Cachoeira de outros tempos

Cachoeira de outros tempos
Rua 7 de Setembro com Banco da Província ao fundo (~1928) - MMEL - Modificado por IA - Renato Thomsen

sábado, 27 de fevereiro de 2016

A última edição d’O Comércio agrega-se à coleção existente no Arquivo Histórico

No dia 23 de fevereiro de 2016, exatamente 50 anos depois, a última edição do jornal O Comércio (1900 – 1966) que circulou no mesmo dia do ano de 1966, foi entregue para compor a coleção cuidadosamente guardada no acervo de imprensa do Arquivo Histórico do Município de Cachoeira do Sul.

Última edição d'O Comércio - 23/2/1966
Acervo de Imprensa do Arquivo Histórico
A doação do último – e provavelmente o único – exemplar da edição que pôs fim a uma história de 66 anos de circulação foi feita por Sérgio Moacir da Silva Pacheco, ex-funcionário da Tipografia do Comércio, e responsável à época pela impressão do jornal.


Sérgio Moacir da Silva Pacheco - último impressor e guardião da última edição
- Fotos: Arquivo Histórico
O Commercio, órgão comercial, noticioso e literário fundado em 1º de janeiro de 1900 por Henrique Möller Filho, guarda algumas curiosidades: nasceu bilíngüe, ou seja, trazia anúncios e alguns textos também em alemão (o que indicava a forte presença germânica na cidade) e era distribuído aos leitores já na terça-feira, embora trouxesse no seu cabeçalho a indicação de que saía às quartas-feiras. Sobre isto Paulo de Gouvêa escreveu:

“O Comércio, que todo mundo chamava de Comercinho e tinha a inédita peculiaridade de sair terça-feira com data de quarta. Por que essa anomalia, nunca ninguém pôde saber. Em todo o caso, graças a ela, nós, os cachoeirenses, desfrutávamos do privilégio sem igual de ter o único jornal no mundo que era publicado na véspera.”

O Commercio registrava em cada edição as chegadas e partidas dos cachoeirenses, os aniversários, as notícias dos distritos e abria espaço para articulistas, muitas vezes escondidos sob pseudônimos. E, dentre eles, uma mulher: Cândida Fortes (depois Brandão), com publicação já na primeira edição do jornal, quando usou o pseudônimo Canolifor (iniciais de seu nome de solteira – Cândida de Oliveira Fortes).

Volume das edições d'O Commercio do ano 1900
- Acervo de Imprensa do Arquivo Histórico
Para a impressão do jornal Henrique Möller Filho contava com o auxílio dos seus irmãos Guilherme Antônio (redator) e João Antônio (tipógrafo). Henrique Filho faleceu em 1941, passando a direção do jornal aos irmãos. Em 1966, quando do encerramento das atividades, eram diretores Carlos Möller Sobrinho e Edgar Pohlmann.

A coleção hoje resguardada e disponibilizada pelo Arquivo Histórico foi reunida, organizada e depois cuidadosamente encadernada por Carlos Möller Sobrinho. Depois de seu falecimento, por decisão de sua esposa e filhos, a coleção foi doada à Biblioteca Pública Municipal; depois passou a integrar o acervo da Câmara Municipal, sendo franqueada à pesquisa de interessados. Por iniciativa do vereador Henrique José Möller, filho do fundador do jornal, a coleção foi repassada ao Museu Municipal de Cachoeira do Sul, de onde, por questões técnicas, foi finalmente repassada para o Arquivo Histórico do Município, onde já estavam as coleções dos demais jornais cachoeirenses.

66 anos de circulação é uma marca. Cachoeira teve diversos jornais, de diferentes ideários e propósitos, a maioria de vida efêmera. Atravessar mais da metade do século XX, notadamente época de convulsões sociais, econômicas e culturais, faz d’O Commercio um jornal riquíssimo no conteúdo, na forma de apresentação e na interação que manteve com a comunidade, evidenciada no apelido carinhoso que carregava: O Comercinho. 

