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quarta-feira, 1 de maio de 2019

Sem fugir do trabalho


O trabalho dignifica o homem e pode jogar o seu exemplo para o futuro. Existem personagens da história de Cachoeira do Sul que imediatamente remetem à memória do tanto que a sua força de trabalho representou para modificar e melhorar o seu tempo.

Dentre estas personagens, homens e mulheres. Ainda que alguns exemplos venham do século XIX, quando o protagonismo só era permitido aos homens, também aparecem mulheres que empreenderam, fizeram a diferença e deixaram sua marca.

Escolhemos apenas três e começamos por Albino Pohlmann. Este foi certamente um dos mais notáveis trabalhadores da nossa história. Criativo, engenhoso, inovador e com uma capacidade de produção incrível. De seu gênio inquieto, surgiram inovações que guindaram a economia local a outros patamares. Caso das primeiras experiências com a irrigação artificial das lavouras de arroz, no longínquo ano de 1906. Suas técnicas logo se difundiram, permitindo um incremento na produção arrozeira e no lugar que Cachoeira ocupava na economia do estado. Muito do título de Capital Nacional do Arroz devemos à genialidade de José Albino Pohlmann, para citar apenas uma de suas facetas.

José Albino Pohlmann - Acervo Tânia M. Möller Pohlmann

Antes dele, no século XIX, uma mulher teve que ser protagonista de uma obra e da vida de sua família. Seu nome: Castorina Ignacia Soares. O marido de Castorina, João Antônio de Barcellos, assumiu com a Câmara Municipal a obra de abertura da estrada Cachoeira – Cruz Alta (não é o município homônimo; tratava-se de um distrito de Rio Pardo, proximidades da serra do Botucaraí). No decorrer da obra, João Antônio foi vitimado, em 31 de março de 1853, pela queda de uma árvore. Sem alternativa e tendo que dar cumprimento ao contrato assinado pelo falecido marido, Castorina tocou a abertura da estrada. Em 28 de março de 1854, ou seja, antes de completar um ano da fatídica morte, Castorina cumpriu com o contrato, entregando a obra concluída à Câmara!

Pedro Fortunato Baptista, conhecido por “Pedro Faz Tudo”. Sua alcunha já diz muito! Italiano de nascimento – e bem nascido por lá – foi um dos mais inquietos cidadãos da Cachoeira entre o final do século XIX e o início do século XX. A primeira bicicleta, ou velocípede, aparecida na cidade foi através dele, isto em 1896! Um dos primeiros cinemas também foi sua iniciativa, assim como uma fábrica de licores e outra de sacos de aniagem e algodão. Dotado de boa verve, encantava com seus discursos. Foi um dos entusiastas fundadores da Sociedade Italiana Príncipe Umberto e agente consular da Itália em Cachoeira. As iniciativas que teve não lhe granjearam sucesso. Morreu pobre e solteiro, sob a proteção de um amigo de raízes italianas como ele...

José Albino Pohlmann, Castorina Ignacia Soares e Pedro Fortunato Baptista têm em comum a característica da força do trabalho. José Albino viveu uma vida altamente produtiva até o fim. Castorina recolheu-se ao lugar subalterno que caracterizava as mulheres de seu tempo, e Pedro Faz Tudo se aventurou em atividades que não compensaram seu esforço criativo. Cada um com sua história e todos tendo o trabalho como ponto comum. Viveram suas vidas sem fugir do trabalho.

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