz adentrar pelos caminhos que conduzem aos sepulcros dos que repousam eternamente no cemitério mais antigo de Cachoeira do Sul.

Cemitério das Irmandades - Foto Ucha Mór

Era prática desde o Brasil Colônia o sepultamento dos fiéis dentro dos templos e em seu entorno. Em Cachoeira não era diferente. Desde a construção da capela na Aldeia que este era o procedimento. Com a inauguração da Igreja Matriz no local onde até hoje está, o vigário não perdeu o hábito. Os mortos eram enterrados nos fundos, na frente e dentro da igreja.

Igreja Matriz - Foto Museu Municipal

A necessidade de um cemitério para a Vila era entendimento de muitos, dentre eles, alguns membros das Irmandades da Igreja Matriz, especialmente a de Nossa Senhora da Conceição e do Santíssimo Sacramento. Um dos membros, de nome Bernardo Moreira Lírio, doou terreno nas proximidades da Aldeia para tal fim. Mas eram muitos os entraves e azedos alguns humores...

Até que em 1827 o cirurgião-mor Gaspar Francisco Gonçalves, impressionado pelo estado lastimável da Igreja Matriz em razão dos sepultamentos em seu recinto, chamou a atenção dos vereadores sobre os riscos que tal prática podia causar à saúde pública. Além do ar nauseabundo, as matérias emanadas das paredes ofereciam riscos.

O alerta foi feito, mas as ações ainda demorariam cinco anos. Somente em 1832 é que cessaram os enterros dentro da igreja.

No dia 16 de janeiro de 1833, uma ata de sessão de vereança, assinada pelos vereadores Manoel Álvares dos Santos Pessoa e José Pereira da Silva, registrou o recebimento do ofício nº 37, encaminhado pelo vigário da Freguesia, Padre Ignácio Francisco Xavier dos Santos, acusando ter recebido a chave do Cemitério da Aldeia, depois denominado Cemitério das Irmandades Conjuntas, como o é até nossos dias. 

Pórtico do Cemitério das Irmandades - COMPAHC

O Cemitério das Irmandades mudou muito de 1833 para cá e praticamente não guarda mais nenhum vestígio daqueles primeiros tempos, o que é de se lastimar. Mas ainda conserva em seu recinto uma riqueza imensa em arte tumular, eivada do simbolismo que nos remete à ideia de que a morte é só um caminho. Mas quem quer trilhá-lo?

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