Créditos das fotos: Neiva Ester Corrêa Köhler e Maria Lúcia Mór Castagnino, do Arquivo Histórico

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Série Lojas do Passado: Pharmacia Central

A Pharmacia Central, localizada na Rua Sete de Setembro, esquina com a Rua General Osório, propriedade do farmacêutico Leopoldo Rangel, era um tradicional estabelecimento do gênero na Cachoeira do início do século XX, tempos em que as farmácias eram mais do que locais de manipulação e comercialização de medicamentos, sendo muitas vezes endereços de consultórios médicos e de laboratórios bastante eficientes.

Cartão-postal da Rua Sete de Setembro, vendo-se a Pharmacia Central à esquerda
(provavelmente da série de Benjamin Camozato - década de 1910)
- Fototeca Museu Municipal

Em 1913 a Pharmacia Central trouxe uma inovação para Cachoeira. Adquiriu modernos aparelhos de esterilização: uma autoclave da marca Sorel, fabricada na casa Adnet & Cia., de Paris, aparelho destinado à esterilização rigorosa de ataduras, algodões, líquidos, fios de seda e do instrumental cirúrgico, sob pressão de uma a duas atmosferas*. Esse aparelho também servia para a esterilização das soluções das famosas injeções 606 e 914 muito usadas à época para o controle da sífilis. O aparelho, por meio de uma bomba para vácuo, esterilizava todos os pensos**, deixando-os completamente secos.

Anúncio de injeções para sífilis
Jornal Rio Grande (Cachoeira), 4/12/1913
- Acervo  de Imprensa do Arquivo Histórico

Outra novidade trazida por Leopoldo Rangel foi o aparelho Erey, destinado a encher assepticamente ampolas com soluções de medicamentos que não podiam sofrer a esterilização quente.

Leopoldo Rangel, que era o pai do Dr. Lauro Rangel (médico que clinicou por muitos anos em Cachoeira) pensava em instituir na cidade um serviço de preparação de ampolas para injeções rigorosamente dosadas e esterilizadas. E também anunciava, segundo publicou o jornal Rio Grande, na edição de 19 de outubro de 1913, que receberia aparelhos de esterilização da água e do leite pelo sistema do professor Nogier, de Paris.

Ler notícias das novidades que o mundo experimentava há mais de 100 anos leva à percepção  do quanto a humanidade evoluiu. Mas para perceber isto é preciso que haja conhecimento de quais eram as rotinas do passado. No caso das novidades apresentadas pela Pharmacia Central, é importante ressaltar que as injeções, por exemplo, eram feitas com aparelhos de vidro usados indefinidamente ou até que quebrassem... Para esterilizá-los, o método utilizado era o de ferver, o que normalmente era feito no próprio estojo de metal que acondicionava as seringas e agulhas. Algo hoje impensado, pois seringas e agulhas são descartáveis, ou seja, usadas uma única vez e depois jogadas fora.

Quanto às doenças, de 1913 para cá muita coisa assustadora surgiu, oferecendo medo, mas também fazendo a ciência evoluir na busca de lenitivos e cura.


Estojo de seringas e agulhas para injeção - www.pinterest.com
*Atmosfera: unidade de pressão. Símbolo: atm 
** Pensos: curativos

domingo, 31 de janeiro de 2016

Série Casas com passado, presente e futuro

Casa Jacques Bidone

Letreiro da casa de Jacques Bidone
- foto Nelda Scheidt

Fachada atual da casa de Jacques Bidone - foto Claiton Nazar

Foto mais antiga da Casa de Jaques Bidone - fototeca Museu Municipal

No ano de 1916, o jornal O Commercio noticiou, em sua edição de 5 de janeiro, que o Sr. Jacques Bidone tinha mandado demolir o antigo prédio do Hotel Central, localizado na Rua Sete de Setembro, defronte à Praça das Paineiras (atual José Bonifácio), para no local construir um “edifício assobradado, que já recebeu o madeiramento da cumeeira. O mencionado edifício tem 16,20 de frente, 11 metros de altura e 100 palmos de fundo, constando de 17 compartimentos. O andar superior terá cômodos para habitação de duas famílias, e o inferior constará de dois armazéns e ainda de uma residência para família, com entrada pelo lado sul. Uma parte do edifício o Sr. Bidone destina à instalação da sua loja e oficina de calçados, uma outra é reservada para habitação de sua família, ficando o excedente para alugar.”


