Cachoeira de outros tempos

Cachoeira de outros tempos
Rua 7 de Setembro com Banco da Província ao fundo (~1928) - MMEL - Modificado por IA - Renato Thomsen

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Dia Internacional do Meio Ambiente

"Cada dia a natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não haveria pobreza no mundo e ninguém morreria de fome." Mahatma Gandhi


Parque Witeck - foto Henrique Witeck

O Dia Internacional do Meio Ambiente, comemorado em 5 de junho, tem como tema, no ano de 2011, Florestas: a natureza a seu serviço e busca ressaltar a conexão intrínseca entre qualidade de vida e saúde dos ecossistemas florestais, celebrando também o Ano Internacional das Florestas.

domingo, 29 de maio de 2011

Cândida Fortes Brandão

No mês de maio, a Escola E. E. F. Cândida Fortes Brandão completa aniversário de fundação. E carrega, em uma justa homenagem, o nome de uma das mais ilustres professoras da nossa história, mulher que conquistou seu diploma em uma época em que raros eram os mestres com formação teórica para o exercício do magistério.

Quem era, afinal, Cândida?

Cândida Fortes - acervo Museu Municipal

Filha de Fidêncio Pereira Fortes (natural do Rio de Janeiro) e de Clarinda de Oliveira Fortes (natural de Santa Catarina), Cândida de Oliveira Fortes nasceu a 23/4/1862. Em 1885, diplomou-se professora pública pela Escola Normal de Porto Alegre. Em Cachoeira, lecionava em uma aula pública mista. Também dava aulas particulares.
João Neves da Fontoura, em suas Memórias (1.º vol. Borges de Medeiros e seu Tempo, Ed. Globo, 1969, pp.150 e 151), conta ter sido aluno de Cândida e tece o seguinte comentário:  “D. Cândida Fortes, normalista, filha da nossa terra, escritora, já publicara um livro de poesias, intitulado Fantasias. (...) Era uma pessoa destacada. Lembro-me de vê-la – quando de minha infância – vestida com os trajes simbólicos da República, inclusive barrete frígio, numa festa comemorativa ao 15 de Novembro.”
O livro escrito por Cândida e que João Neves refere foi assinado com o pseudônimo de Canolifor, ou seja, as primeiras sílabas de seu nome. Há um exemplar da obra no Museu Municipal, assim como está em exposição a palmatória que ela utilizava para castigar os alunos que não se comportavam.
Segundo o próprio João Neves, “havia na autora espontaneidade para versejar, mas de maneira medíocre, no tom da época e sem nada que lhe desse a duradoura marca da criação literária.” De fato perdurou para a história a imagem de Cândida professora, ficando a carreira literária em segundo plano. Aliás, como escritora, colaborava regularmente com o jornal O Comércio, em artigos de recomendações às moças, com cunho educativo, e de exaltação aos republicanos. Utilizava-se também do pseudônimo Marina.
Por ocasião da morte do Barão do Rio Branco, em 1912, houve um concurso nacional para produção de texto ressaltando as qualidades do estadista. Cândida venceu o concurso e seu texto foi lido junto ao túmulo do Barão em ocasião de homenagem.
Em 1915, ao ser criada a Escola Elementar, foi nomeada diretora. Naquele mesmo ano sugeriu que a escola recebesse o nome de Antônio Vicente da Fontoura. E assim se conserva o nome até hoje.
Cândida casou-se em 28/10/1901, com Augusto Cezar Brandão, promotor público e juiz distrital. O casal residia na Rua Moron, 65. Não tiveram filhos.
Cândida Fortes Brandão faleceu em 4/11/1922. Contava 60 anos.

O marido Augusto Brandão
- foto extraída da publicação
Cachoeira Histórica e Informativa, 1941,
de Manoel e Vitorino C. Portella








sábado, 28 de maio de 2011

Bombas de gasolina

Em tempos de combustíveis com preços pela hora da morte e de postos de gasolina com oferta variada de serviços aos motoristas e seus veículos, vamos dar um passeio pelo passado e descobrir quais foram os pioneiros de Cachoeira nesta atividade.

A primeira bomba de gasolina da cidade era da marca ATLANTIC e estava instalada junto à Agência Bromberg, na Rua Saldanha Marinho, esquina Dr. Milan Kras (onde atualmente está uma das lojas dos Supermercados Tischler). Foi aberta em 21 de março de 1927, às 17h, e o agente B. V. Azambuja ofereceu chope aos choferes (era assim que os motoristas eram chamados) e mais pessoas presentes ao ato de inauguração.


Primeira bomba de gasolina - 1927 - acervo Museu Municipal
 
No dia seguinte, 22 de março, foi inaugurada a bomba de gasolina instalada na Rua Moron, na Praça Balthazar de Bem, defronte à Igreja Matriz.

