Cachoeira de outros tempos

Cachoeira de outros tempos
Rua 7 de Setembro com Banco da Província ao fundo (~1928) - MMEL - Modificado por IA - Renato Thomsen

domingo, 20 de dezembro de 2020

"A cidade hoje olha o seu patrimônio e diz: isso aqui é meu!"

 Cachoeira do Sul perdeu no dia 18 de dezembro de 2020 um de seus mais participativos cidadãos. O arquiteto Osni Schroeder, liderança em movimentos de preservação e recuperação de bens do patrimônio histórico-cultural partiu aos 69 anos, enlutando a comunidade cachoeirense.


Osni Schroeder - pontedepedra.blogspot.com

Em sua última aparição pública, ocasião do lançamento do livro-arte Cachoeira do Sul #belaquesóela, em live na TV Cachoeira, Osni falou de sentimento e da resistência de uma parcela da comunidade com relação à preservação de patrimônio. Felizmente, segundo ele, houve uma mudança de paradigma a partir do movimento pela recuperação da Ponte de Pedra e da chegada da Universidade Federal de Santa Maria, com o curso de arquitetura.. Esse sentimento se estendeu a partir da experiência com a Ponte de Pedra, despertando o interesse de recuperação de outros bens que igualmente precisavam de socorro. Aos poucos as pessoas foram estabelecendo uma relação de pertencimento com os bens coletivos e Osni pôde afirmar: 

"A cidade hoje olha o seu patrimônio e diz: isso aqui é meu! O amor por Cachoeira existe, podia estar adormecido, mas existe."


Integrantes do movimento pela recuperação da Ponte de Pedra
e conselheiros do COMPAHC. Osni Schroeder (em pé à direita)
- nov. 2011 - foto Renato Thomsen


Live de lançamento do livro Cachoeira do Sul #belaquesóela
- TV Cachoeira

Osni Schroeder tinha razão ao afirmar esse amor. Cachoeira do Sul hoje entende muito mais a relevância de sua história e das marcas por ela deixada, estancando em ações coletivas os focos de resistência que ainda existem. E essa mudança de olhar só acontece porque homens e mulheres que, como Osni Schroeder - e espelhados em sua conduta, tecem dia a dia os fios que entrelaçam amor, respeito e valorização da memória e do legado que foi trazido até aqui. O desafio segue, pois a geração atual tem o compromisso de transmitir bens intangíveis aos seus pósteros.

Muito obrigada, mestre Osni! Teu valoroso trabalho a serviço do engrandecimento e perpetuação da memória da tua terra seguirá nos inspirando e certamente frutificará.


Card do Movimento pela restauração do Château d'Eau
- arte: Thiago Cazarotto

Vide:

http://amigosdaculturacachoeiradosul.blogspot.com/2020/12/videos-belaquesoela-participacao-osni.html?m=1

https://pontedepedra.blogspot.com/2020/12/homenagem.html

domingo, 6 de dezembro de 2020

Cachoeira do Sul #belaquesóela em breve nas bancas!

Um livro-arte para ressaltar as belezas de Cachoeira do Sul em imagens e palavras.

Não perca tempo e adquira o seu. Para guardar e presentear!




sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Cachoeira do Sul #belaquesóela - lançamento

Cachoeira do Sul, no ano de seu bicentenário de instalação como município, ganhará um presente que nasceu do sonho de um grupo de ativistas da Cultura, sempre dispostos a enaltecer a sua terra.

Desde 2018, entre conversas, encontros e planejamentos via WhatsApp, o sonho foi ganhando forma. Das mais diferentes áreas, lugares e idades, os integrantes do grupo adquiriram uma única e atemporal linguagem: a do amor à nossa terra, seja de naturalidade ou por adoção. Os ativistas e amorosos cachoeirenses do grupo são:

Armando Fialho Fagundes

Carlos Eduardo Florence

Cristina da Gama Mór

Eliane Rosely Schuch

Elisabete Farias da Silva

Elizabeth Thomsen

Ione Maria Sanmartin Carlos

Liberato Vieira da Cunha

Mafalda Roso

Maria Lúcia Mór Castagnino (Ucha Mór)

Marô Vieira da Cunha Silva

Mirian Regina Machado Ritzel

Osni Schroeder

Péricles Purper Thiele

Robson Alves Soares

Em 2020, apesar do cenário pandêmico e das restrições impostas pela inusitada situação, o livro Cachoeira do Sul #belaquesóela se materializou. Imagens da cidade bela através dos cliques de Renato Thomsen, Robispierre Giuliani e César Roos, fotógrafos que abasteciam as colunas de Carlos Eduardo Florence no Jornal do Povo, mais os registros feitos por Mário Henrique Kämpf, Maurício Thomsen, Ernani Marques e Rodrigo Sklar forneceram o mote para encontrar na literatura a companhia perfeita de poetas e escritores cachoeirenses para ressaltar as potencialidades de Cachoeira do Sul. 