Quadra da Rua 7 de Setembro antes da construção da Casa de Jacques Bidone
- fototeca Museu Municipal

Em 20 de agosto de 1919, o mesmo jornal registrou que iam “adiantados os trabalhos da construção de um sobrado que o Sr. Jacques Bidone está mandando edificar à Rua Sete de Setembro, defronte ao Coliseu*, para nele instalar uma farmácia e um bem montado laboratório clínico que deverá ser dirigido pelo farmacêutico Dr. Francisco de Revoredo Barros e pelo farmacêutico químico Sr. Carlos Carneiro."

Em abril de 1928, Jacques Bidone abriu no local a Casa Pereira, de J. Pereira & Cia., em sociedade com seu genro João Pereira Júnior. Em julho de 1931 a sociedade foi desfeita com a retirada de Jacques Bidone, o que não impediu da loja seguir no mesmo endereço e sob o controle de Pereira Júnior. No início dos anos quarenta, o grande sortimento da casa comercial eram casimiras e outros artigos de vestuário.


Rua 7 de Setembro, cruzamento Sílvio Scopel - atrás do relógio a casa Jacques Bidone - 1928
- fototeca Museu Municipal

Mas quem foi Jacques Bidone? Nascido em Trento, na Itália, Bidone veio para o Brasil em 1889, passando por Bagé, Lavras e Caçapava, antes de se estabelecer em Cachoeira, como comerciante de tecidos. Casado em primeiras núpcias com Clecilia Félix Bidone, teve os filhos Lina Bidone (Pires), Dina Bidone (Preussler), Ida Bidone (Pereira), Otília Bidone (Pertille), Oscar, Artur, Jaci e Nei.  Viúvo, casou-se com Ema Mussói. O falecimento desse italiano que fez história no comércio de Cachoeira ocorreu em 25 de julho de 1942, contando ele a idade de 72 anos. 

A casa Jacques Bidone, que começou a ser construída há 100 anos, continua a registrar para a posteridade as iniciais do seu proprietário: JB. A parte superior do sobrado, destinada à residência, segue cumprindo esta função. A parte térrea, ao longo de quase um século e até o presente, tem sediado lojas comerciais diversas, notadamente de confecções. É, portanto, uma casa que ilustra as fotos do passado, as do presente e ilustrará, com certeza, as do futuro.

Abaixo, sequência de fotos da Rua Sete de Setembro já com a casa de Jacques Bidone. A primeira foto, de 1926, mostra o calçamento da rua; a segunda, do final da década de 1920; a terceira dos anos 1960, todas pertencentes à fototeca do Museu Municipal de Cachoeira do Sul. Estas imagens confirmam o tanto de história que o sobrado imponente vivenciou e, juntamente com a antiga casa do Dr. Balthazar de Bem, hoje Casa de Cultura Paulo Salzano V. da Cunha, constituem testemunhos únicos de uma época em que Cachoeira começou a se firmar como cidade abastada e próspera.










*Cinema Coliseu Cachoeirense, localizado na esquina da Praça José Bonifácio com Rua Andrade Neves.

sábado, 9 de janeiro de 2016

A Lenda das Sangas da Inês e da Micaela

Quando as sangas da Inês e da Micaela se encontrarem, diz a lenda, a cidade desaparecerá! 

Nunca antes esta antiga lenda foi tão lembrada... e temido seu vaticínio! Cachoeira do Sul tem sido assolada por eventos naturais de grandeza poucas vezes experimentada e em tão repetidos eventos! Será que as crendices do passado e o folclore surgido em torno delas têm lugar em pleno século XXI? 