Bomba de gasolina da Praça Balthazar de Bem - acervo Museu Municipal

Para disciplinar a instalação das bombas de gasolina na cidade, o Intendente João Neves da Fontoura, através do Decreto n.º 256, de 16/2/1927, determinava que as bombas fossem instaladas de modo a conservarem entre si a distância mínima de três quadras edificadas, contadas em linha reta, para cada rua.
No dia 9 de abril de 1927, a STANDARD OIL CO. OF BRAZIL, agenciada por João Minssen, inaugurou a sua bomba na esquina das ruas Júlio de Castilhos com Juvêncio Soares, defronte ao prédio ainda existente, embora bastante modificado. Esta bomba funcionava inclusive aos domingos, tendo depósito com grande capacidade. No dia da inauguração, houve farta distribuição de copos de chope aos motoristas, proprietários de automóveis, representantes da imprensa, do comércio e da indústria que lá compareceram. A foto da ocasião festiva foi feita pelo fotógrafo A. Saidenberg e integra a fototeca do Museu Municipal.


Bomba da Standard Oil Co., agente João Minssen - 1927 - acervo Museu Municipal


Nos primeiros dias de 1928, na Rua 7 de Setembro, esquina Rua Ramiro Barcelos, a Companhia ANGLO-MEXICAN também inaugurou sua bomba de gasolina. O agente era Ernesto Grasser que ofereceu um copo de cerveja aos presentes na inauguração.

Em 2 de julho de 1929, nas proximidades da praia, em frente à casa comercial de Alcides Machado de Oliveira, foi instalada uma bomba de gasolina STANDARD.

Como se vê nessas informações colhidas na coleção do jornal O Comércio (Cachoeira, 1900 – 1966), os antigos distribuidores de combustíveis possuíam inicialmente uma única bomba de abastecimento, sendo a empresa ATLANTIC a pioneira em nossa cidade. Fácil perceber também que, ao final da década de 1920, pelo desenvolvimento que a cidade alcançara, grande já era a frota de automóveis, o que justificava as diversas iniciativas do setor.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Banda Musical Estrela Cachoeirense

Cachoeira do Sul é uma cidade musical. Sua história contém música desde os tempos em que os guaranis das Missões estabeleceram-se na Aldeia. Reza a história que os padres jesuítas iniciavam os índios nos misteres desta arte e não deve ter sido diferente com aqueles que vieram para cá.
Os outros grupos que acabaram por formar o mosaico étnico em que nos constituímos também associaram sua musicalidade aos traços culturais que nos caracterizam.
Bandas, conjuntos, grupos instrumentais e talentos individuais surgiram ao longo das décadas. Mas destaque especial merecem as bandas musicais que embalavam, ao som de dobrados e marchas, os acontecimentos da cidade, fossem eles de cunho social, político ou religioso.
Dentre essas bandas, uma se sobressaiu, seja pelo tempo de existência, seja pelo número de componentes e pela organização e repertório: a Banda Musical Estrela Cachoeirense, cujo auge da fama experimentou ao tempo em que esteve sob a regência do maestro Miguel Iponema.
Fundada em 14 de dezembro de 1870, a Banda teve como primeiro regente o maestro Roberto Francisco da Silva, que hoje é nome de rua em Cachoeira. Subvencionada pela Intendência Municipal, dava retretas aos domingos nas praças e durante festejos comunitários. Miguel Iponema deve ter assumido a regência da Banda por volta de 1912, quando veio de Santa Maria.
Negro de grande estatura, Iponema, que integrava o corpo da Brigada Militar, imprimiu características marcantes ao grupo de músicos que dirigia, aliás um grupo bem numeroso. Disciplina, organização e postura dos participantes eram exigências do regente. Todos deviam também estar elegantemente fardados, como atesta a foto registrada no Grande Álbum de Cachoeira, de Benjamin Camozato, editado em 1922.


No repertório da banda constavam, dentre outras músicas, a Princesa das Czardas e Viúva Alegre. Antes de assumir a regência da Banda Musical Estrela Cachoeirense, Miguel Iponema havia integrado o Grupo Frohsinn, regido por João Moser.

Outro músico que integrou a Estrela Cachoeirense foi o pintor de paredes José Cândido Rodrigues, que em 1925, através das páginas do jornal O Comércio (Cachoeira, 1900 - 1966), agradecia às pessoas que o ajudaram a integralizar a soma necessária para adquirir o contrabaixo com que tocava na Banda. José Cândido, elegantemente vestido, ilustra a foto que sua filha, Maria de Lourdes Rodrigues, doou ao Museu Municipal.

José Cândido Rodrigues - acervo Museu Municipal