Cachoeira de outros tempos

Cachoeira de outros tempos
Rua 7 de Setembro com Banco da Província ao fundo (~1928) - MMEL - Modificado por IA - Renato Thomsen

domingo, 13 de dezembro de 2015

Série Prédios com Passado, Presente e Futuro

A cidade passa por uma discussão a respeito dos prédios inventariados do patrimônio histórico. Como em toda discussão, entram em choque os que defendem e os que atacam a preservação. E a desinformação, na maioria dos casos, acaba por associar a conservação dos bens do passado ao entrave do desenvolvimento. Países do primeiro mundo estão aí a provar que a preservação de sua memória tem sido a saída econômica para uma sucessão de crises que têm assolado o mundo globalizado na última década. Só para citar um dos aspectos – o econômico - que parece ser o mais forte na discussão instalada em nosso meio. A fixação de uma identidade é outro aspecto fundamental para solidificar a cultura, levando os indivíduos a finalmente entenderem a importância de valorizar as marcas do passado e a memória de seu meio, especialmente numa cidade de tradição histórica.

Em Cachoeira do Sul há bons exemplos da conjugação do passado com o presente, sempre com vistas ao futuro, e com grandes possibilidades de ganhos culturais e financeiros.

Esta série tem a pretensão de mostrar aos leitores que casas antigas, sejam elas inventariadas, tombadas, ou nenhum dos casos, podem SIM ser bem aproveitadas, dando ganhos aos proprietários e à cidade que assim legitima sua condição de quinta mais antiga do Rio Grande do Sul.

1 - Knorr & Eisner – um pouco da história do prédio

No ano de 1916, Oscar Knorr e Leo Eisner estabeleceram, na Rua 7 de Setembro n.º 4, uma casa de comissões, representações e consignações denominada Knorr & Eisner. Tinham até telefone, de número 26. A casa comercial trabalhava com muitos artigos, os mais variados, que iam desde balanças, arames, equipamentos e máquinas para engenhos de arroz e de madeira, artigos para eletricidade, automóveis e acessórios, bicicletas, aberturas e pianos. Tinha também seção de perfumaria, de bebidas, cigarros e doces.

Em 1918, Oscar Knorr e Leo Eisner noticiaram a construção de um amplo prédio na esquina das ruas Sete de Setembro e Ernesto Alves, defronte à Estação Ferroviária, endereço propício para o recebimento das mercadorias, em sua maioria importadas. Segundo noticiou o jornal O Commercio, edição de 25 de setembro, a planta do soberbo edifício que o Sr. Oscar Knorr vai mandar construir nas proximidades da estação ferroviária, para a firma Knorr & Eisner, planta confeccionada pelo engenheiro-arquiteto Frederico Gelbert, encontrava-se em exposição na livraria da Tipografia d’Commercio.  Como era comum aos prédios comerciais da época, a parte térrea serviria para o negócio e a superior para residência da família.

Foto raríssima do primeiro prédio Knorr & Eisner - reprodução Robispierre Giuliani

Em setembro de 1919, ocorreu a mudança da firma para o novo prédio que, no entanto, devido à crise econômica gerada pela 1.ª Guerra Mundial, sucumbiu, determinando que a ocupação do espaço fosse por tempo bastante curto, uma vez que a concordata preventiva já havia sido decretada em agosto daquele ano. Com o fechamento da Knorr & Eisner, o prédio passou por reformas para sediar, a partir de 1924, a agência local do Banco do Brasil. E nesse intervalo de tempo entre o fechamento da Knorr & Eisner e o início das obras para instalação no prédio da agência do Banco do Brasil, habitou o andar superior o Sr. Otto Müller e família. Numa porta do andar térreo, Müller abriu um mercadinho. 

Para a nova destinação do prédio mudanças significativas foram feitas na construção original, com a colocação de elementos decorativos nas paredes, antes lisas, e divisão da parte superior, onde dois apartamentos foram dispostos. As obras foram executadas pelo construtor Santiago Borba. 

Banco do Brasil - foto original de Ilsa Ribeiro

O Banco do Brasil deixou o prédio da extinta Knorr & Eisner em 1946, quando se mudou para o prédio mandado construir na Rua Sete de Setembro esquina Presidente Vargas. No velho endereço passou a funcionar a agência do Banco Agrícola Mercantil, depois incorporado pelo União de Bancos Brasileiros S.A. – UNIBANCO, ocupante do prédio até outubro de 2008.


Desmonte da agência do UNIBANCO - outubro de 2008
- foto Mirian Ritzel

Adquirido pelo empresário cachoeirense Willy Haas Filho, o antigo Knorr & Eisner, que já era tombado pelo COMPAHC desde 1986, foi totalmente restaurado, recuperando sua imponência arquitetônica. A partir de 2014, por ocasião das festas natalinas, era totalmente iluminado, conferindo beleza ao alto da Sete, ao à subida dos bancos, como aquela quadra é popularmente identificada. Vendido ao empresário Leandro Feltrin, passou a sediar a Pró-Vida Assistencial.

Configura-se assim o Knorr & Eisner como um dos tantos prédios de nossa cidade que tem PASSADO, PRESENTE  e FUTURO.


Prédio de Willy Haas Filho - foto Claiton Nazar

3 comentários:

  1. Maravilhosa e oportuna história Míriam ! Parabéns! Como é o número 1 ficarei esperando a sequencia OK?

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  2. Certo, Suzana. Verás como temos bons exemplos por aqui!

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  3. Então a porta do mercadinho do meu bisavô era a porta grande ,a única voltada para a Estação Férrea!


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