Pelo sim, pelo não, eis a lenda extraída da edição de número 976 do jornal O Commercio, datado de 14 de agosto de 1918:

Não é nenhuma novidade dizer-se que cada cidade, cada lugarejo, cada sítio tem suas lendas: umas verdadeiramente interessantes e poéticas outras despidas destes requisitos, revelando crendices mais ou menos bárbaras dos primitivos povoadores desses lugares.

Esta que vamos contar, ou melhor, dizer como no-la contaram, está muito longe de pertencer à classe da lenda de Psiquê e de tantas outras que fazem “o encanto de quem as lê”, ou dos que as ouvem da voz da tradição. Esta, dizemos, é uma lenda essencialmente rústica, que nada mais pode despertar senão o sabor de ouvir o relato das coisas passadas.

O nosso interlocutor – não importa saber-lhe o nome – é naturalmente uma pessoa antiga, amante de coisas antigas. E vem daí o reter ele (ou ela) na memória o que dizem, desde os tempos idos, dessas duas sangas que, lançando-se no Jacuí, limitam, pelos lados Leste e Oeste, a colina em que atualmente se estende a cidade da Cachoeira.

Ouçamos a narração:
“Ali entre a Bica e o rancho onde residiu e morreu o velhinho João Rabequista que, quando não pôde mais pescar saía a tocar uma velha rabeca para ganhar a vida, era o ranchinho da Inês, viúva, segundo dizem, de um português em cuja companhia viveu por dilatado tempo numa constante e bem compreendida harmonia, descontados apenas alguns bate-bocas terminados em pontapés. Mas como tudo neste mundo tem um fim, mais hoje, mais amanhã, o seu velho, homem mais robusto e ativo agenciador da vida, apareceu um belo dia atacado de uma doença esquisita, a modos que enfeitiçado; e não houve remédios caseiros nem benzeduras que impedissem o seu Manoel entrar a definhar a olhos vistos, até que uma noite quatro velinhas bruxuleantes iluminaram-lhe o caminho da posteridade.

Ninguém pôde explicar, senão pelo feitiço, a natureza da moléstia que o matara, ainda os mais entendidos na arte de curar daquele tempo.

De sua junção com a preta Inês não ficou prole; e isto acrescentou sobremodo a desolação da pobre que, só e abandonada, deixou-se tomar de grande acabrunhamento; e então, às horas sombrias carpia suas mágoas, divagando pelas margens da sanga que, a esse tempo, eram revestidas de árvores, não contando algumas clareiras resultantes dos caminhos abertos pelos moradores do sítio e das devastações dos lenhadores.

Um dia, já ao escurecer, Inês sentara-se ao portal de seu velho rancho, e, pensando no passado, recordava-se que antes do seu homem enfermar e bater asas para o outro mundo notara, diversas vezes que, no silêncio da noite, uma coruja muito grande, muito grande, pousava sobre tocos carcomidos em derredor do rancho e soltava pios agourentos e lúgubres.

E assim absorta e passando em revista na mente doentia todos os fatos que pudessem explicar a causa do desandar de sua sorte, ouviu uma voz saída das sombras, que assim dizia:
- Não se apoquente, siá Inês; nesta vida não valem tristezas; o que vale é a gente saber d’onde veio o mal e tratar de dar-lhe remédio. Olhe, o seu homem não era nenhum santo, e foi por isso mesmo que a sirigaita da Micaela deu-lhe as coisas ruins para beber de que veio a enfermar e morrer.

E uma sombra passou-lhe diante dos olhos, sumindo-se na treva.

A pobre criatura tomou-se de tal pavor que nada mais fez que recolher-se para o interior do casebre, passando, porém, a noite em claro, atormentada pela revelação misteriosa da qual resultava uma amarga desilusão e uma funda irritação contra Micaela.

- Mas, quem era essa Micaela?

