Cachoeira de outros tempos

Cachoeira de outros tempos
Rua 7 de Setembro com Banco da Província ao fundo (~1928) - MMEL - Modificado por IA - Renato Thomsen

terça-feira, 14 de junho de 2011

Ecos do nascimento da Princesa Isabel em Cachoeira

            A equipe do Arquivo Histórico, em seu ofício diário de vasculhar documentos da nossa história, garimpa preciosidades que não se restringem apenas ao ambiente local, mas que também registram as repercussões de fatos acontecidos bem longe da nossa Cachoeira. É o caso de um ofício remetido para a Câmara de Vereadores da Vila Nova de São João da Cachoeira pelos integrantes da Comissão encarregada pela mesma Câmara de levar as felicitações ao Imperador pelo nascimento da Princesa Isabel.

Ilustríssimos Senhores Presidente e Vereadores
da Câmara Municipal da Vila de São João da Cachoeira

 “Ilustríssimos Senhores. Temos a honra de acusar o recebimento do ofício que Vs.Sªs. nos dirigiram com a data de 19 de outubro do corrente ano, participando-nos que a Câmara Municipal de que Vs.Sªs. são dignos Membros resolvera em sessão daquele dia nomear-nos para felicitar a S. M. o Imperador pelo Nascimento da Sereníssima Princesa a Senhora D. Isabel, exprimindo os sentimentos de júbilo e entusiasmo que este fausto acontecimento excitara na Câmara e nos habitantes do Município.
         Cumprindo-nos agradecer a Vs.Sªs. com o maior reconhecimento a escolha que de nós fizeram para uma comissão tão honrosa, como grata aos nossos corações, nós nos apressamos a transmitir a Vs.Sªs. na Gazeta oficial junto o discurso que recitamos a S. M. o Imperador e que o Mesmo Augusto Senhor acolheu com Benevolência.
         Muito folgaremos que a maneira porque desempenhamos esta comissão mereça a aprovação de Vs.Sªs., a quem ainda uma vez reiteramos as expressões de nossa gratidão.
         Deus guarde a Vs.Sªs. muitos anos. Rio de Janeiro, em 19 de Dezembro de 1846.

(assinam) Manoel Pereira da (ilegível)
                   José Martins d’Alm Jobim
                   Antonio Paulino Limpo de Abreu



domingo, 12 de junho de 2011

A velha José Bonifácio...

                A velha Praça José Bonifácio vai passar por mais uma reforma.
                A velha praça, que já foi do Pelourinho, Ponche Verde, do Mercado, das Paineiras e finalmente do Patriarca da Independência, foi delimitada por cerca de taquaras, por renque de paineiras e depois tipuanas.
A velha Praça das Paineiras
A bela praça das tipuanas com ar europeu
               Foi palco de circos, abrigou o eclético Mercado Público; teve cinemas, restaurantes, bares chiques e coretos.
A bela praça do coreto e do Mercado Público
               Ganhou uma cancha de basquete, onde jogaram campeões. Foi palco dos livros, hoje é espaço de festas populares. Perdeu a ligação com o resto da cidade desde que roubaram a rua que circundava a Fonte das Águas Dançantes e tiraram dali a Feira Livre. Perdeu, perdeu. Desfigurou-se.
A praça da cancha de basquete
               Que a próxima reforma recupere um pouco da sua dignidade e não permita que perca definitivamente a identidade. Assim como pediu um dia o poeta:

Não toquem, por favor, na velha praça,
Não a dispam, jamais, do seu lirismo,
Não procurem privá-la dessa graça,
Que a paisagem lhe dá de romantismo.

Não é gesto contrário ao modernismo,
Exaltá-la, no verso, erguendo a taça,
Porém apego ao que há de simbolismo,
Que a gente beija e a tradição abraça.

Deixem-na, assim, vestida de folhagem,
Com seus bancos à sombra da ramagem,
Para o ócio dos jovens e das fãs.

Velha praça das noites seresteiras,
Que morreu de saudade das paineiras,
Renascendo ao florir dos flamboaiãs!


                                                                                                       (João do Adro, Jornal do Povo, 29/12/1981)


terça-feira, 7 de junho de 2011

Fontoura Xavier - o poeta das Opalas

Vizinha do andar de baixo,
Quando regar suas flores,
Lance um olhar para cima
Para regar meus amores.

Versos de Fontoura Xavier com ares de Mário Quintana... Simples coincidência, pois Fontoura Xavier antecedeu Quintana em várias décadas.

Antônio Vicente da Fontoura Xavier nasceu em Cachoeira a 7 de junho de 1856, filho de Gaspar Xavier da Silva e de Clarinda da Fontoura Xavier, a Lindoca, e neto do farroupilha Antônio Vicente da Fontoura.
Fez seus estudos superiores no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde começou a carreira literária e assumiu posição política pró-República. A estreia na literatura deu-se exatamente com uma sátira política em versos que atacam o Imperador Pedro II. Essa obra chama-se O Régio Saltimbanco, de 1877. Mas sua obra mais conhecida surgiu em 1884 e recebeu o título de Opalas.
A produção literária de Fontoura Xavier é representativa da geração que viveu politicamente entre o Império e a República e literariamente entre o romantismo e o parnasianismo. Era também excelente tradutor, constando dentre os escritores que traduziu o inglês Shakespeare e o francês Baudelaire, para citar apenas dois.
Fontoura Xavier foi diplomata, tendo exercido as funções de cônsul, ministro plenipotenciário e embaixador, representando o Brasil em vários países das Américas e Europa.
Faleceu em Lisboa no dia 1.º de abril de 1922.
É patrono da cadeira n.º 14 da Academia Rio-Grandense de Letras.



Fontoura Xavier

domingo, 5 de junho de 2011

Outono

Neste junho gelado, a cidade se veste com as cores do outono...

Extremosas no Bairro Santo Antônio

Plátano na Praça Balthazar de Bem


Junho é mês gelado em Cachoeira, como atestam notícias colhidas no jornal O Comércio (Cachoeira, 1900 - 1966) em tempos idos:
"Pelas 8h30 da manhã de domingo, 23 de junho de 1918, junto com uma pequena e passageira carga de chuva, caíram muitos flocos de neve, fato, ao que nos consta, nunca observado na Cachoeira."
"Em 20 de junho de 1925 a cidade amanheceu coberta por uma densa camada de gelo, chegando a temperatura, às 6h da manhã, a 5,5 graus negativos. Muitas torneiras da Hidráulica Municipal só funcionaram pouco antes do meio-dia."