Depois de um trabalho exaustivo, Mirian Ritzel, Elizabeth Thomsen e Camila Carrazoni Mendes Ribeiro, diagramadora, deram o formato final da obra que nasceu coletiva e será de toda a coletividade cachoeirense. Não há atores principais nem coadjuvantes na construção do sonho. Há, sim, homens e mulheres imbuídos de uma só missão: valorizar, difundir e mostrar que Cachoeira do Sul é, sim, uma cidade bela que só ela! Ontem, hoje e sempre! 

A Associação Cachoeirense de Amigos da Cultura - Amicus, entidade voltada para a valorização e apoio de instituições e projetos culturais, tomou para si o compromisso de viabilizar a obra e em breve a entregará aos interessados.

O lançamento está previsto para 15 de dezembro. Acompanhe a divulgação pelas redes sociais e sinta o espírito da obra no vídeo promocional de Renato Thomsen:

https://www.youtube.com/watch?v=8MHBAeD9hPk&feature=youtu.be

Capa - Centro Histórico - Maurício Thomsen

domingo, 18 de outubro de 2020

Château d'Eau

No dia 18 de outubro de 1925, depois de meses de obras, foi feita a experiência oficial de funcionamento da 2.ª Hidráulica, da qual fazia parte, como reservatório elevado, o CHÂTEAU D'EAU, nosso principal e mais referenciado cartão-postal. 

Construção do Château d'Eau - Coleção Joaquim Vidal

A experiência foi relatada em ata e como que a dar dimensão ao que o Château d'Eau se tornaria para os cachoeirenses, o livro em que foi assentado aquele momento solene foi o mesmo utilizado para fazer o registro da instalação da Vila Nova de São João da Cachoeira, conhecido como Livro 1..º da Câmara Municipal.

Constaram da ata as seguintes anotações:

Aos dezoito dias do mês de outubro de mil novecentos e vinte e cinco, nesta cidade de Cachoeira, Estado do Rio Grande do Sul, no edifício da Hidráulica Municipal, situado nas proximidades do quartel do 3.º Batalhão de Engenharia, à margem esquerda do rio Jacuí, ali presentes o Dr. João Neves da Fontoura (...), autoridades, funcionários federais, estaduais e municipais, associações civis e religiosas, pessoas gradas e grande massa popular, foi feita a experiência oficial das máquinas, filtros e demais obras de que se compõe a Hidráulica Municipal, as quais, postas em execução, deram excelentes resultados.

O jornal O Commercio, edição de 4 de novembro de 1925, descreve as instalações da 2.ª Hidráulica,, dentre elas o Château d'Eau:

Château d'Eau - O Château d'Eau, situado no largo da Praça Dr. Balthazar de Bem, defronte ao edifício da Municipalidade, acha-se também concluído, apresentando belo aspecto arquitetônico, concorrendo muito para o embelezamento da cidade. A parte arquitetônica foi projetada pelo engenheiro Walter Jobim e a parte de cálculo e estabilidade pelo engenheiro chefe da Comissão de Saneamento do Estado, Dr. Antonio de Siqueira. As obras de escultura, constante de estátuas e grupos de ninfas e sereiais que circundam o Château d'Eau, foram executadas nas oficinas de Vicente Friedrichs, de Porto Alegre, sob a direção do professor Giuseppe Gaudenzi.. O fim deste Château d'Eau é o de levar a água por gravidade ao reservatório de distribuição à Rua Júlio de Castilhos, e regular ao mesmo tempo a pressão da água nas zonas mais elevadas.

Château d'Eau e a Igreja Matriz - Museu Municipal

Uma obra construída para o aperfeiçoamento da distribuição de água na cidade extrapolou sua função original (aliás nem exercida mais) para se transformar no maior ícone urbano. Cachoeira do Sul se reconhece e é reconhecida por ser a terra do Château d'Eau - o lindo castelo das nossas águas. 


Château d'Eau - Mirian Ritzel


Vista aérea do Château d'Eau - Renato Thomsen