- Pouco abaixo do lugar que se conhece por Santa Josefa – continuou a narração – existiu antigamente um casinha à margem esquerda da sanga situada ao lado Leste da cidade, que muita gente conheceu habitada por uma cabocla, - dizem que de muita figura, a quem davam o nome de Micaela, cuja vida era cercada de certo mistério e cheia de acidentes. Daí é que vem o nome de Sanga da Micaela, da mesma forma que Inês deu o nome à outra.

Mas como ia dizendo, Inês, extremamente abalada por aquela noite mal passada, resolveu, logo ao amanhecer, ir à Aldeia, onde decerto colheria explicações sobre o que lhe acontecera; e sucedeu que ali chegando não faltou quem não estranhasse a sua cegueira em relação aos fatos ocorridos entre Micaela e seu finado companheiro, os quais ao princípio muito amigos, como todo o povo sabia, tornaram-se depois inimigos por causa de umas coisas que se meteram na cabeça da cabocla que, por sinal, era bem boa bisca.

Desde essa manhã a boca da Inês incendiou-se contra Micaela, da qual, daí em diante pôs todos os podres na rua, os que tinha e mais ainda os que não tinha.

Sabedora disso, a cabocla pagou-se na mesma moeda. Finalmente, sempre que se avistavam era um bate-boca interminável! Certo dia, pegaram-se à unha com tanto encarniçamento que, se não apartassem, estrangular-se-iam uma à outra.

Passaram os tempos; mas como ódio velho não cansa, à medida que o tempo corria mais se azedavam aquelas rivalidades.

Assim passaram os anos até que Inês, muito velhinha e já quase em estado de fantasma, veio uma noite a falecer perto da Bica, praguejando até ao seu último alento contra sua odienta inimiga. Pouco lhe sobreviveu a cabocla, morrendo também em estado de extrema pobreza e abandono.

Toda esta história vem para dizer, meu senhor, que após o desaparecimento dessas duas mulheres, entraram a aparecer as almas delas quase todas as noites nas respectivas sangas, viradas em fantasmas, empenhadas ambas no trabalho de, com as unhas, solaparem as terras das margens – cujas terras as enxurradas andam levando para o rio desde aquele tempo até agora.

Parece que com isto as sangas querem se encontrar para se devorarem mutuamente, continuando a vontade dos seres extintos.

Como se vê, a sanga da Inês, que começava da Bica e era muito estreita, está num socavão imenso e já está no ponto de tragar a volta da estrada do Seringa, ao mesmo tempo que vai avançando para o dorso da colina onde, daí a pouco, as casas da cidade se precipitarão ao abismo que a alma da Inês está cavando a seus pés.

Pelo outro lado, a da Micaela vai fazendo a sua tarefa, talvez com maior empenho. Haja vista o que ela tem feito pela altura do Lava-pés. Não há paredões de pedra que bastem a obstar as deslocações das terras corroídas pelas unhas da Bruxa.

Se a engenharia se descuidar, a cidade será igualmente arrastada ao abismo também por esse lado.

Por isso é que o povo diz que quando as sangas se encontrarem, a Cachoeira se acabará.

“Das Crônicas”

Sobre a Inês não há referências à sua existência. Mas Micaela existiu de fato e era moradora das proximidades da sanga que leva seu nome, mais precisamente na área que hoje se constitui o Parque Municipal da Cultura, onde estão o Museu, o Jardim Botânico e o Zoológico Municipal. 

Parque Municipal da Cultura - foto Jorge Ritter
A documentação primitiva das terras, encontrada no Cadastro de Terrenos da Vila Nova de São João da Cachoeira, complemento da planta de João Martinho Buff, de 1850, diz o seguinte:
- número do terreno: 281
- localização: frente - Rua Santa Helena (hoje Rua Dr. Liberato S. Vieira da Cunha), fundos - junção das duas sangas (hoje denominadas Lava-pés e Micaela)
- dimensões: 320 palmos de frente
- proprietários: sucessores da falecida Michaella
- autoridade concessora do título: José Carvalho Bernardes, Comandante da Vila
- época de demarcação: 1820 aproximadamente.

As lendas, histórias nascidas no seio da população e difundidas geração a geração, mesclam com maestria verdade e ficção...